segunda-feira, 25 de junho de 2007

Tempo


Sei que não demora este estar contigo,
Afoita, a morte e de nada vale, rídicula,
Esta teima de ficar entre vórtices do ar,
Quando nem Deus a flutuar nos engana…

Fica sim pelas ganas, do inscrito corpo,
Faz tu nele profana escrita, hossanas,
Glosas e preces, tudo que enfim sirva
E te guarde enquanto a vida nos levar…

A fina poalha do oásis, em que deserto,
Onde te descobres, redonda geometria,
Rente à clâmide da lua, pedra dissoluta…

Vi-te em caligrafias íntimas, tardificada
Sob esse poente, a tua boca tão de fruta
O resto medra, sendo ora lavra, ora larva…


Filinto Elísio

2 comentários:

Djalita disse...

Filintinho, tão bom que chega a ser desconcertante ...

Filinto Elisio disse...

Agradeço-te pelo comentário. De coração...