Cinza e cor de lago
Dos teus olhos…
Espelho que reflecte
Senão a luz negra das horas
As brancas sombras dos lugares…
Cisnes e gansos
O vaivém dos barcos nas hordas
Estátua magenta - sejas tu…





Creio ter sido de Octávio Paz a frase: “Se os líderes lessem poesia, eles seriam mais sábios”. E isso vem a propósito da última sessão parlamentar, no decurso de um debate bizarro e bizantino sobre a “política dos transportes”. Estes adjectivos, passe o eufemismo, devem-se ao baixo teor das interpelações e à paralaxe invertida das explicações. Às tantas, pareciam mudos a falar a surdos e, da bancada dos espectadores, as gargalhadas eram contidas em forma de sorrisos. Mas o pior (ou o melhor, a depender do prisma) terá sido a recusa da poesia por parte dos entes parlamentares. Cada um afiançava-se (com a arrogância de um rei decadente e carcomido) que não fazia poesia e acusava o outro de tamanho ilícito. Creio ter sido de Arménio Vieira estes versos: “Gente oca, cabecinha de alfinete”…










avá-la, mas se estiver emperrada, o jeito é arrombá-la".
Segui, com horror e indignação, a linguagem racista do deputado da Assembleia Nacional, António Pascoal dos Santos. Aguardo, como qualquer cidadão nacional, que o ilustre deputado, eleito e sustentado com a nossa cidadania, faça retratação pública pela verborreia e que o Partido, que o tem em bancada, se demarque de tamanha ignomínia. Enquanto isso não acontece, é preciso que os nossos deputados não se arvorem em deuses de esquina, nem extravasem tamanha ignorância. A sociedade precisa ensinar aos políticos de que a Política não pode tudo. Não pode transbordar as margens da ética definidas pela sociedade e pela cidadania. Há sentimentos e intenções que não têm espaço num Estado de Direito Democrático. Pascoal não…
