quinta-feira, 17 de julho de 2008

Julho a meio


Leituras

Dos que tive de ler, só consigo reler “Chuva Braba”, de Manuel Lopes. Depois que um oftalmologista e um oculista (ambos de Lisboa) me obrigaram a óculos, fiquei mais limitado. Mais selectivo também. Poemas, quero-os declamados. Mesmo assim os de Arménio Vieira e João Vário. JLT é também um grande inquieto. VV, JCF e MF têm versos conseguidos. Poeta era João Cabral de Melo Neto. Sim, estou maluco, mas ainda não tenho o veredicto da vilania psiquiátrica. Eu não consigo gostar de José Saramago, por exemplo. Adorei Memorial do Convento e, não consegui ver rasgo de arte e de inteligência noutra escrita desse Nobel. Prefiro Lobo Antunes, deplorando nele sua indexada existência a Saramago. Ou, então, Ruben Fonseca, Gabriel Garcia Marquez e Fernando Pessoa. Misturo tudo e todos, ó Zé Cunha. Em verdade, prefiro mil vezes comer pão saloio com morcela, se o tinto é de boa reserva e se a companhia desafia as leis de Éden. Refiro-me ao Jardim de, naturalmente…

As razões do George W.

Lembram-se de Nené Prancha, para quem penalty futebolístio era uma pena tão gravosa que deveria ser batida pelo Presidente da República? Pranchinha era um abusado da primeira água. Quando partiam as tropas americanas para a invasão do Iraque, ele dedicou uns versos (felizmente maus) a um jovem cabo-verdiano que, incauto e alienado, acreditava ainda nas razões do George W. Prancinha mandava farpas nestes termos: “Escuridão e silêncio/ deserto, zoon que nunca mais acaba/ tu, que já viste Madonna em Times Square/ e que pensas o mundo como um grande videogame/ nessa infinda guerra petrolífera, grande sacana/ mais um pé em falso e estás fodido”…

Regressistas

Creio ter sido de José Mário Branco a frase “e se inventássemos partir para regressar”. Hei-de perguntar isso ao João Branco que, para além de fazer teatro e declamar versos, tem o Blog Café Margoso. Entrementes, estarei certo ter sido Eugénio Tavares, esse galego que chegou a Cabo Verde no naufrágio do navio Guadalupe IV, a sentença: “si ka badu, ka ta biradu”.

Banho de lua

Parto do princípio que a lua não anda apenas atrás de Mano Preto e dos Raiz di Polon. Deve também seguir o rastro de Princesito, com Spiga, e de Mário Lúcio, com Badyo, caramba. É bem possível que, branca e cheia, siga ainda Hernani Almeida, em Afronamim, e que, minguante e, sobretudo, prateada, ande pela sombra de Isa Pereira. Vejam, meus amigos, esse luar sobre o dueto de Teté Alhinho e Sara Alhinho! Mãe e filha. A lua tem cada uma…

Frases dos outros (de Julho a meio)

Não volta haver amor como o primeiro. Ah, kanadja…
Amor é no devagarinho. Lebi na petu. Bedjiça...
O aeroporto na Praia ainda não é o Aeroporto da Praia…
A literatura pessoana é a melhor literatura da lusofonia. É só conferir…
Pior de Pessoa: Tudo vale a pena. Blá, blá, blá…
A cultura fez mais do que qualquer governo. Por isso, esta cepa torta…

1 comentário:

João Branco disse...

Filinto, essa frase está inserida num «monumento» da historiografia musical portuguesa chamada FMI. A frase, no contexto, diz assim:

«E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe… Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar…»

Um abraço