
Cedo, cedíssimo, ah se os galos cantasem nas cidades grandes como cantam na aldeia do meu coração! ou, então, que nem as varinas do Mindelo eles solfejassem "cavala fresca", assim em meio-tons e dissonantes - cedíssimo, dizia, de orvalhadas vidraças dos automóveis adormecidos e de bocejantes palavras diante de um capuccino, algures repicariam os sinos que a igreja, pedra de Pedro, medra aquém da fé, e alhures seriam teus olhos grandes como se o Poeta os mirasse demoradamente ao espelho. Dos poemas que não se explicam, como dos amores inusitados ou das angústias que nos revisitam, balbucio-te o conto do D dos dados e os versos cabalísticos que, em Arménio Vieira, flor nesse deserto, nos aclama o C da cotovia. E não nos será despicienda quando as horas param e nos mostram o frontispício do Verbo, primeiríssimo de tudo, antes até do pensamento. Onde para ti não eram moínhos, posto que monstros e mastadontes, para os outros, confrades de Sancho Pança, moínhos tão-somente, pachorrentos e cartesianos como uma equação mais simples. Cedo é o rio, o frio, o cio, o ciciar das cigarras, silentes quando as perscruto nas gretas, e o silvo do vento, por cá glaciar, mas brisante nas ilhas...
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