sábado, 22 de novembro de 2008

Montezuma ou talvez nem isso

O Violeiro e a Daminha no Engenho
Anita Malfatti
Cronos
Cronos é aquele que comanda os meus dias mas, às vezes, queria ir mais devagar - aos lentos passos dos índios que guiavam Hérman Cortez a Montezuma -, tão alheio à ansiedade apreensiva e apressada dos deveres. Eu queria estar mais zen e mais compenetrado nos meus pensamentos, olhando o mundo com fisionomismo e tranquilidade. Cronos é de facto um deus estranho - não Quetzalcoatl, aquele equívoco com que o Imperador olhou Cortez, mas este quebranto só meu e tão íntimo -, que me escraviza no tempo e no lugar.
Sampa
Esboço uns tópicos para a minha intervenção em "Fala dos Poetas" que irá acontecer durante o I Seminário Internacional dos Estudos Cabo-verdianos, em São Paulo. Não sei se falarei de mim (ou melhor dos meus despretensiosos versos), da minha visão da literatura cabo-verdiana (que não se vicia em Claridade absoluta) ou da minha forma de ser (e de estar, sobretudo) perante a Arte. Em verdade, não sei se as coisas que direi terão alguma valência. Nem sei qual a razão porque Montezuma concordou em ser batizado e a se tornar súdito do rei D. Carlos I da Espanha. Outras vezes, como outrora terá sentido alguém, tenho a impressão de estarmos a entregar Tenochtitlán numa bandeja de ouro. É o que me pressente certas "reacções em cadeia"...
Novembro
Tal como São Paulo, Novembro me diz muito. Mais que o seu significante (esses sinais que trepidam, quando não "esmagam"), o seu significado (que nem os olhares que permanecem no espelho, mesmo quando partimos) é o que me prende a ti. Apesar de ateu, iconoclasta e republicano, sem lenço, nem documento, creio ter sido, noutra vida, um monge budista.
Em Pessoa
Ai que prazer...
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!

1 comentário:

megat disse...

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