Sei que perscrutas o Albatroz a cada post e, ao mínimo desvio de sintaxe, lá estás tu, com mão estrita, a corrigir-me o deslize. Olha que a vírgula está mal posta. Andas com um português de deputado, poças. Vê-me lá isso da inversão dos pronomes. Sei também que escrutinas, ao milímetro, a semântica do que escrevo e, por ti, as palavras passam a ser um jogo, hermético para os outros, mas axiomático aos teus pressentimentos. Tens andado na lua ou no luar? Onde será fantasia e quando é realidade? O espelho que te olha é um políedro maluco, está-se mesmo a ver. Sei ainda que o fazes por crença, quando não por fé, e, se dou por fim este Blog, dolosos serão teus dias. Que outras aventuranças se não estas de te navegar em intertexto? Que outras metáforas voam, elas iguais ao "Príncipe das Nuvens", em cada lapso do que dizes?quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Cada post
Sei que perscrutas o Albatroz a cada post e, ao mínimo desvio de sintaxe, lá estás tu, com mão estrita, a corrigir-me o deslize. Olha que a vírgula está mal posta. Andas com um português de deputado, poças. Vê-me lá isso da inversão dos pronomes. Sei também que escrutinas, ao milímetro, a semântica do que escrevo e, por ti, as palavras passam a ser um jogo, hermético para os outros, mas axiomático aos teus pressentimentos. Tens andado na lua ou no luar? Onde será fantasia e quando é realidade? O espelho que te olha é um políedro maluco, está-se mesmo a ver. Sei ainda que o fazes por crença, quando não por fé, e, se dou por fim este Blog, dolosos serão teus dias. Que outras aventuranças se não estas de te navegar em intertexto? Que outras metáforas voam, elas iguais ao "Príncipe das Nuvens", em cada lapso do que dizes?segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Cicciolina
fevereiro sol
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Azul
Nada como ouvir Princesito a cantar Azul, um batuku progressivo, uma lírica em skating e um arranjo com a boa griffe de Hernani. Espectacular. Minina si bu mai folau, minina n ta nhemeu ti n farta...
Revertério, poxa
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Cronópios

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Bosão, tetrápodes e sujas

Penso, logo inexisto
Meninos,terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A quem possa interessar

A quem interessar possa
Dança das Ilhas
Melhor Idade
Tão lindo quanto
E por falar nisso
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Blog
Blog é site de autor. Às vezes, pode ser animado por colectivo. Outras vezes, prestar-se-á a joint. Mas, estruturalmente, Blog é para o ego meeeeesmo. E depois? Jorge Tolentino escreveu isto: cada Blog tem a sua razão de ser e estar. Que é fundamental que cada um se sinta bem. Com descontracção, sobretudo. Sempre que escrevo um post, digo para os meus botões merde à celui qui lira. Que dimensão cósmica nos empresta este Fevereiro, por exemplo? Vejamos todo o insólito, dir-se-ia explosão de uma supernova. Viemos de Deus? Dos deuses? Dos não deuses? Do Big-Bag? Ou do Rebond? Quem sabe ainda nem tenhamos vindo. Que frio na cidade da Praia. Entro num Starbucks imaginário e du café, beaucoup de café. Du Café Margoso. Diante da Gare, os clowns e os robocops confrontavam-se. Enquanto isso, benjamins de merda preparam-nos a constituinte. A actualidade vampiriza a realidade. Hay que endureserse...
Turismo
Quanto ao Turismo, eis o sector que precisa ser requalificado em Cabo Verde. Com urgência. Não apenas para transcender o binómio sol & praia, mas para acrescentar melhor e mais diversificada oferta. Este País tem potencialidades ambientais, paisagísticas, culturais e históricas. Potencialidades humanas, sobretudo. A promoção turística deverá passar por mais complexidade e mais ousadia. Reinventemos a nossa opção pelo Turismo. Crioulizemos o Turismo! Alupekemo-lo. Distanciemo-nos dos caminhos tomados no Sal e na Boavista posto que, soberanos da silva, não nos contentamos chulos, putas, passadores de droga e vendedores ambulantes. O importante é recolocarmos o eixo no Arquipélago e não nos aderirmos ao circuito de forma atávica e acrítica. Não podemos aceitar o estatuto do indigenato recauchutado, nem levar a cabeça para o altar dos novos canibalismos do capital. O Turismo é, antes de mais, diálogo e conhecimento. É, antes de mais, afã antropológico. E que seja sustentável, no que a semântica empresta força a tal sentença…
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Scarlett Monumenta
Skeptoid 1
Blogaria
Ó Balentin, óóóó
Argila
a vida se divide
e em duas artes
o imponderável
do corpo se revela.
Pela primeira arte
o rito do amor é chamas;
pela segunda
o mito da paixão é dádiva.
E a dor de não amar
o amor é devaneio torpe
porque o prazer inflama
a dor de não doar
o corpo ao precipício.
E tudo que tu dizes
o barro dos teus olhos
o brilho do teu rosto
o sal dos teus dedos
de marfim e tédio
tudo é impasse
pois tudo está exposto
à liturgia da divisão das partes.
Dimas Macedo
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
When the saints go marching in
Of those who've gone before,
And we'll all be reunited,
On a new and sunlit shore,
Oh, when the saints go marching in
Oh, when the saints go marching in
Lord, how I want to be in that number
When the saints go marching in
And when the sun refuse to shine
And when the sun refuse to shine
Lord, how I want to be in that number
When the sun refuse to shine
And when the moon turns red with blood
And when the moon turns red with blood
Lord, how I want to be in that number
When the moon turns red with blood
Oh, when the trumpet sounds its call
Oh, when the trumpet sounds its call
Lord, how I want to be in that number
When the trumpet sounds its call
Some say this world of trouble,
Is the only one we need,
But I'm waiting for that morning,
When the new world is revealed.
(Popular)
Have you met Miss Jones
tal qual à neve, apaixonada tu das névoas,
das paisagens baças, que das metáforas,
direi, sopro dos pubs, mesmo que proves,
brisas dos beirais, choupos e janeiras,
este amor de vida toda, o mirar o tibre,
o sol atreito de uma tarde que parte
o alarde pretérito das horas impúdicas,
e tu, ouvindo blues, sejas noite infinda,
fria...
filinto elísio
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Ventania
Venta em Cabo Verde. Às vezes, com o pó de terra. Outras vezes, com o friozinho da boca-da-noite. Quando venta, lembro-me do conto “Noite de Vento”, de António Aurélio Gonçalves, prosa crioula insuperável. O vento, na Fonte de Filipe, vem de longe, de terras desconhecidas. Aflora a Assomada de João d´Évora com um rumor de fornalha, crepitando por uma linha de cumeadas. Belíssimo! Venta. Ventania. E alguém me diz que, diante de tamanho apagão, deveríamos pensar na energia eólica a sério, pois esta alimária dependência dos fósseis inibe qualquer pretensão competitiva. Venta e isto me sugere um campeonato de windsurf. Do kitesurf. E isto, bem feito e com parcimónia, já seria economia. Nem sempre economia é hard, podendo no nosso caso ser soft – dos serviços. Do conhecimento. E do entretenimento. Venta em Cabo Verde. E o cata-vento, no cimo desse telhado, me ensina que mudar de rumo (do País, que não há meias-medidas) é sisma de povo heróico…
Suprematura
Dos 33 aos 83… refiro-me obviamente ao STJ. Ou da absoluta inocência à absoluta falta dela, passando pelo pacto partidário a nos impor juízes, e a desvirtuar, uma vez mais, o espírito constitucional que ora reclama, como pão para a boca, urgente revisão. A amplitude etária de 33 a 83, que é do imberbe brio ao caducado relator, é o intervalo com que a nossa Justiça doravante se assenta, estando metade do País a deplorar a promíscua confusão entre o pacto e o conluio. E deste novo arquétipo, cuja desnatura espanta o nosso demónio aquiescido, só nos restará o refrão do hilariante poema de Arménio Vieira – somos animais de capoeira! – vate que reflectirá a zoomórfica sensação diante dos dados lançados. Por que teremos de passar aos nossos deuses tamanho cheque em branco?! Dizer mais que isso não será apanágio de cronista, mas de toda a cidadania deste arquipélago que, a estas horas, deveria ocupar as ruas…
Esse “ntufato”
Tal como um “entremeio de calcinhas” ou um “ciccioto di mezzanote”, assim a imitar o Setebelezas, o Prancinha gozava dos “novos revolucionários”. Os rapazes e as raparigas resolveram, depois de algum espavento, matar-nos o velho. Seria para amanhã. Mas a estória que broxou a História, já que a intenção era mais risível que o siso, fora de o velho estar morto desde ontem. Diante de assaz desprimor que o florilégio da leviandade permite, essa rapaziada resolve, de uma assentada, emigrar-se para o novo território da semântica. Estou hermético? Não se riam, mas, no começo, era o Verbo… (mas só sintaxe, companheiros).
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Dos Navegantes
Regresso
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
JANEIRO/FEVEREIRO
Nem só a cav
idade da boca
Nem só a língua
Nem só os dentes
e os lábios
fazem a língua
Ouça
as mãos
tecendo a língua
e sua linguagem
É a língua
têxtil
O texto que sai das
mãos
sem palavras
Décio Pignatari
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Santa's & etc
Arlequim

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Breakfast

Cedo, cedíssimo, ah se os galos cantasem nas cidades grandes como cantam na aldeia do meu coração! ou, então, que nem as varinas do Mindelo eles solfejassem "cavala fresca", assim em meio-tons e dissonantes - cedíssimo, dizia, de orvalhadas vidraças dos automóveis adormecidos e de bocejantes palavras diante de um capuccino, algures repicariam os sinos que a igreja, pedra de Pedro, medra aquém da fé, e alhures seriam teus olhos grandes como se o Poeta os mirasse demoradamente ao espelho. Dos poemas que não se explicam, como dos amores inusitados ou das angústias que nos revisitam, balbucio-te o conto do D dos dados e os versos cabalísticos que, em Arménio Vieira, flor nesse deserto, nos aclama o C da cotovia. E não nos será despicienda quando as horas param e nos mostram o frontispício do Verbo, primeiríssimo de tudo, antes até do pensamento. Onde para ti não eram moínhos, posto que monstros e mastadontes, para os outros, confrades de Sancho Pança, moínhos tão-somente, pachorrentos e cartesianos como uma equação mais simples. Cedo é o rio, o frio, o cio, o ciciar das cigarras, silentes quando as perscruto nas gretas, e o silvo do vento, por cá glaciar, mas brisante nas ilhas...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Catacumbas

Catacumbas
De tanta saudade e em terra estranha (onde até neva em seus cumes), deu-me a matutar o feito de São Calisto I, antes escravo de Aurelius Carpoforus, e , depois, aclamado em Roma, como Papa. Apreende-se disto que o ser humano, mais que grandeza nos pergaminhos da toga, é profundo no seu rito de existir. De bandido e arrivista, Calisto tornou-se santo e defensor da fé comunal, a mais amiga dos deserdados, que é a essência da Igreja Primitiva. Assumiu o trono pontífice com graça e humildade, simples missionário afinal, como atestam as Catacumbas da Via Ápice, exemplo que, a meu ver , deveria extrapolar o templo e o tempo e assentar, cá entre nós e nesta altura, uma jurisprudência circundante. Os nossos deuses descalços, ocos e vetustos, narcisistas, mas cegos ao engodo dos espelhos, alheios franciscanos deste labirinto, deveriam tomar tento ao feito de Calisto, sucessor de São Zeferino...
Renascimento
A tomada de posse do Presidente Barack Obama, a 20 de Janeiro, foi para mim um renascimento florescente. Não que eu veja isso com ilusões e utopia. O mundo não continuará aberrante e paradoxal. O centro abastado e a periferia abastardada. Mas se o novo Presidente reduzir a exclusão e assimetrias, a pobreza e a doença; se Obama fechar Guantánamo e assinar o Protocolo de Quioto; se aumentar a autoestima dos deserdados da Terra...valerá afinal a pena renascer!
Janeiro
Janeiro, venerando rio, mas de sina, deságua em mim. Mar acima. Tanto que fiz anos em Janeiro. Quarenta e oito anos, bem contados e assumidos, ora com riso, ora com siso. Igualmente, fez-me pensar na vida e na morte. Na luz e na sombra. E aproveito, já que me é dado o “dom” (sem tremeliques) da escrita e o jus do escriba, para pedir desculpas ao leitor (ao leitorado, como diria Dimas Macedo, iconoclasta, meu amigo de peito) pela dita viragem (ou terá sido viagem?) dos meus textos. É que os caminhos têm suas encruzilhadas. Percorro-os sem bússola. E, valha-me o verbo, que pontos alguns são cardeais para a escrita. Janeiro é assim...
Dia Solene da República
A República tem datas importantes. O 13 de Janeiro, Dia da Democracia (dizê-lo da Liberdade seria baralhar a semântica da História), e o 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais (igualmente tê-lo como da Nacionalidade, ao invés de Pátrio, me complicaria os conceitos) são efemérides interiorizadas pela cidadania cabo-verdiana. Estas duas datas não estão indexadas aos partidos políticos, que não podem ter por elas ares de patronos. São datas republicanas em toda a linha e devem ser celebradas pela gramática constitucional vigente. Dito isto, queria, no mais pleno respeito por outras opiniões, afirmar que o Dia Solene da República, por sentido e alma, corpo e forma, é 5 de Julho, Dia da Independência Nacional. Temos de tratar a República, com a ponderação histórica das suas datas e efemérides...
Carta abierta a Cesária Évora, la diva de los pies descalzos

Querida Cesária,
Le escribo esta carta mientras escucho “Sodade” [1]. Como admirador de su voz y sus pies descalzos, me quedé perplejo al saber que, ni un mes después de la masacre de Israel, cuyas imágenes han recorrido todo el mundo, va a dar un concierto en Tel Aviv y otro en Jerusalén a finales del mes de enero. Entiendo que estos conciertos quizá ya estuviesen contratados con bastante antelación. Sin embargo, no entiendo cómo, después de lo sucedido, va a continuar cumpliendo su agenda y a cantar en Israel. En poco más de tres semanas, 1.300 palestinos han muerto en manos del ejército israelí, entre ellos más de 300 niños y 400 mujeres y ancianos. Lo más triste de todo esto es que, lamentablemente, la gran mayoría de la población de Israel, ya sea por ignorancia, por represión o por pura convicción, después de lo sucedido, continúa a favor de la ofensiva militar que ejecutó su gobierno. Además, el bloqueo en los pasos fronterizos continúa, dejando a la población palestina en condiciones infrahumanas.
Perdone, Cesária, pero no la consigo imaginar cantando “Sodade” mientras que en el otro lado del muro aún huele a sangre y fósforo blanco. Cuando en sus mornas canta el aislamiento y la diáspora de Cabo Verde, ¿también piensa en países como Palestina?
Por todo lo dicho, me gustaría que usted, a quien tanto admiro sin idolatraría, se pronuncie sobre los dos conciertos que va a dar en Israel. Y, en el caso de que el rígido programa de conciertos valga más que la masacre, me gustaría que, cuando cante el tema “Sodade” en Tel Aviv y Jerusalén, además de pensar en las víctimas caboverdianas e israelíes, piense en Palestina, en los palestinos de ahora y en los de antes de 1948.
Me despido de usted oyéndola cantar “Flor di Nha Esperança”:
Se m’sabia
K’gente novo ta morrê
M’ka tava ama
Ninguem
Ness mundo…[2]
Atentamente,
Àlex Tarradellas, en nombre de Tlaxcala
Notas:
[1] Sodade (en criollo) o Saudade (en portugués) significan morriña, añoranza.
[2] Si hubiera sabido / que la gente joven también moría / no habría amado / a nadie / en este mundo.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Aqui. Hoje
A poeira elementar que nos ignora
e que foi o ruivo Adão e que é agora
todos os homens e que não veremos.
Já somos na tumba as duas datas
do princípio e do término, o esquife,
a obscena corrupção e a mortalha,
os ritos da morte e as elegias.
Não sou o insensato que se aferra
ao mágico sonido de teu nome:
penso com esperança naquele homem
que não saberá que fui sobre a Terra.
Embaixo do indiferente azul do céu
esta meditação é um consolo.
Jorge Luis Borges
Soneto da Fidelidade
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
Gosto quando te calas
porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
Pablo Neruda
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Break
Cronicarrrrrrrrrrrrr
Cronicarrrrrrrrrrrrr
Às vezes, escrever é não ficar nas meias tintas que agradam a gregos e a troianos. Tampouco é paparicar cabo-verdianos: badios e sampadjudos. Outras vezes, é baralhar o jogo da esquerda e da direita. É jogar um petardo em cima da pasmaceira parlamentar e gritar para que, de borco, se acordem os porcos (aqueles que sons, arre). Com imunidades, água Caramulo e tempo de antena…
Hussein Obama
Tomou posse na terça-feira o 44º Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama. O que se espera de Obama? Que não tenha medo de fazer rupturas, de abalar o ‘status quo’, de agitar as águas. O mundo precisa de mudança como pão para a boca. Entre as principais promessas do novo Presidente dos EUA estão a retirada das tropas norte-americanas do Iraque nos próximos 16 meses, o início do diálogo com o conjunto de países que George W. Bush apelidou de «eixo do mal», as reformas do sistema de saúde norte-americano e o apoio aos mais desfavorecidos nas suas políticas fiscais. O que se espera de Obama é que seja um grande humanista e jamais um “imperador”…
Revisão Constitucional
Somos 100% pela oficialização da língua cabo-verdiana. O pleno reconhecimento das Línguas da República: o cabo-verdiano, como língua materna e o português, ambos patrimónios culturais do país e veículos de comunicação determinantes para a nossa identidade e inserção no mundo. Doravante, aprenderemos a escrever e a falar melhor o português como 2ª Língua e alfabetizaremos as nossas crianças na primeira língua, aquela da emotividade ulterior…
Boa Governação
Não nos contaminamos pelo pessimismo de alguns opositores. Este Governo, com muitos problemas ainda por resolver, é o melhor da história de Cabo Verde. Deploramos umas coisas e saudamos outras coisas. Fiquemos pelas boas causas. Saudamos o programa “Casa para todos”, moradias sociais e económicas, prioritariamente destinadas às camadas de menor rendimento e aos jovens que precisam de habitação. Saudamos também o programa “Cada Professor, Cada Aluno um Computador”, facilitando acesso fácil as Tecnologias de Informação e Comunicação, através de 150 mil computadores à disposição dos diferentes níveis de ensino. Boa Governação…
Justiça
O sector que mais nos preocupa é a Justiça. Incompetência e laxismo. Morosidade e irresponsabilidade. A incapacidade de julgar os juízes. Deploramos compartilhar a liberdade com criminosos confessos e condenados julgados. Jamais seriamos abjectos justiceiros. A linha que nos distingue dos bárbaros é não nos deixarmos levar pela vontade de esganar certos criminosos, mas pagarmos para que os juízes façam Justiça. O problema é quando estes, metendo os pés pelas mãos, escusam-se de condenar criminosos e não se importam os libertar por estes dias…
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Sibilo
Notas lisboetas
domingo, 18 de janeiro de 2009
freedom, o sofrimento injusto da Palestina e o nossos fascistazinhos

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Inn & Out...off-line
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
UNDI KI N DEXA NHA KURASON
Sintinela di madrugada
é ka strela é ka galu
é bu kurason ta da stalu
ondias di mar ta subi txada
ta konta stória di enkantada
sonbra di noibus ta kore kabalu
riba di bu kosta dja kria kalu
skalabradu onti na fiu di spada
seru kubri berdi na talu
lágua di séu nen un pitada
dja N xinti bu alma ta da abalu
boka fitxadu ka ta fla nada
agu ta kore tudu labada
dja é ka vos ta faze koru
múzika bu boka kré bira txoru
bu formozura kaba na nada
nhos da-m nha gaita ku nha inxada
pa N ba invoka nhu sant' amaru
pa bu spritu ser más ki baru
ô puera lebi ta kubri txada
JOSÉ LUIZ TAVARES
January 16th, 1832

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
O prazer de viajar bem

sábado, 10 de janeiro de 2009
Terminador, Pessoa & anos a cumprir

Nada sabemos da alma
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Cena Mix
Suhaib Salem / Reutersquinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Inútil filosofia
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Kumunikadu...rsssssssssssssssssss

A soltura de qualquer arguido por inobservância pelos tribunais dos prazos de prisão preventiva constitui sempre factor que concorre para o descrédito do sistema judicial, revestindo-se de superior gravidade quando a sua ocorrência é atribuída à omissão do Supremo Tribunal de Justiça.
Importa, porém, ter presente que a controvérsia à volta dos prazos da prisão preventiva surge num contexto de reformas legislativas introduzidas com a melhor das intenções no sistema, mas desacompanhadas de qualquer elemento doutrinário capaz de explicitar o sentido e o alcance das disposições, sobretudo daquelas rodeadas de uma grau de ambiguidade, perfeitamente evitável, e que só serve para facilitar a sua futura exploração junto dos tribunais, com intuitos meramente dilatórios e de clara obstrução da realização da Justiça.
Convém notar que os Tribunais em Cabo Verde foram nos últimos anos confrontados com desafios sem precedentes em matéria da sucessão das leis. Em 2004 e 2005 foram introduzidos de uma assentada um Novo Código Penal e um Novo Código de Processo Penal. Contudo, contrariamente às legítimas expectativas dos operadores judiciários, à semelhança do que se passa nos restantes países mais avançados, nenhum manual, nenhum comentário doutrinário às novas leis, nenhum auxiliar de interpretação foi publicado até hoje para explicitar o sentido das mesmas sobretudo na parte em que pretendem constituir soluções inovadoras.
É a jurisprudência dos tribunais que se tem encarregado de tentar fazer a interpretação casuística das novas leis e decifrar o seu verdadeiro sentido. Trata-se, porém, de uma tarefa que, no contexto descrito, não deixa de comportar dificuldades e riscos de monta.
A questão dos prazos da prisão preventiva, que esteve na origem dos "habeas corpus", é exemplo paradigmático do que se acaba de dizer.É manifesto que se formaram no interior do Supremo Tribunal Justiça duas correntes ou sensibilidades jurisprudenciais:
a) uma sustenta que, uma vez o processo declarado de especial complexidade, e elevado o prazo da prisão preventiva, os prazos subsequentes são automaticamente alargados, sem necessidade de qualquer outro despacho judicial.
b) a segunda corrente jurisprudencial, que se deu a conhecer nestes últimos dias, no âmbito da apreciação dos pedidos de "habeas corpus", rejeita a tese da prorrogação automática dos prazos, baseando-se naquilo que considera serem as especificidade s da legislação cabo-verdiana.
Essa divergência jurisprudencial no seio de um Supremo Tribunal é perfeitamente natural e, apesar dos resultados a que possa conduzir, não pode dar azo a qualquer iniciativa de responsabilização disciplinar sob pena de se violar o princípio constitucional da independência dos juízes.
Ciente da delicada natureza da questão e do risco de um potencial conflito de jurisprudência com efeitos nefastos para a segurança jurídica e a credibilidade do sistema, o Conselho Superior da Magistratura não pode concluir este pronunciamento sem instar os órgãos de soberania, com competência na matéria, para a necessidade imperiosa das reformas para o sector da Justiça, insistentemente reclamadas por este Conselho, nomeadamente a reestruturação do STJ num novo figurino, com um número de juízes suficiente para as sua necessidades e condições adequadas a harmonizar as divergências interpretativas que naturalmente possam surgir no seu seio.
...shall not perish from the earth!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009
2009: e se o Ambrósio chegasse
Constituição da República & não só
A pauta queria que eu escrevesse sobre a Constituição da República, mas retive o rosto contorcido de uma criança em Gaza City e, por mais que tente, não consigo desviar os olhos dessa cena. Uma criança no leito do hospital, ali no Late Edition, da CNN. Outra tragédia trespassa os meus dias. A mulher, de 28 anos, morre de Sida e o marido, também de 28 anos, se suicida. O casal deixa duas crianças à mercê da solidariedade que, felizmente, se faz pronta e pragmática. Naturalmente que eu gostaria de ver a Constituição da República revista. É um desejo que guardo desde 1992, quando a mesma fora aprovada. Ela vinha, embora moderna (ou recente, como corrigira um grande amigo), com os seus desacertos à partida, alguns que se provaram de lesa governabilidade. Respeitámo-la, entretanto. Como se respeita um Hino ou uma Bandeira, de que não se morre de amores. Revisemo-la e toquemos o barco para a frente que “navegar é preciso”. Em verdade, o que me toca a alma são os casos humanos. O rosto contorcido de uma criança em Gaza City…
Ano Novo
Como não tive a ventura de ir ao baile, não sei se a primeira madrugada do ano tenha sido de promessas. Entristecido com 2008, que foi de assaltos, violações & outros crimes, achei por bem ficar em casa. Não para cantar Feliz Ano Velho. Para esconjurá-lo. Para reler um conto de Ruben Fonseca, em que um gang de favelados invade a festa da classe média carioca e faz uma grande fuzilaria. Igualmente, fiquei horas a assistir, pela televisão, o “airstrike” dos israelitas contra o Hamas. Juro-vos que já não podia escutar aquelas músicas de Boas Festas e Recordai, mais chatas que as sessões de um templo maior que uma estação televisiva de duvidosa qualidade anda a nos presentear. Mas Ano, como família, não é para se escolher. É para cultivar. Esperando, aliás formulando votos, que seja melhor, muito melhor que o anterior. Deus tem…
Gaza
A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho. Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Blogtrotters

Corporal

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
janeiro intravenoso

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Para que não fique em acta






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