
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Cronópios

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Bosão, tetrápodes e sujas

Penso, logo inexisto
Meninos,terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A quem possa interessar

A quem interessar possa
Dança das Ilhas
Melhor Idade
Tão lindo quanto
E por falar nisso
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Blog
Blog é site de autor. Às vezes, pode ser animado por colectivo. Outras vezes, prestar-se-á a joint. Mas, estruturalmente, Blog é para o ego meeeeesmo. E depois? Jorge Tolentino escreveu isto: cada Blog tem a sua razão de ser e estar. Que é fundamental que cada um se sinta bem. Com descontracção, sobretudo. Sempre que escrevo um post, digo para os meus botões merde à celui qui lira. Que dimensão cósmica nos empresta este Fevereiro, por exemplo? Vejamos todo o insólito, dir-se-ia explosão de uma supernova. Viemos de Deus? Dos deuses? Dos não deuses? Do Big-Bag? Ou do Rebond? Quem sabe ainda nem tenhamos vindo. Que frio na cidade da Praia. Entro num Starbucks imaginário e du café, beaucoup de café. Du Café Margoso. Diante da Gare, os clowns e os robocops confrontavam-se. Enquanto isso, benjamins de merda preparam-nos a constituinte. A actualidade vampiriza a realidade. Hay que endureserse...
Turismo
Quanto ao Turismo, eis o sector que precisa ser requalificado em Cabo Verde. Com urgência. Não apenas para transcender o binómio sol & praia, mas para acrescentar melhor e mais diversificada oferta. Este País tem potencialidades ambientais, paisagísticas, culturais e históricas. Potencialidades humanas, sobretudo. A promoção turística deverá passar por mais complexidade e mais ousadia. Reinventemos a nossa opção pelo Turismo. Crioulizemos o Turismo! Alupekemo-lo. Distanciemo-nos dos caminhos tomados no Sal e na Boavista posto que, soberanos da silva, não nos contentamos chulos, putas, passadores de droga e vendedores ambulantes. O importante é recolocarmos o eixo no Arquipélago e não nos aderirmos ao circuito de forma atávica e acrítica. Não podemos aceitar o estatuto do indigenato recauchutado, nem levar a cabeça para o altar dos novos canibalismos do capital. O Turismo é, antes de mais, diálogo e conhecimento. É, antes de mais, afã antropológico. E que seja sustentável, no que a semântica empresta força a tal sentença…
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Scarlett Monumenta
Skeptoid 1
Blogaria
Ó Balentin, óóóó
Argila
a vida se divide
e em duas artes
o imponderável
do corpo se revela.
Pela primeira arte
o rito do amor é chamas;
pela segunda
o mito da paixão é dádiva.
E a dor de não amar
o amor é devaneio torpe
porque o prazer inflama
a dor de não doar
o corpo ao precipício.
E tudo que tu dizes
o barro dos teus olhos
o brilho do teu rosto
o sal dos teus dedos
de marfim e tédio
tudo é impasse
pois tudo está exposto
à liturgia da divisão das partes.
Dimas Macedo
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
When the saints go marching in
Of those who've gone before,
And we'll all be reunited,
On a new and sunlit shore,
Oh, when the saints go marching in
Oh, when the saints go marching in
Lord, how I want to be in that number
When the saints go marching in
And when the sun refuse to shine
And when the sun refuse to shine
Lord, how I want to be in that number
When the sun refuse to shine
And when the moon turns red with blood
And when the moon turns red with blood
Lord, how I want to be in that number
When the moon turns red with blood
Oh, when the trumpet sounds its call
Oh, when the trumpet sounds its call
Lord, how I want to be in that number
When the trumpet sounds its call
Some say this world of trouble,
Is the only one we need,
But I'm waiting for that morning,
When the new world is revealed.
(Popular)
Have you met Miss Jones
tal qual à neve, apaixonada tu das névoas,
das paisagens baças, que das metáforas,
direi, sopro dos pubs, mesmo que proves,
brisas dos beirais, choupos e janeiras,
este amor de vida toda, o mirar o tibre,
o sol atreito de uma tarde que parte
o alarde pretérito das horas impúdicas,
e tu, ouvindo blues, sejas noite infinda,
fria...
filinto elísio
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Ventania
Venta em Cabo Verde. Às vezes, com o pó de terra. Outras vezes, com o friozinho da boca-da-noite. Quando venta, lembro-me do conto “Noite de Vento”, de António Aurélio Gonçalves, prosa crioula insuperável. O vento, na Fonte de Filipe, vem de longe, de terras desconhecidas. Aflora a Assomada de João d´Évora com um rumor de fornalha, crepitando por uma linha de cumeadas. Belíssimo! Venta. Ventania. E alguém me diz que, diante de tamanho apagão, deveríamos pensar na energia eólica a sério, pois esta alimária dependência dos fósseis inibe qualquer pretensão competitiva. Venta e isto me sugere um campeonato de windsurf. Do kitesurf. E isto, bem feito e com parcimónia, já seria economia. Nem sempre economia é hard, podendo no nosso caso ser soft – dos serviços. Do conhecimento. E do entretenimento. Venta em Cabo Verde. E o cata-vento, no cimo desse telhado, me ensina que mudar de rumo (do País, que não há meias-medidas) é sisma de povo heróico…
Suprematura
Dos 33 aos 83… refiro-me obviamente ao STJ. Ou da absoluta inocência à absoluta falta dela, passando pelo pacto partidário a nos impor juízes, e a desvirtuar, uma vez mais, o espírito constitucional que ora reclama, como pão para a boca, urgente revisão. A amplitude etária de 33 a 83, que é do imberbe brio ao caducado relator, é o intervalo com que a nossa Justiça doravante se assenta, estando metade do País a deplorar a promíscua confusão entre o pacto e o conluio. E deste novo arquétipo, cuja desnatura espanta o nosso demónio aquiescido, só nos restará o refrão do hilariante poema de Arménio Vieira – somos animais de capoeira! – vate que reflectirá a zoomórfica sensação diante dos dados lançados. Por que teremos de passar aos nossos deuses tamanho cheque em branco?! Dizer mais que isso não será apanágio de cronista, mas de toda a cidadania deste arquipélago que, a estas horas, deveria ocupar as ruas…
Esse “ntufato”
Tal como um “entremeio de calcinhas” ou um “ciccioto di mezzanote”, assim a imitar o Setebelezas, o Prancinha gozava dos “novos revolucionários”. Os rapazes e as raparigas resolveram, depois de algum espavento, matar-nos o velho. Seria para amanhã. Mas a estória que broxou a História, já que a intenção era mais risível que o siso, fora de o velho estar morto desde ontem. Diante de assaz desprimor que o florilégio da leviandade permite, essa rapaziada resolve, de uma assentada, emigrar-se para o novo território da semântica. Estou hermético? Não se riam, mas, no começo, era o Verbo… (mas só sintaxe, companheiros).
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Dos Navegantes
Regresso
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
JANEIRO/FEVEREIRO
Nem só a cav
idade da boca
Nem só a língua
Nem só os dentes
e os lábios
fazem a língua
Ouça
as mãos
tecendo a língua
e sua linguagem
É a língua
têxtil
O texto que sai das
mãos
sem palavras
Décio Pignatari
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Santa's & etc
Arlequim

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Breakfast

Cedo, cedíssimo, ah se os galos cantasem nas cidades grandes como cantam na aldeia do meu coração! ou, então, que nem as varinas do Mindelo eles solfejassem "cavala fresca", assim em meio-tons e dissonantes - cedíssimo, dizia, de orvalhadas vidraças dos automóveis adormecidos e de bocejantes palavras diante de um capuccino, algures repicariam os sinos que a igreja, pedra de Pedro, medra aquém da fé, e alhures seriam teus olhos grandes como se o Poeta os mirasse demoradamente ao espelho. Dos poemas que não se explicam, como dos amores inusitados ou das angústias que nos revisitam, balbucio-te o conto do D dos dados e os versos cabalísticos que, em Arménio Vieira, flor nesse deserto, nos aclama o C da cotovia. E não nos será despicienda quando as horas param e nos mostram o frontispício do Verbo, primeiríssimo de tudo, antes até do pensamento. Onde para ti não eram moínhos, posto que monstros e mastadontes, para os outros, confrades de Sancho Pança, moínhos tão-somente, pachorrentos e cartesianos como uma equação mais simples. Cedo é o rio, o frio, o cio, o ciciar das cigarras, silentes quando as perscruto nas gretas, e o silvo do vento, por cá glaciar, mas brisante nas ilhas...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Catacumbas

Catacumbas
De tanta saudade e em terra estranha (onde até neva em seus cumes), deu-me a matutar o feito de São Calisto I, antes escravo de Aurelius Carpoforus, e , depois, aclamado em Roma, como Papa. Apreende-se disto que o ser humano, mais que grandeza nos pergaminhos da toga, é profundo no seu rito de existir. De bandido e arrivista, Calisto tornou-se santo e defensor da fé comunal, a mais amiga dos deserdados, que é a essência da Igreja Primitiva. Assumiu o trono pontífice com graça e humildade, simples missionário afinal, como atestam as Catacumbas da Via Ápice, exemplo que, a meu ver , deveria extrapolar o templo e o tempo e assentar, cá entre nós e nesta altura, uma jurisprudência circundante. Os nossos deuses descalços, ocos e vetustos, narcisistas, mas cegos ao engodo dos espelhos, alheios franciscanos deste labirinto, deveriam tomar tento ao feito de Calisto, sucessor de São Zeferino...
Renascimento
A tomada de posse do Presidente Barack Obama, a 20 de Janeiro, foi para mim um renascimento florescente. Não que eu veja isso com ilusões e utopia. O mundo não continuará aberrante e paradoxal. O centro abastado e a periferia abastardada. Mas se o novo Presidente reduzir a exclusão e assimetrias, a pobreza e a doença; se Obama fechar Guantánamo e assinar o Protocolo de Quioto; se aumentar a autoestima dos deserdados da Terra...valerá afinal a pena renascer!
Janeiro
Janeiro, venerando rio, mas de sina, deságua em mim. Mar acima. Tanto que fiz anos em Janeiro. Quarenta e oito anos, bem contados e assumidos, ora com riso, ora com siso. Igualmente, fez-me pensar na vida e na morte. Na luz e na sombra. E aproveito, já que me é dado o “dom” (sem tremeliques) da escrita e o jus do escriba, para pedir desculpas ao leitor (ao leitorado, como diria Dimas Macedo, iconoclasta, meu amigo de peito) pela dita viragem (ou terá sido viagem?) dos meus textos. É que os caminhos têm suas encruzilhadas. Percorro-os sem bússola. E, valha-me o verbo, que pontos alguns são cardeais para a escrita. Janeiro é assim...
Dia Solene da República
A República tem datas importantes. O 13 de Janeiro, Dia da Democracia (dizê-lo da Liberdade seria baralhar a semântica da História), e o 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais (igualmente tê-lo como da Nacionalidade, ao invés de Pátrio, me complicaria os conceitos) são efemérides interiorizadas pela cidadania cabo-verdiana. Estas duas datas não estão indexadas aos partidos políticos, que não podem ter por elas ares de patronos. São datas republicanas em toda a linha e devem ser celebradas pela gramática constitucional vigente. Dito isto, queria, no mais pleno respeito por outras opiniões, afirmar que o Dia Solene da República, por sentido e alma, corpo e forma, é 5 de Julho, Dia da Independência Nacional. Temos de tratar a República, com a ponderação histórica das suas datas e efemérides...
Carta abierta a Cesária Évora, la diva de los pies descalzos

Querida Cesária,
Le escribo esta carta mientras escucho “Sodade” [1]. Como admirador de su voz y sus pies descalzos, me quedé perplejo al saber que, ni un mes después de la masacre de Israel, cuyas imágenes han recorrido todo el mundo, va a dar un concierto en Tel Aviv y otro en Jerusalén a finales del mes de enero. Entiendo que estos conciertos quizá ya estuviesen contratados con bastante antelación. Sin embargo, no entiendo cómo, después de lo sucedido, va a continuar cumpliendo su agenda y a cantar en Israel. En poco más de tres semanas, 1.300 palestinos han muerto en manos del ejército israelí, entre ellos más de 300 niños y 400 mujeres y ancianos. Lo más triste de todo esto es que, lamentablemente, la gran mayoría de la población de Israel, ya sea por ignorancia, por represión o por pura convicción, después de lo sucedido, continúa a favor de la ofensiva militar que ejecutó su gobierno. Además, el bloqueo en los pasos fronterizos continúa, dejando a la población palestina en condiciones infrahumanas.
Perdone, Cesária, pero no la consigo imaginar cantando “Sodade” mientras que en el otro lado del muro aún huele a sangre y fósforo blanco. Cuando en sus mornas canta el aislamiento y la diáspora de Cabo Verde, ¿también piensa en países como Palestina?
Por todo lo dicho, me gustaría que usted, a quien tanto admiro sin idolatraría, se pronuncie sobre los dos conciertos que va a dar en Israel. Y, en el caso de que el rígido programa de conciertos valga más que la masacre, me gustaría que, cuando cante el tema “Sodade” en Tel Aviv y Jerusalén, además de pensar en las víctimas caboverdianas e israelíes, piense en Palestina, en los palestinos de ahora y en los de antes de 1948.
Me despido de usted oyéndola cantar “Flor di Nha Esperança”:
Se m’sabia
K’gente novo ta morrê
M’ka tava ama
Ninguem
Ness mundo…[2]
Atentamente,
Àlex Tarradellas, en nombre de Tlaxcala
Notas:
[1] Sodade (en criollo) o Saudade (en portugués) significan morriña, añoranza.
[2] Si hubiera sabido / que la gente joven también moría / no habría amado / a nadie / en este mundo.



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