segunda-feira, 29 de maio de 2006

ku vazulina



Zero

No intervalo da escola, estou sempre na biblioteca. Aproveito para recolher a bibliografia sobre a estratégia da internacionalização das empresas. E para ler uma crítica coerente sobre io pensamento de Micheal Porter. Os gurus do neoliberalismo não gostariam de aceitar esse afrontamento à estratégia das vantagens competitivas. Teclando no chat, descubro que há gente que não lê o Horizonte, por causa das minhas crónicas. Não deixo de me sentir na pele da pessoa. Mas, fazer o quê? Continuarei a escrever neste meu território livre, que é a minha coluna. Ouvindo, obviamente, no discman, Lura a cantar Pantera: “ku penti di féru kenti, ku vazulina”. Sem surra…

Um

O barco “Djon Dade” regressa de Dakar com o grosso dos imigrantes ilegais, resgatados no barco “Awid 2”. Parece de facto a nave dos loucos. E transcende ao mero patrulhamento das águas e à deportação dos detectados. A questão dos “boat people” é séria e merece a atenção responsável de todos. Antes de mais, é um problema humanitário. Depois, é um problema de soberanias. E, finalmente, de tráfico internacional. Fazer face aos seus desafios não é fácil e exige dos cabo-verdianos medidas complexas. Em prol da humanidade, da estabilidade nacional e do combate esse ilícito global. As nossas preocupações humanitárias não significam depreciar as correctas posições do governo cabo-verdiano…

Dois

Manuel Delgado escreveu há dias sobre a problemática dos hidrocarbonetos na África Ocidental. A questão do petróleo e do gás natural, em Cabo Verde ou dele próximo, é uma grande oportunidade de desenvolvimento, sugeriu o nosso confrade. A inserção na dinâmica da percepção dos hidrocarbonetos já é de si geradora de negócios. Como é que se insere no mercado mundial? Obviamente que de forma incrementada e estrategizada. Uma postura simultaneamente global e local. Com uma estratégia glocalizada. E com a noção geoestratégica. Surge petróleo a rodos na Mauritânia. Eis uma grande oportunidade de negócios. O decisivo é desenharmos uma estrutura flexível que permita ir também à «caça» dessa oportunidade. Em cooperação e em competição – em co-opitição. Os ingleses já viram isso, com os grandes investimentos imobiliários em Cabo Verde. Os americanos estão despertíssimos e o Millenniun Challenge Account, bem como os exercícios Steadfast Jaguar, da OTAN, são disso prova. Os brasileiros não estão adormecidos. E nós…tão pertos desse petróleo.


Três

A Copa do Mundo já movimenta tudo e todos. Não só na Alemanha, mas em todo o mundo. O nosso sentimento lusófono (não confundir com o freyriano luso-tropicalismo) leva-nos a eleger três equipas: Brasil, Angola e Portugal. Com as chances, o Brasil, que é super-potência de futebol. A Angola e Portugal - queremos que façam bonito e nos emprestem emoções fortes. Mas ganhe o melhor. Não para o gáudio da indústria que, segundo Eduardo Galeano (leiam “Futebol – sol e sombra”), factura tanto como a droga e o tráfico de armas. Mas para a felicidade dos que amam a bola, que não passa de uma recriação do globo. Goooooolo….

Quatro

A desandar da escola (de autocarro, naturalmente), vou balbuciando o “Polonkon”, de Ramiro Mendes, que agora toca no discman, e pareço uma ave rara. Uma mulher, compenetrada em sua leitura, olha-me de soslaio. Desço na Abolição e percorro a Avenida paralela ao oceano. Vez por outra páro numa banca de revista. A “História Hoje” ainda não saiu e a desta edição tem assunto que me interessa. Passo diante do Pão de Açucar, mas em fim de tarde o supermercado é pior lugar do mundo. No barzinho do Seu Xico, a CNN é 24/24. Um sanduba de frango com catupiry e um suco de cajá. : “ku penti di féru kenti, ku vazulina”. O resto pode acontecer…

3 comentários:

Kamia aka Chissana Magalhães disse...

Pois é,o Albatroz está desde há algum tempo mudado.Tem agora imagens e está mais intimo e intimista, mais pessoal. Já não temos os poemas, o que é pena, mas ainda assim, gosto mais deste Albatroz berdiano.

J.Faria disse...

Olá a todos e desculpem a invasão, mas não posso deixar de dizer umas coisinhas!Lá vão já 30 anos de independência! Ena pá! Quem diria Cabo Verde é um país viável! Acima de tudo ainda consegue produzir figuras de porte internacional: Cesária Évora, Germano Almeida, Tito Paris, Herminia e e e e.... a sustentar esse desenvolvimento formidável sem duvida uma elite intelectual que vem desde os tempos coloniais e se foi reforçando com grande pensadores ao longo desses anos. Posto isso, então não entendo eu por que raio se deixam vender da forma como se está fazendo nesse tal “Nha terra Nha Cretcheu”, lindas imagens, sem duvida, igual hipocrisia, igual desrespeito pelos que suponho não têm uma vida tão fácil, tão colorida. Parece um programa feito por encomenda de alguém que se quer manter no sonho de um pais perfeito, na fantasia de que o futuro é uma reserva cor de rosa para o pais. Frases como: “Mindelo é uma ilha dominada por europeus” ou” particularidades culturais que se podem encontrar sempre nos locais geridos por europeus”. Cabo Verde é ou não um pais livre e democrático? Pus-me a pesquisa na net. Encontrei várias coisas interessantes, inclusive um blog dos tipos que fazem o programa, mentalidade “tuga” até ao tutano(deixo á vossa curiosidade a procura desse blog) e meu pasmo vem do facto de não ter encontado em nenhum jornal online, em nenhuma página ou blog de cabo-verdianos uma critica séria ao tema! Será que os caboverdianos têm medo de alguma forma de repressão???quem são os tipos e como foram parar a Cabo Verde??? Então pus-me no search à procura de jornais e páginas cabo-verdianas, encontrei imensas coisas interessantes inclusive inúmeros blogs, alguns muito muito curiosos, apartir de uns fui tendo acesso a outros e agora não vou perder contacto com essa terra sabi. Contudo nas páginas/blogs todo mundo bla bla bla bla voltas e voltas e mais massagens ao ego entre muitas informações uteis e logo adoptar uma atitude critica respeitoa repeito da falta de respeito desfarçada com que se trata o povo caboverdiano no cartão postal de Nha terra nha crectheu!! Eu como português fiz voluntariado em 94/95 e 96 em Santiago e Fogo, de facto gostei, mas ao mesmo tempo trabalhei com a população mais carenciada do interior dessas ilhas e muito recentemente estive aí e a situação não é muito melhor, daqui de Viena, onde vivo actualmente, apanhei o programa por acaso na RTp int., agora tento ver o programa sempre que posso, mas tenho sempre a impressão de ser propaganda política de muito mau gosto numa democracia! Beijos e abraços a todos e desculpem lá a invasão ....
João Faria Guerra: joo_guerra@yahoo.co.uk

Kafé Roceiro disse...

Gostei muito do seu blog. Convido-te para ir lá na roça comer um pão-de-queijo com um café passado na hora! Se gostares e tiveres interesse é só dizer, pois terei prazer em linká-lo no Kafé. E ficaria feliz em ser linkado aqui na sua casa também!
Kafé Roceiro (Brasil) – Blog de humor, cinema, piadas, charges, citações e muita mulher bonita!