segunda-feira, 18 de setembro de 2006

China Town não, obrigado


Recentemente, falando com um amigo e vizinho, voltamos à velha, mas cada vez mais necessária ideia da Associação dos Moradores e Amigos do Plateau. Não apenas para abordarmos a lástima que se tornou o Ribal Praia, mas para reflectirmos sobre as soluções e as alternativas existentes. Para já, o exorcizarmos a premissa de que o Plateau seja um problema (ou mesmo uma problemática), quando ele é uma grande oportunidade (de cultura, turismo, negócios, finanças, educação, etc). Falando amiúde com o meu amigo chegamos à conclusão de que o Plateau corre sérios riscos de degradação e de ostracismo. Em verdade, não se percebe que uma das áreas mais preciosas de Cabo Verde seja “abandonada” à descaracterização e ao avanço desenfreado do comércio especulativo e outro, bem como da venda ambulante (diria até, rabidante) dos informais. A continuar esse ritmo desenfreado, dentro de cinco anos, viveremos numa autêntica China Town. Esta não é do Pranchinha, coitado, mas vaticínio de todos quantos abordam a questão. Não que eu tenha algo contra a presença dinâmica dos estrangeiros e dos forasteiros na cidade. Antes pelo contrário, Praia tem uma vocação metropolitana e cosmopolita e há que ser coerente em relação aos seus caminhos. Entretanto, chamaria aqui a atenção no tocante ao controlo e à gestão dos fluxos migratórios e à necessidade de gentrização do espaço, transformando completamente a forma e o conteúdo social da cidade. A questão é humana, em todos os seus quadrantes, Eis a pergunta abismal: existe Plateau fora do horário comercial e administrativo? Existência, no significado profundo do termo. Diga-se em abono da realidade que essa fatia urbana precisa de urgente reabilitação, tarefa que envolve tudo e todos, sobretudo a edilidade e o governo. O papel do Estado como indutor torna-se extremamente relevante. Aliás, a opção de plantar ali a Reitoria da Universidade de Cabo Verde, por exemplo, foi mais que bem pensada. A de praça digital também. Mas é preciso algo mais. É preciso um processo integrado de recuperação da área que se pretende salvaguardar, implicando o restauro dos edifícios e a revitalização do tecido económico e social, no sentido de tornar a área atractiva e dinâmica, com mais competitividade e melhor condições de habitabilidade. À margem, mas não neutro, diante da euforia imobiliária, urbanística e outra que toma conta de alguns espíritos, reafirmo ao meu amigo e vizinho sobre a premência da nossa Associação. Estou crente que todos (os de boa fé e boa-vontade) irão aderir. Tem a ver com requalificar Cabo Verde, pela cidadania ora. Em prol do Plateau. Sem saudosismos em relação ao passado, mas com assumida saudade do futuro...

1 comentário:

Kamia aka Chissana Magalhães disse...

Um dia disseste que por um certo post meu eu merecia um Pinot Noir, trufas do melhor chocolate ao som de Jazz de qualidade.
Bem, por este post, faço minhas as tuas palavras.