segunda-feira, 12 de junho de 2006

Dia dos Namorados




Argila
Dimas Macedo

Em duas partes
a vida se divide
e em duas artes
o imponderável
do corpo se revela.
Pela primeira arte
o rito do amor é chama;
pela segunda
o mito da paixão é dádiva.
E a dor de não amar
o amor é devaneio torpe
porque o prazer inflama
a dor de não doar
o corpo ao precipício.
E tudo que tu dizes
o barro dos teus olhos
o brilho do teu rosto
o sal dos teus dedos
de marfim e tédio
tudo é impasse
pois tudo está exposto
à liturgia da divisão das partes.

Diário do Nordeste,
Fortaleza, 12.06.06
Dia dos Namorados

Jornais da terra, Copa 06 e “changedidame” de São João





“O forró corria solto,
Sem problema e sem vexame
Quando o chefe da quadrilha
Decretou changedidame [...]
(“Quadrilha”, de Chico Buarque)



O que vai na imprensa…em diagonal

Apesar da pressa, leio os jornais de Cabo Verde. O cronista tem de estar informado. Ainda que diagonalmente, a questão dos salários me pareceu o tema quente desta semana. Uma crítica do leitor atento abordou a questão do tema quente. Há gente que gosta da realidade. Fazer o quê? O Governo pode não dar 5%, mas tem de explicar à opinião pública e aos parceiros sociais as reais vantagens de o país não perder a dinâmica do crescimento. É difícil assumir, mas João Serra tem razão. É preciso segurar o despesismo, mesmo diante do desafio da inflação, para que haja solvência económica. Não é fácil não dar. Só por uma coerência económica e uma coragem política é que se segura o ajustamento salarial. A hora é de contenção, pois, adicionado aos choques externos com as flutuações do petróleo e do dólar, Cabo Verde tem convergências a cumprir, dívidas a pagar e transição a fazer. É preciso abrir o jogo com a opinião pública e os parceiros sociais, explicando-lhes que a ética social tem estratégias, prioridades e prazos. Em democracia, a comunicação é um “must”…

A Copa 06 e o começo sofrido

Começo sofrido...A Copa começou e eu passei os primeiros dias a sofrer. Perderam a Costa do Marfim e a Angola. E a vitória do Equador não foi suficiente para me estimular. Tanto que vi o Gana a jogar de costas para a minha televisão mixuruca e de cara para o meu portátil. As minhas experiências com o telão de plasma acabaram traumáticas: todo o mundo a comemorar ruidosamente e eu a sair de fininho.

Forró solto na Praça do Ferreira

Mais bonita que a Copa, olhada na minha tevê mixuruca ou no telão de plasma do Clube, são as festas juninas, em prol de Santo Anónio, São João e São Pedro. Mais bonita, mais interessante e mais autêntica, diga-se. Festas que prometem chuva, amor e sucesso. Estes santos dos amores e de assuntos afins. As afeições perdidas. Os namorados, noivos, maridos ou amantes distantes. Os amores frios ou apartados. Festas que o povo realmente gosta. E corre solto o forró e o povo todo dança, na Praça do Ferreira. No Nordeste Brasileiro isto é levado mesmo a sério. Durante todo o mês de junho, noite ou dia, os acordes das sanfonas, dos triângulos e das zabumbas, arrastam milhares de pessoas. As ruas são ornamentadas com bandeirinhas e balões para o forró e o passeio das quadrilhas. Passa por mim um casal – ele Lampião e ela Maria Bonita – e tenho a impressão de viver um quadro de José Lins do Rêgo, romancista maior que muito influenciou gente nossa. Fogueiras, batatas-doces assadas, canjica, quentão, milho verde assado, pipocas, quadrilhas, bumbas-meu-boi, simpatias, fogos de artifício, bombinhas e busca-pés. Mas o melhor mesmo é cuscuz, servido com leite de cabra e guisado de bode. Onde já vi isso? Em Cabo Verde como no Nordeste Brasileiro, faz-se também a sorte da clara de ovo dentro do copo de água. É a forma de ver se o ano será de estiagem. Ou de boas águas…

Ah…esse filme

E a propósito de começo sofrido, temos de encarar os começos com entusiasmos comedidos e olhos críticos. A democracia é aquela que nos permite remar contra a corrente. Contra a navegação recorrente. O “changedidame” do forró. O Pranchinha diria que o último a sair, apagasse a luz do aeroporto. Isso se a meretriza da Electra não nos antecipar com um maravilhoso apagão. Mas indo ao tema quente, como exigiu um cidadão leitor, começa a operação de repariamento dos clandestinos. Começa também a operação da NATO. Começa ainda a operação dos Sindicatos Livres. Tanto começar, minha gente. Acho que conheço esse filme. Morremos todos no fim…

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Viva a Copa 2006

À guisa de Zero

Os meus encontros com Dimas Macedo, poeta e Procurador do Estado, são caudalosos almoços. Fazemo-los em dias de tarde livre, pois há troca de livros, ideias e novidades. Recitamos os bons poemas que atravessam lugares e tempos. Hoje – diante do bom peixe na brasa, com arroz de brócolis e acondicionado a suco de cajá - falou-se das grandes famílias do Ceará. Das relações políticas, dos casamentos de conveniência e do coronelismo mutante. As políticas públicas, cá e lá, também assistiram à nossa sobremesa (o obrigatório doce de mangaba). E marcamos assistir juntos (num clube com telão de plasma, claro) o Brasil x Croácia. Bem, isso era para abrir a crónica…à guisa de Zero, como diria o saudoso Pranchinha.

A terra dos nossos avós

Não será com Micheal Porter, nem com gurús afins que estas ilhas avançam. A questão é cultural. Temos de saber identificar na nossa cultura os factores do desenvolvimento. Essa coisa de importar tudo acriticamente - de suco de fruta a gestores aeronáuticos, passando por jogos de azar -, não trará soluções sustentáveis. Importam mudanças de fundo e não a obsessão de colocar o arquipélago no “ponto-de-venda”. Sem triunfalismos, mas com estratégias. Vamos, sim, construir “a terra dos nossos avós”…

Na moda e a Electra

Cabo Verde está na moda, mas às escuras. Os apagões da Electra são o grande embaraço, numa altura em que se quer convencer a todos que já estamos PDM. Abuso, deboche ou inspiração rasteira? Espera-se, sinceramente, que o bréu já esteja a mexer com a paciência daqueles que dão as cartas, pois os cidadãos de há muito que querem ver essa fraude de malas aviadas. Na moda, dizia, mas está muito difícil. A Electra jogou todas as suas fichas e perdeu-as. Ou será que tem outros trunfos? Na manga, acredita-se…

Nato, patronato e o Pop xô di bola

O que destrinça Cabo Verde dos demais é o orgulho do cabo-verdiano. Estando na roça de São Tomé e Princípe, na fábrica em Boston e na construção em Lisboa. Patronato, mas devagar. Nato, idem. Sem perder o decoro. Há dias, já ía acontecendo com um karkamano a guiar na contra-mão em plena Praça Nova. E não é que o homem esperneou e fez break-dance quando a polícia o quis multar! O natinho malcriado esteve para levar umas bolachas da Pop no Mindelo. Gostei. Xô di bola! Pobre, mas não miserável. Não estamos na Copa 2005, mas Cabo Verde tem futuro, sim senhor…

“Intelectual orgânico” em tempos de Copa 2006

O meu amigo Casimiro de Pina continua (elegante e fino-da-bossa) com aquilo de “intelectual orgânico”, palavrão anacrónico desde que a pequena-burguesia “subsidiou-se” nos anos noventa ao invés de “suicidar-se”, como era vaticínio revolucionário. O jargão de “intelectual orgânico” já não move catedrais, nem arrasta multidões. Isso era ao tempo em que o pessoal ía aos comícios sem bandeirolas, nem camisolas, quanto mais feijoadas. Hoje, é a Copa 2006. Outros tempos…orgânicos!

domingo, 4 de junho de 2006

Água ardente de cana boa



(Feira de agronegócio. O jovem belo, alto e negro,
cumprimenta “Shalom”. Não se sabe se às frutas ou
se às damas provantes desse aguardente. O aroma
da cana leva à minha ilha. Estou, estamos, ó musa,
no Pelourinho da Cidade Velha)



Na minha ilha, antes do agronegócio, brancos e negros
Descobriram o segredo da mistura, e nós, douradíssima musa,
Somos este sumo abastecendo o mercado mundial da sede
E, sem conservantes nem corantes, apenas tesão, de navegantes…

À beira dos trapiches, onde o canavial de vista se perde, eles
Amavam-se alheios à história, deuses e costumes, resinados
Qual gota que pinga, açucarada e ácida, mel de alambique
Que o vulgo, em malicioso lumdu, cantava ali quem come quem…

A minha ilha é a história dos escravos, e sob a terra frutal
E as oceanosas águas das baías e recifes, vivas aguarelas
Brotam, na medra do antanho e do boi na bumba, amor e ódio…

Canas, canoas e canoras aves, casas, sobrados e casebres,
Mangaba in natura ou alfarroba da Costa, ó navios do mundo,
Judeu azevichado noutro fanado, comido aqui no bacanal das Cinzas…

Banana passa




Às musas da Praça do Mercado


Quando levas à boca a banana passa, do Jequitinhonha,
Fruta do conde, carnuda e polpuda, vêm à minha ideia
Os pregões em clave, vendedeiras da Praça do Mercado,
Banana prata, nanica e nanicão do Vale da Ribeira…

E, no paralelo vão dos tabuleiros, esteiras e bandejas,
Frescas, fritas e secas, viajando-me à minha infância
Nha Mamãzinha a desidratar bananas ao sol da tarde
E no alarde do sereno, as solturas do primeiro olhar…

Ali, na Praça do Mercado, também rolava-se o tabaco,
Em folha e louro, de mascar, cheirar ou fumar, o chá e o clã
(depende de ocê, dizem) de canhoto fino ou mais vagabundo…

E no turbilhão – araçá pêra, maçã gala e abacaxi pérola
- estou com mamas, mamão e calabaça (xarope, dizem),
Na mão delas…banana prata, nanica e nanicão!


(Aos 40, as frutas souberam-me outras, aveludadas na mão,
sucolentas na boca, polpudas de ver, caídas nas cores serenas
e tresandadas nos desejos que me latejam ainda nos poros)




Tão outras como eram aqui aos 20, as frutas
Mordidas em toda a água, sal e carne, vicejavam,
De cesta à boca e de boca ao âmago, lembranças
Que foram em mim o visco e o cisco palpitantes…

Aprendi nelas, nos idos anos, que as palavras,
Em alto estado de sêmea ou fêmea, já dizem
A semente curvilínea das dunas e o ardor semântico
De quem se aninha ao lado e sabe à rosea das uvas…

E, atento aos perfumes, tácteis e visíveis, ouço,
No mais fundo do tempo, das cerejas o fresco gosto
Com que nos laranjais a minha fome incendiava…

Fendas abertas à mão, manchas tatuadas, veias
Corridas em quentes seivas e que, versos desaguantes,
Deixavam – não as marcas, mas a sede que fui aos 20…

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Assinando por Morris Makkar


Eu assinaria, sem pestanejar, a petição pela permanência em Cabo Verde do Dr. Morris Makkar. Não me interessa as suas opções políticas, religiosas, futebolísticas e quejandos. Quero até crer que elas seriam divergentes das minhas. Who cares? Mas o que significa (e muito) é que ele, além de exímio profissional, tem sido um amigo incondicional de Cabo Verde e dos cabo-verdianos. Quantas vidas o Dr. Morris terá salvado, não só pela sua intervenção clínica, mas pela sua dedicação humana (e humanista). Conheci-o em circunstâncias públicas e privadas. Ao longo de mais de vinte anos. A viver o dia-a-dia connosco, em momentos de euforia e de tristeza. Valeroso ser humano, a preservar. Para lá das pequenas razões do quotidiano. Passem-me lá as listas. Numa delas, também perfilo o meu nome...

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Em defesa do património


O património histórico da bela cidade de São Filipe continua a provocar aceso qüiproquó. A cadeia da polémica alargou-se e assiste-se agora a uma divergência de posições entre o Governo e a Câmara Municipal. Esta última acusa aquele de “politicamente inconveniente e tecnicamente inoportuna”. Sinal de ambiente democrático, meus senhores. Vejam o fenômeno pelo seu lado positivo. O âmago de tudo é a preservação e a promoção do património histórico, um dos maiores recursos da cidade de Pedro Cardoso. De momento, não se antevê outro factor alavancador do desenvolvimento de São Filipe que não o investimento pesado na sua história e no património que a testemunha. Para um turismo sustentável e integrador, como é moda afirmar. Delapidar esse património ou mesmo negligenciá-lo é claramente perigar o futuro da cidade. As atitudes de Fausto de Rosário e outros, a despeito das querelas antigas, algumas típicas da freguesia, devem ser tomadas como uma chamada de atenção para o futuro patrimonial, no rol das riquezas nacionais. Eu louvei-os e saudei-os, de espírito aberto. E naturalmente que Manuel Veiga fez a coisa certa em pedir delicadeza, elegância e competência. O património histórico transcende o crivo exclusivo da Câmara Municipal. E já agora é assunto que extravasa o próprio Governo. É questão (interdisciplinar) que interpela a todos (e não apenas os da nossa geração). A perspectiva demanda por isso a cidadania mais crítica. Pessoalmente, pareceu-me simplista, anacrônica e redutora a forma como a edilidade vem enfrentando o afrontamento protagonizado, em boa hora, por Fausto de Rosário e outros...

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Esse mar revisitado



(A palavra mar morreu há muito.
Esse mar, quem sentiu mar?
Mas tu, de acreditares em fénix e
nas cinzas dos caminhos, profanas.
Impiamente, profanas esta quietude)


Quando pronuncias a palavra mar
Este ilhéu diante de ti se liquefaz
E vira ele próprio metáfora e parte
Como onda para o abraço das terras…

Só de o teres mentado, os peixes
Saltitam no assombro das pedras
E as sereias saem, loucas das lendas,
E aproximam-se ao cio das marés…

As algas, limos, areias, espumas -, tudo
Soletra-lhe ali em maresia e de tão longe
Estará ele navio na solidão do mundo…

Nesse surrealismo tão bizarro e vão
Quão poemas de longe e de saudade
De repente, substantivos de quem os ouve…

segunda-feira, 29 de maio de 2006

ku vazulina



Zero

No intervalo da escola, estou sempre na biblioteca. Aproveito para recolher a bibliografia sobre a estratégia da internacionalização das empresas. E para ler uma crítica coerente sobre io pensamento de Micheal Porter. Os gurus do neoliberalismo não gostariam de aceitar esse afrontamento à estratégia das vantagens competitivas. Teclando no chat, descubro que há gente que não lê o Horizonte, por causa das minhas crónicas. Não deixo de me sentir na pele da pessoa. Mas, fazer o quê? Continuarei a escrever neste meu território livre, que é a minha coluna. Ouvindo, obviamente, no discman, Lura a cantar Pantera: “ku penti di féru kenti, ku vazulina”. Sem surra…

Um

O barco “Djon Dade” regressa de Dakar com o grosso dos imigrantes ilegais, resgatados no barco “Awid 2”. Parece de facto a nave dos loucos. E transcende ao mero patrulhamento das águas e à deportação dos detectados. A questão dos “boat people” é séria e merece a atenção responsável de todos. Antes de mais, é um problema humanitário. Depois, é um problema de soberanias. E, finalmente, de tráfico internacional. Fazer face aos seus desafios não é fácil e exige dos cabo-verdianos medidas complexas. Em prol da humanidade, da estabilidade nacional e do combate esse ilícito global. As nossas preocupações humanitárias não significam depreciar as correctas posições do governo cabo-verdiano…

Dois

Manuel Delgado escreveu há dias sobre a problemática dos hidrocarbonetos na África Ocidental. A questão do petróleo e do gás natural, em Cabo Verde ou dele próximo, é uma grande oportunidade de desenvolvimento, sugeriu o nosso confrade. A inserção na dinâmica da percepção dos hidrocarbonetos já é de si geradora de negócios. Como é que se insere no mercado mundial? Obviamente que de forma incrementada e estrategizada. Uma postura simultaneamente global e local. Com uma estratégia glocalizada. E com a noção geoestratégica. Surge petróleo a rodos na Mauritânia. Eis uma grande oportunidade de negócios. O decisivo é desenharmos uma estrutura flexível que permita ir também à «caça» dessa oportunidade. Em cooperação e em competição – em co-opitição. Os ingleses já viram isso, com os grandes investimentos imobiliários em Cabo Verde. Os americanos estão despertíssimos e o Millenniun Challenge Account, bem como os exercícios Steadfast Jaguar, da OTAN, são disso prova. Os brasileiros não estão adormecidos. E nós…tão pertos desse petróleo.


Três

A Copa do Mundo já movimenta tudo e todos. Não só na Alemanha, mas em todo o mundo. O nosso sentimento lusófono (não confundir com o freyriano luso-tropicalismo) leva-nos a eleger três equipas: Brasil, Angola e Portugal. Com as chances, o Brasil, que é super-potência de futebol. A Angola e Portugal - queremos que façam bonito e nos emprestem emoções fortes. Mas ganhe o melhor. Não para o gáudio da indústria que, segundo Eduardo Galeano (leiam “Futebol – sol e sombra”), factura tanto como a droga e o tráfico de armas. Mas para a felicidade dos que amam a bola, que não passa de uma recriação do globo. Goooooolo….

Quatro

A desandar da escola (de autocarro, naturalmente), vou balbuciando o “Polonkon”, de Ramiro Mendes, que agora toca no discman, e pareço uma ave rara. Uma mulher, compenetrada em sua leitura, olha-me de soslaio. Desço na Abolição e percorro a Avenida paralela ao oceano. Vez por outra páro numa banca de revista. A “História Hoje” ainda não saiu e a desta edição tem assunto que me interessa. Passo diante do Pão de Açucar, mas em fim de tarde o supermercado é pior lugar do mundo. No barzinho do Seu Xico, a CNN é 24/24. Um sanduba de frango com catupiry e um suco de cajá. : “ku penti di féru kenti, ku vazulina”. O resto pode acontecer…

Livro da semana

sábado, 27 de maio de 2006

Luaandino!

Todo aquele que escreve, em língua portuguesa, sonha com o Prémio Camões. Uns, assumem que sonham. Outros, fingem que não gostam do galardão e dos cem mil euros. Mas poucos, pouquíssimos, são Luandino Vieira. Eu li coisas de Luandino Vieira, ao tempo em que essas coisas eram proibidas. Eu sabia de Luandino Vieira, ao tempo em que ele era preso político no Campo de Concentração do Tarrafal. Eu acompanhava Luandino Vieira, ao tempo das independências, quando os colonialistas zarparam e deixaram os oportunistas a tratar da saúde do povo. Eu compreendo a sua recusa. Viva Luandino Vieira. Só pela recusa, eu lhe dava mais um prémio – o da Dignidade! Luaanda…

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Lendo Porter e Kotler, os deportados e ficções


1. As vantagens competitivas


Nas minhas leituras, deparo-me (não como leitura recreativa, diga-se) com as teses de Micheal Porter e os seus contrapontos. As vantagens competitivas em questão. Lendo “O Marketing das Nações”, de Philip Kotler et all, navego nas causas sobre o enrequecimento das nações, mesmo as pequenas e as insulares, como parece ser o caso de Cabo Verde. O que faz com que o nosso país, em relativamente tão pouco tempo e sem recursos físicos, tangíveis e estáticos, esteja a vencer o desafio do desenvolvimento? Obviamente que não há uma causa, nem uma razão estanque. Nem a explicação ou a tentativa de o fazer se deve resumir a uma perspectiva meramente científica. Uma certa complexidade exigiria um olhar multidisciplinar (de interdisciplinaridade, queria dizer) para se abordar a problemática. Em Cabo Verde, os factores fixos seriam (se tanto, mas nem por isso) o posicionamento geoestratégico. Quais seriam os outros? Dou um doce. E os factores móveis (estes sim mais determinantes) seriam a liderança política, a governança, a paz social e a estrutura educativa…

2. Tirando a pequena política

É de se acompanhar, com interesse e responsabilidade, esta fase transformacional de Cabo Verde. Hora em que nos confronta a problemática das vantagens competitivas (mas quais seriam?) à la Micheal Porter. A cultura capaz de atrair investimentos e de ampliar a indústria, comércio e serviços. Quais os elementos críticos e de crise? E aqueles alavancadores do crescimento sustentável? Tirando a pequena política, mais distractiva que impactante, começa a surgir o “mainstrean do desenvolvimento” (visivelmente trnaspartidário, quando não apartidário), a partir da ética competitiva. Há líderes que são “visionários gerenciais”, capazes de entender que a contribuição do capital humano para o desenvolvimento é directa. Esta nova visão, que não encara a política pela política, mas pelo desenvolvimento, pela cultura e pela governança, parece explicar em parte o relativo sucesso de Cabo Verde.

3. O insólito do Dia da África

Dia da África: quando o barco atraca em Dakar, atulhado de seres humanos em deportação, as autoridades locaiss só recebarm os de passarporte senegalês. Há ali um impasse tão dantesco quão shakesperiano. Em alguns gabinetes, distantes do impacto bizarro, há gente que desgota que se denuncie tal situação desumana. A opinião pública ficaria mais bem servida se ovacionasse os natos e as natas pela marinal do Mindelo. Ou fingisse que tudo não passa de atroz ficção do mau jornalismo crioulo. E o barco parece a nave dos loucos. Diante de tamanha loucura, de seres humanos transportados como cargas perigosas e transladados como escravos, uma pausa sobre a reflexão e a dignidade!

4. A Nave dos Loucos

No livro “A Nave dos Loucos”, de Katherine Anne Porter, a nebulosa torna-se ridícula e desumana. A autora remata assim, às tantas: “Detesto as coisas que ficam em meio, as indecisões, as estúpidas situações falsas, os sentimentos inventados, os amores de encomenda e os ódios ornamentados à mão. Quero tudo claro e definido, ou pelo menos ser capaz de distinguir as coisas pouco claras e confusas. Tudo o mais é repulsivo, e aí está porque a minha vida é repulsiva e me envergonho dela”. No tanto que a ficção tem a ver com a realidade!

5. O Belo de tão grotesco

Estava Alonjo Quijano, meio à-toa na vida e de triste figura, ladeado por Sancho Pança, seu mui fiel amo, quando Cervantes resolveu botar aqueles moínhos na beirada do caminho e aí complicou tudo, fazendo de “Dom Quixote de La Mancha” uma belíssima obra, entretanto.

Rock in Rio - Lisboa


Para espantar os maus fluídos e os maus agoiros. Música, qualquer música…

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Face ao Leviatã



Das coisas e das causas cabo-verdianas

Li, com gosto, entusiasmo e espírito aberto, o livro de David Hopffer Almada – “Pela Cultura e Pela Identidade: EM DEFESA DA CABOVERDIANIDADE” - e, acto contínuo, a respectiva recensão crítica de António Correia e Silva – “Defesa da cabo-verdianidade, segundo David Hopffer Almada”. A obra e a sua apreciação crítica, binómio que fundamenta qualquer ambiente científico, abordam questões candentes e prementes – todas de interesse nacional. A oficialização da língua cabo-verdiana, por exemplo, é desiderato a que Cabo Verde não se pode furtar. A adesão de Cabo Verde à União Europeia (e, quem sabe, a outras alianças) também é assunto quente, a merecer exaustivo debate. Além do valor dos dois trabalhos, importaria realçar que o acasalamento entre a acção e a reacção intelectual, coisa rara numa terra onde a tese só de raro suscita a antítese, deitando por terra a necessária dialéctica que faz rodar a História, se tornou mister e imperioso. Não só de bons autores e criadores precisamos. Os críticos que balaçam os paradigmas e fazem jus à razão hegeliana são por cá mais do que necessários…

A África e os Objectivos do Milénio

A escrever um texto para a palestra sobre a África e os Objectivos do Milénio, tema que me coube no evento que a Universidade Federal do Ceará organiza, dou comigo a pensar na força da História. Os ODM seriam alcançáveis, se houvesse um esforço crítico dos próprios africanos em relação ao apropriar do seu processo histórico. Não se trata apenas da independência, da democracia, do estado de direito e do empreendedorismo. Trata-se de emponderar o africano em face da sua História e seu destino. Trata-se do resgate da autoestima, de autoconfiança e da motivação para mudar o mundo. Devo à professora Margarida Fragoso, nos tempos do secundário, o gosto pela História da África. Ela levava-nos, em primeira mão, a História da África Negra, de Joseph Ki-Zorba. Falava-nos, com entusiasmo e admiração, do Egípto Antigo e do Império Núbio. Explicava-nos, sem óculos coloniais, a civilização dos Almorávidas, dos impérios do Gana, do Mali, do Gao, do Songai e dos Haussas. Aprendíamos, em beleza e propriedade, a grandeza dos Iourubás e do Benin. Naquelas aulas, sabíamos descer pelo território dos bantus e ancorar no reino do Congo, do Zimbabwe e do Monomotapa. Precisamos descolonizar não apenas a nossa economia, mas a nossa história, tanto a do Continente Africano como a dos afro-descendentes, a vasta Diáspora Africana. A história constitui assim, segundo Joseph Ki-Zerbo, a alavanca fundamental para a nossa tomada de consciência em relação ao nosso destino, visão comungada por grandes pensadores do W. Dubois, Nkrumah, Lumumba e Amilcar Cabral.

Discordando do meu amigo Casimiro

Das raras vezes em que tive o prazer de conversar com Casimiro de Pina, de quem sou amigo, guardei as melhores impressões. Arguto e culto, comentara com José Filomeno, promotor de tais encontros. Casimiro de Pina é um estudioso e um cavalheiro. Aprecio trocar ideias com ele, mesmo quando as nossas opiniões se divergem de molde irreconciliável. Prevalece entre nós o respeito mútuo, diga-se. Ambos somos apreciadores de Alexis de Tocqueville e de Max Weber, sobretudo no entendimento que ambos tiveram da Revolução Americana e da Ética fundadora da espiritualidade capitalista. Mas creio que não temos a mesma leitura crítica do mundo, mormente o “mundinho crioulo”. Pessoalmente, não me posiciono em trincheiras – desta banda os bons e os santos, doutra banda os maus e os demónios -, razão por que não me engajo nas capelas políticas. Sou S/Cem Margens face ao Leviatã, seja ele qual for. Et pour cause, os grevistas de fome (ou doutra estratégia, pois de estratégia se trata) não estão imunes ao crivo crítico da sociedade. Assim como tiveram apoiantes, têm tido acérrimos críticos, porque a nossa sociedade (e ainda bem) não se satisfaz com a unanimidade. Germano Almeida, pela natureza do homem e pela sua trajectória, jamais seria um intelectual orgânico. De nada. Ele é irreverente, homem! Casimiro de Pina precisaria participar dos encontros de sexta-feira, na Praia do Norte, em São Vicente. É longe. Mas o bom vinho (que Germano Almeida conhece, como poucos) justificaria o encontro…


terça-feira, 23 de maio de 2006

Subsaharianos


Las Islas Afortunadas están a punto de perder su nombre. Canarias es la puerta a Europa de miles de subsaharianos que tratan de alcanzar una vida que creen mejor. Muchos mueren en el intento y todos nos muestras una visión del ser humano que debía hacernos bajar la vista de vergüenza. El Cabildo ya no se sabe qué hacer y al Gobierno parecen habérsele acabado las ideas útiles que pongan freno a esta dramática avalancha. Mientras tanto, Europa todavía mira para otro lado.
“El Gobierno no ha tenido la previsión, ni los reflejos para actuar en África” con esta lapidaria frase encabeza ABC una entrevista realizada al presidente de Coalición Canaria, Paulino Rivero. Desde la serenidad, este representante político del archipiélago se queja de la situación de desamparo que han sentido en aquella latitud en los últimos días. Una avalancha de más de mil inmigrantes procedentes de África. Arriesgan su vida para buscar un futuro mejor en el "viejo continente".
La prensa internacional, en general se ha preocupado en demasía de esta tragedia humanitaria en la que los dos Gobierno, autonómico y central, se encuentran algo desamparados mientras Europa todavía mira hacia a otro lado.
De este fin de semana sólo cabe destacar dos menciones en peridódicos señeros de habla no hispana. En rotativo británico
Daily Telegraph se publica un interesante análisis del problema que tiene España con sus fronteras al ser la puerta natural de entrada al continene.
Neil Ferguson explica en su artículo como, además de las personas procedentes de la región subsahariana, el importante crecimiento demográfico en Marruecos puede derivar en serios problemas. Y es que la población del país alauita crece siete veces más rápido que en España con lo cual la presión sobre Ceuta y Melilla parece ineludible.
Si a esto le sumamos la situación que se vive en ciudades como El Ejido, continúa Ferguson, estamos ante un ejemplo claro de lo que algunos ya denominan Eurasia.
Canarias solicitan la presencia de la Armada
Las Islas Afortunadas sufren el empuje de una crisis humanitaria que no tiene precedentes en sus costas. En sólo dos semanas han llegado el 10% de los sin papeles que recibió en Canarias a los largo los tres últimos años. 2000 maltrechos indocumentados a bordo de cientos de cayucos. En la mencionada entrevista, Rivero señalaba que
La falta de una política clara hacia este continente ha traído como consecuencia la inmigración de una parte de los 850 millones de habitantes de África.
Al Gobierno de Adán Martín se le están acabando las ideas para ayudar los inigrantes pero a la vez proteger su Comunidad Autónoma de un aluvión humano al que no puede hacer frente. De este modo el Parlamento canario en un pleno monográfico sobre este asunto a aprobado pedir al
Gobierno Central la intervención de la Armada.
Quieren blindar el litoral y esperan disuadir a nuevas incursiones que puedan provenir del continente vecino. Asimismo, en el mencionado pleno se ha acordado también las críticas y quejas formales al Ejecutivo de Zapatero por su "lenta respuesta" y a la UE por su "poca sensibilidad".
Si bien, ya la pasada semana, un cada vez más angustiado presidente autonómico pedía sin cesar que el problema de la inmigración fuese tratado como un asunto de Estado. Incluso llegó a decir que si no recibía una pronta respuesta, acudiría ante el mismo rey Don Juan Carlos. El Cabildo justificó estas peticiones en el hecho patente de que
Don Juan Carlos interviene
El Rey de España no esperó, sin embargo, a que materializase la “amenaza” del presidente canario. Prefirió ser el mismo es que descolgase el teléfono para interesarse por la situación que se vive en las islas.
Un portavoz de zarzuela trató de quitarle hierro al asunto al afirmar que Don Juan Carlos mantiene contacto habituales con presidentes autonómicos. Bien es cierto que lo hace, aclararon estas fuentes, que ante situaciones puntuales estas conversaciones se aceleran. En este caso, más que puntual, era una situación dramática.
Porque lo que empezaba a quedar más en evidencia es que no sólo Canarias estaba siendo desbordada, toda la maquinaria del Estado Estaba cada vez más desbordada. Así a todo el ejecutivo realizó un último movimiento de efecto en el pasado Consejo de Ministros.
El Gobierno tiene un plan
El pasado viernes la vicepresidenta del Gobierno, María Teresa Fernández de la Vega, explicó hacía iban a ser diseccionados los esfuerzos de España para atajar el mal que sufren miles personas. Entre las acciones de infraestructura más destacadas encontramos un intento de reformar lazos con el continente vecino.
Este
Plan África 2006-2008
Crea tres nuevas embajadas, Malí, Sudán y Cabo Verde para completar el despliegue diplomático en la zona, así como nuevas oficinas técnicas de cooperación en Cabo Verde, Etiopía y Malí, y oficinas comerciales en Angola, Kenia, Nigeria, Senegal y Sudáfrica.
Asimismo, De la Vega puso mucho hincapié en los cuatro ejes sobre los que el Ejecutivo sustenta su plan.
Más seguridad y control en las fronteras
Más cooperación diplomática
Más ayuda humanitaria
Más Europa
La vicepresidenta remachó que son
Cuatro ejes en un solo plan, el que marca nuestra política de inmigración. A veces es más visible especialmente como cuando ahora lleve el buen tiempo y el mar es menos peligroso.
Primer destino: la Península
Canarias sufre la primera oleada, eso nadie lo duda. Pero una vez que miles de inmigrantes ilegales asedian el territorio de las islas por cuestiones humanitarias y/o médicas, estas personas son llevadas a la península para permanecer en las mejores condiciones posibles hasta que se aclare su situación y su destino.
Y es que en lo que va de 2006, unos 4.300 han sido trasladados. Una cifra superior a la del año pasado. El problema es que existe un problema al estar indocumentados ya que no pueden ser expulsados.
En este sentido, Paulino Rivero en ABC, subraya que lo más negativo de esta incidencia es que
Consiguen el éxito, y eso funciona como un auténtico reclamo.
Llamando al Viejo Continente
Si la UE no se implica a lo mejor lo que hay que plantear es la derivación de los inmigrantes a Europa. Entre otras cosas porque los que vienen lo hacen buscando Europa.
Con esta sentencia tan clara, Paulino Rivero, lanza la pelota sobre el tejado europeo. En el caso de que los ejes de “Más Europa” y “Más diplomacia” anunciados por De la Vega no funcionan, Canarias quieren tener las fronteras bien cubiertas.
Pero la vicepresidente tiene todavía ese margen de cortesía que el Gobierno Canario parece estar dispuesto a darle y ella a aprovecharlo. Por eso mismo, se entrevistará en Bruselas con el presidente de la Comisión Europea, así como con comisarios de la UE, para acelerar las medidas del Plan África 2006-2008
María Teresa Fernández de la Vega, ha explicado que el Gobierno ha decidido
Pedir apoyo a la Unión Europea (UE), en concreto la creación de una delegación en Canarias de coordinación, seguridad y control, así como apoyo logístico, que espera se conceda de manera inmediata, para que se coordine el despliegue de medios marítimos y aéreos.
Dispositivo naval y diplomático
Un satélite es lo más destacado que el Gobierno pondrá en marcha para vigilar de cerca de los cayucos que se acerquen a las costas canarias. Bajo la batuta del ministerio de Defensa con este aparato se podrá realizar un seguimiento de los movimientos de los flujos migratorios. Además patrulleras y helicópteros reforzarán la dotación actual.
Por otro lado según De la Vega, el Gobierno potenciará la cooperación con los países emisores de inmigrantes. Claro que los países implicados han visto la oportunidad de negocio.
Según lo publicado en ABC,
El presidente de Senegal pide pantanos a cambio de aceptar las repatriaciones de inmigrantes. El País, en otro editorial, dice que intuía lo que está pasando, y pide mejorar la vida de África, con dinero de toda Europa y no sólo esos 400 millones que prometió Zapatero.
El Periodista Digital

segunda-feira, 22 de maio de 2006

África



Por Eduardo Dámaso, DN


O aumento do número de imigrantes africanos que todos os dias chegam mortos ou famintos ao litoral mediterrânico e atlântico de Espanha é brutal. A vigilância mais apertada das autoridades espanholas no estreito de Gibraltar desencadeada a partir do êxodo de 2004 tem vindo a empurrar os imigrantes para as rotas do Atlântico e, nos últimos dias, as ilhas Canárias têm sido palco de relatos e imagens dramáticas que, no entanto, pousam por brevíssimos segundos no nosso olhar, como que alheado de uma realidade encarada como distante ou mesmo já muito banalizada. É como se fosse mais um problema do nosso vizinho espanhol do que nosso.
O problema da imigração ilegal oriunda de África e dominada por mafias transnacionais é todos os dias agravado pela indiferença desse olhar bem instalado na vida. Quando países como Portugal não têm estratégias nem políticas de abordagem de um problema com tal dimensão para o mundo, não são protagonistas no debate, ou na pressão para que ele se faça de forma consequente, quando a própria União Europeia não acerta o passo no desenvolvimento de uma política que ataque a questão na sua origem, então a realidade torna-se iniludível: África, ela própria, não é uma prioridade para o resto do mundo. As consciências do Norte mais desenvolvido repousam nas respostas puramente policiais.
Quando as rotas partiam da Argélia ou de Marrocos deu-se a necessária resposta policial no Mediterrâneo. Agora que se concentram milhares de ilegais na Mauritânia, de onde partem verdadeiras urnas funerárias em busca do eldorado, as políticas de repressão exigem a colaboração das autoridades locais. Tem sido essa mutação das estratégias das redes o único factor de marcação do ritmo das políticas de ataque ao problema, exceptuando os esforços mais recentes de Zapatero, que procura fortalecer laços com os países magrebinos, depois dos fracassos do PP.
O problema, porém, não é espanhol. É um problema do mundo que exige mais e melhor política, que exige um verdadeiro plano para África - o de Blair é um bom ponto de partida -, exige um verdadeiro compromisso dos países mais ricos integrados no G-8 e da União Europeia. Exige que mesmo países com menor influência, como Portugal, saiam da sua tradicional visão paroquial do mundo. O rasto das mortes que vamos deixando para trás é demasiado gigantesco para que tudo fique como está.

sábado, 20 de maio de 2006

Divagações



Return To Forever

A barra na cidade de Boston. Nessa cidade, nasceram os meus filhos – Denzel e Pablo. Mentalmente, ainda faço compras no mercado italiano do South End, vou ao gospel na 1st Baptist Church e frequento o clube Wally´s, onde o jazz é mais “animal”. Nunca se parte da cidade de Boston. Nunca…

Alguma coisa acontece no meu coração

Depois de muita violência (entre o crime organizado e o estado desorganizado), São Paulo entra numa virada. Cultural, claro. O melhor de Sampa é o paulista. Uma cidade de 20 milhões de habitantes dispostos a viver. Mau grado a violência…

O Código Da Vinci

O filme O Código Da Vinci não chega a ser mau. Com tanta promoção, fica-nos aquém das expectativas. Mas tem bom rítmo, boa trama e boa apresentação. Ademais, Tom Hanks dignifica qualquer filme. O livro atingiu uma celebridade extraodinária, pois cumpre todas as regras da promoção e do marketing. E o público médio é afoito à cultura de massa. É um alto consumível como a Coca Cola, o BigMac ou a Pizza Hut. Tirando os complexos todos (incluindo os intelectuais), o filme é aceitável. Se o cinema é confortável, com capuccino bem quente…

Copa 06

A Copa 06 está à porta e todos preparam-se para o grande certame. Pessoalmente, não estando Cabo Verde na disputa, tenho já à cabeça três equipas (por ordem de preferência): Brasil, Angola e Portugal. Estará a funcionar o meu lado lusófono? Esta é a Copa mais global de todos os tempos. Ocasião interessante para gritar contra o tráfico ilegal de pessoas. Toda a imprensa reunida, a opinião pública mundial diante da televisão e os decisores atentos às grandes questões. É aproveitar, minha gente…

Dia da África


Entra-se na semana do Dia da África. A programação, com palestras, exposições, futsal e baile, concentra na Universidade Federal do Ceará. Fui convidado a apresentar o seguinte tema: África: Desafios e Metas do Milénio. Cabo Verde terá, pois, algum destaque, não apenas pela minha palestra, mas pela exposição do artesanato crioulo. Era para se ter o Mário Lúcio, mas não foi possível por desencontro de agenda. Conta-se com um DJ brasileiro que tentarei influenciar para caprichar no melhor do continente africano: Baaba Maal, Youssou Ndour, Salif Keita, Tcheka Andrade, Hugh Masakela, Ceasária Évora, Angelique Kidjo, Myriam Makeba, Lokua Kanza, Johnny Clegg e Manu Dibango, entre outros possíveis de arranjar no mercado.