terça-feira, 4 de julho de 2006

Zero Ground em lhana manhã de Julho





História, com Poesia

O país faz anos (31 bem contados) e o mote da crónica é esta efeméride, a maior (e a melhor) do processo histórico de Cabo Verde. A Independência Nacional é o momento zero no chão da República. É mais do que isso: um país que desponta para o mundo, com passos seguros e notórios. Os aspectos exaltantes ultrapassam de longe os pontos críticos. Pessoalmente, orgulho-me deste país e, na próxima encarnação (se a dita existir), quero voltar cabo-verdiano. Regozijo-me com o desempenho global do país e com a tangibilidade da malha nacional até à diáspora. Faz-se História, com Poesia. Permitam-me que eu dê uma salva de palmas a Cabo Verde. A minha última ovação fora a um pôr-do-sol em Fortaleza. Na velha Ponte dos Ingleses…

Independência às escuras

O aniversário da Independência Nacional é comemorado às escuras. A meretriz uma vez mais nos prega partidas e nos ludibria com técnicas à mistura. Caso para dizer que ela não está “tecnicamente” em condições de permanecer. Há um rol de anos, o Pranchinha vivíssimo da silva questionara o negócio da China que entregava a água e a energia ao bandido. O lúcido já vira dar muito ouro ao bandido, mas água e luz era mesmo coisa inédita. E fazendo jus ao bizarro, a monopolista revelou-se o mais formidável caso de incompetência, abuso e burrice de que se tem notícia. Obviamente que falo da magnífica, mas desavergonhada Electra, cujos poderes ocultos ninguém ousa pôr em causa. Mal a crítica se aponta, saem os cães de fila em defesa do dono e o afoito se encolhe, não vá o diabo tecê-las. A pedir medidas terminais, a Electra entra-nos nesta lhana, manhã de Julho, como diria o Poeta Osvaldo Osório, em sua máxima sabotagem. Caso para gritar, a despeito de incomodar os senhores da praça: Viva Cabo Verde, abaixo a Electra…

Breu, lixo e kásu bodi

Não se pretende agora estragar a festa, nem ser aqui desmancha-prazeres, mas este ano prefiro ficar em casa, alheio a qualquer forma de procissão. Este amuo não tem a ver com o Plateau esburacado e descaracterizado, para o gáudio de muito bairrista de serviço. Tão-pouco tal resistência pretende boicotar algo. A emenda e o soneto se merecem. Quem sou eu afinal? Apenas um temente de Deus – não dos pequenos deuses de esquina, note-se –, mas que não se ajoelha em nenhum altar. Ou tão-só um indignado do breu, lixo e kásu bodi…

Nota aos colegas jornalistas

Achei desproporcionada a reacção dos jornalistas (não de todos, por sinal) às declarações do arquitecto Frederico Hoppfer Almada. Naturalmente que o termo “expulsão” não foi elegante, mormente vindo de um político. Ímpetos de linguagem, quem sabe. Entretanto, não houve entre a classe a apreciação do contexto e do conteúdo dessas declarações. Pelo que se depreende o cavalheiro não pôs em causa a liberdade de informação dos jornalistas, mas sim o desempenho deficitário dos mesmos. Não sei se houve de facto casos de incompetência, pois me faltam dados para ajuizar. Mas se a incompetência for confirmada, manifesta e recorrente, nada mais legítimo do que a sua contestação, em defesa de uma melhor informação e comunicação social. Sem dramas, nem politiquices. Os padrões de qualidade devem ser exigidos a todos. É a condição do mercado, caros amigos. Ademais, ninguém deve estar acima do crivo crítico. Com elegância…naturalmente!

2 comentários:

fernandocoliveira disse...

boa tarde

jornalista há mais de 30 anos, há cerca de uma década que investigo em portugal e no estrangeiro a temática do tempo, da relojoaria e das mentalidades, tendo publicado regularmente sobre o assunto.
deparei com um curto texto sobre relógios de cuco numa edição on-line de uma revista, assinado filinto elísio.
gostava de saber se o texto é seu e se o psso utilizar numa antologia que estou a preparar para fazer sair no final do ano sobre o tempo e a relojoaria na poesia e na ficção.

www.fernandocorreiadeoliveira.com

obrigado

Filinto Elisio disse...

Prezado Fernando

Disponha do texto a seu bel-prazer. Eu também adoro relógios, o tempo e a temporalidade. A clesidra...

Um abraço,