sábado, 11 de outubro de 2008
Lisboa, Lixboa, Luboa
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Busy...mente
Os deuses não existem, senão quando, por excesso de loucura ou de lucidez, inventamos coisas tangíveis e/ou intangíveis para divinizar. Marx falou em ópio do povo. Mas, em verdade, certas coisas chegam a ser piores que ópio...
2.
Receitas para um bom Blog? Não subscrevo essa. Conheço receita de Molho de São Nicolau (bem caprichada na farinha de mandioca, cabrito do tenrinho e inhame) e de Djagacida (com feijão seco, xerém do fininho e manteiga da terra), mas de Blog, convenhamos, ó rapaziada. É cada um a fazer o seu sem compromissos com gregos e com troianos. Sem dar cavaco aos berdianos. Eu só exigiria que a malta fosse menos “copy and paste” e isso já seria muito bom para se fazer um Blog. Fuck...
3.
Quando me é Lisboa

Máscara Negra

Ela dorme e repousa sobre a candura da areia
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
En passant

Debate presidencial
Piadinha
A "piada" do telemóvel não era para ninguém em particular. Era apenas um rasgo de humor entre os convivas. Quem esteve fora, esteve absolutamente fora. É o que dá em estarmos a brincar muito neste Blog, com tantos livros de Edgar Morin, Norberto Bobbio, Umberto Eco e Jean Ziegler ainda por ler...
Viaggo
Estou no Sal, a caminho de Lisboa. Um italiano afirma que a demanda turística caiu drasticamente na ilha. Em verdade, tive essa impressão da última vez que cá estive. Alguma prostituição, muito lixo e visível insegurança, para além de atendimento medíocre. O problema somos nós a ficar na mesma, a não concorrer à altura e a fazer preços deus-nos-acude. Vamos repensar tudo de forma mais radicalizada que a tese propalada por certos operadores associados. O buraco é mais em baixo...
À Beira de Água
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado.
(Porque o amor, perdoa dizê-lo,dói tanto!
Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.)
Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
Eugénio de Andrade
Os Sulcos da Sede
Convívio
Mais um jantar em casa. Convívio. Éramos seis (eu, o meu irmão António, o Djinho Barbosa, o Abraão Vicente, o Mário Fonseca e o José Cunha). Prometi dar a receita da Canja à minha moda ao Djinho Barbosa e da Garoupa com Cogumelos guarnecida com Arroz de Grelos ao José Cunha, o homenageado. O vinho do branco do Fogo - pomada da Chã, como diria o Mito - de tão gelado, correu solto a brindar uma tábua de queijos. E foi tempo de abordar:terça-feira, 7 de outubro de 2008
Cinema: W, Z & etc

Oliver Stone, um dos meus cineastas dilectos, apresenta-nos por estes dias o filme W, sobre George W. Bush, o senhor que finalmente deixa a presidência dos EUA. O filme retrata-nos também Dick, Condoleeza e Donald. All the gang. Deve ser para maiores de 21 anos. Ou, como propõe Stone, para todas as idades. Não gostei de Nixon, o único filme de Stone que não me apanhou fundo. Achei-o “forçado” e chato, com mania de Costa Gravas. Esse, ao menos, fez Z. Para filme chato, já agora, revejo os de Micheal Moore. Mas prometo não perder W. Que não só remete para Bush, como para Wall Street, afinal a grande comédia destes dias…
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Pila ku nha boi
Coda
Não que seja um vício interessante, embora dele sejamos dependentes, mas mal começa a matina, depois do jogging, nos vemos na obrigação de ler os Blogs, procurando incrementar o nosso entendimento do mundo ou suplicar aos deuses da esquina alguma luz (da Electra não, pleaaaaaaaaaaase) para a nossa burrice. Como metaforizaria um poeta, somos eternos aprendizes. Por isso, somos também humildes, cientes de ainda nada sabermos, mas, gozões ainda, curiosos de trazer esse tourozito (um novilho, se nos parece) para a nossa tourada.
Homo urbanus
A chegada do “Homo urbanus” deveria ser matéria de comemoração, já que, pela primeira vez na História, a metade da humanidade vive em zonas urbanas. Mas, dos seus 3 biliões de habitantes, 1 bilhão vive em bairros marginalizados. O que é a cidade, ao fim e ao cabo? A Ética, a Estética e a Qualidade de Vida, dirá Maukie. O futuro, que é a condição mental e ontológica da felicidade.
Futuro
Saudade do futuro, disse-o há dias alguém. Não é uma frase de arromba, nem um To Be or Not To Be, mas vinha com alguma pinta. Em verdade, nós almejamos o futuro. Não conseguimos ficar betinhos e embevecidos (Ó que sabe na munde!) com isto a cheirar à merda e o forasteiro a mijar nos becos. Há questionamentos a fazerem-se, companheiro. Em que cidade topamos tanto ladrão, thug e salafrário num ai de apagão da Electra? Em que cidade moram menos artistas a sério e há tantos pseudo-intelectuas na praceta, por metro quadrado? Em que cidade os bêbados se embriagam assim de quatro por metros cúbicos de álcool? Saudade do futuro, sem dúvida…
Conselho
Pessoa diria: Para ser grande, sê inteiro. Mas a minha avó, que também tinha os seus rasgos de boa verve, aconselhava: Louvor em boca própria é vitupério…
domingo, 5 de outubro de 2008
Águas tão-somente
Que, tais como as rumorosas, ali
Descem em veias de montanhas
E, invés de ao mar, se tornam lagos…
Dirás também que Ródano, primo,
Desprende de fio gelado, ciciante
Quando se torna rio em vasto vale,
E ardente cio verde aqui de margens…
Mais azul que o até ao horizonte
Te desenharei como vejo o longe
Que a navegar me servem lágrimas…
E o que não caberia em tal fábula
- Escopo de peixes nesse aquário –,
És banho de chuva como te desejo…
sábado, 4 de outubro de 2008
Convívio
Alguns amigos (apenas oito, pois vai ser à mesa) estão convidados lá em casa para:
Declamarmos poesia (como em Porto Madeira);
Comermos tempura ou sushi de atum (serei eu o Chef);
Bebermos vinho branco da Chã (geladíssimo)
Homenagearmos José Cunha (entre nós por estes dias);
Ouvirmos música de Leonard Cohen (com letra imprimida)
Comentarmos dos badios, demasiados matinais, que exercitam seus corpos no jogging (enquanto as vacas, loucas, dormem)
In: Palavra Mágica
Onda

Praia é linda. Bonita. Bitori di nha Bibinha repetiu-o, com estribilho e exaustão, naquele funaná com clave de baião. Falta-lhe, entretanto, um pensamento inteligente. Algo que lhe seja mais colectivo e mais coerente. Em termos de Monumenta, Documenta e Anima. Uma cidade vai mais do que casas empilhadas, artérias de sangue só venoso e becos sem saída. Uma cidade, para ser bela, tem de projectar estética dentro e fora das pessoas. Mas ver este mar, lindão de morrer, para além do horizonte, é bucólico…sem dúvida.
Pura amizade
Eurídice (Eury, para os mais chegados) ganhou uma bolsa de estudo (aliás, duas bolsas) para prosseguir um doutoramento. Parabéns, menina! Pela Eury, tenho uma genuína e saudável (e apenas) amizade, não me importando com os “trémolos” ao som do zouk-love e dos anónimos I, II e III, do Ombudsman das Bagatelas, o tanas. Vou ao Blog dela, mais para saber de Calheta de São Miguel que para me alinhar nas causas feministas, embora delas não me aparte totalmente. Calheta é uma ínsula íntima e interior como a quis Valentinous Velhinho nos seus poemas. E, para além disso, é onde fica o umbigo do meu pai e de muita gente minha. Antes de mim, já esse destino portuense…
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Bem hajam

Bashô do Ricardo (Silvestrin...para vosotros)

Uma música não precisa mais que três minutos.
Um haicai, alguns segundos.
Mas podem durar a vida inteira.
Um filme, duas horas no escuro.
Um romance, muitas noites em claro.
Um quadro o tempo todo.
Até que se canse,
ponha outro em seu lugar.
Uma escultura numa praça,
mesmo com chuva,
mesmo que se mude de cidade,
ela está lá
sol no seu rosto
Ricardo Silvestrin
Azul ou "the ultimate bridge to nowhere"

Azulando o dia
Meus pássaros (em foreward),
A manhã acordou azul, com um sol redondíssimo entre amarelo e laranja. Apetecia-me lambê-lo, comê-lo. E, à beira-mar, onde religiosamente faço marcha matinal, os madrugadores pareciam mais lindos e mais felizes. As ondas, essas batiam nos rochedos como se não houvesse kasubody, apagão e subprime.
Leio os Blogs, os jornais e os últimos trechos de “O Pecado de Darwin”, de John Darnton. Confirmo a minha ida ao Brasil, como palestrante. Vou também a Itália, ver os frescos de Florença. E, quem sabe, Dubai também, porque o Ramadão acabou e alguém terá de trabalhar…
Plãmanhã, com aroma de romã. Como um poema de Sophia de Melo Breyner Andreson. Ou a música de Princesito.
Mito,
O quadro que me ofertaste bateu forte em mim. Como um piano no meu espírito. E é tudo…
Às vezes, não chego lá. A arte livre admite borrões desavindos, experimentação multimédia e absurdos conceptuais. E eu, nem sempre, estou tão Dada assim. Essa coisa livre que Duchamp criou não deve ser apreendida no rompante e no acaso, mas usada com responsabilidade técnica e objectivo estético.
Outras vezes, o quadro chega e bate em mim. Bate fundo em mim. Na arte, sou kantiano. Vou com a obra que me proporciona emoção. A sensação estética como uma espécie de nirvana. Era Kandinsky que dizia que a arte não seria útil nem agradável, mas teria de ter o poder de tocar um piano existente no nosso espírito.
Estranho delírio
Laura,
O meu processo criativo? Loucura e trabalho, se tanto.
A inspiração vem com delirius tremendus, mas a execução é oficinal. Um pouco racionalizada. Rigor quase matemático. Soneto não cai da árvore, por mais que acreditemos no Jardim do Éden.
Eu, por sinal, nem acredito nessa história, embora veja em tal parábola um bom filão de metáforas. Não iria afirmar, mesmo que me desses um doce, que a história do Pecado Original não nos empresta tremenda inspiração poética.
O sair do Paraíso tornou-nos mais livres e melhores poetas…
Zona de sombra
Jeff,
Sim. Acompanhei o debate nesta madrugada. Gostei menos de Palin. Assim como gosto menos de McCain.
Um tal Pascoalino, mormente simpático, me considera de mal com o mundo. Em verdade, estou de bem comigo. Com os meus demónios, inclusive.
Amigo, o risco de contágio do sistema financeiro faz desta crise uma pandemia. E há claramente uma zona de sombra que revela relativa inutilidade da classe política. A economia mundializada (apelidada artificialmente de Globalização) está nas mãos de bonecreiros com a sua lógica invisível e ininteligível.
Não sabemos quem comanda os botões que nos faz dormir ricos e acordar pobres, e vice-versa. Marx dizia que os homens fazem a história, mas não sabem a história que fazem. Por isso, um Deus qualquer, muito mais ganancioso que os evangélicos de Paiol do Coqueiro, quer nos ver aflitos por estes dias e explodir, do seu templo maior quem sabe, uma retumbante gargalhada. Só pode ser brincadeira de mau gosto…
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
PA ALBATROS
Ki bu ta korda y bu ta diskansa riba di bus aza spantozu,
(Un tenpestadi rixu rabenta? Bu ta labanta pa riba d’el
y bu ta rapoza na séu, kel skravu ki ta da-u gazadju)
Gosi bu ta parse sima un pontu azul, la lonji, ta mexe divagar na séu,
Y ku lus ki ta surji N ta observa-u di konves
(Mi propi é apenas un pontu, un sinal riba di tamanheza flutuanti
di mundu).
Lonji, lonji na mar, dipos di kes korenti brabu di noti simia praia
di manduxu,
Na nanser di dia, filis y serenu,
Ku antimanxe ilástiku y kor-di-roza, ku sol dislunbranti,
Ku stenson klaru di ar kor di séu ku mar,
Bo tanbé bu ta torna parse.
Bo, ki bu nanse pa bu midi tenpestadi (bo é so aza),
Pa konpiti ku séu ku tera, ku maris y furakon,
Bo naviu di ar ki nunka bu ka reia vela,
Sen kansa, duranti dias y simanas bu pirkore spasus y renus,
ta avansa senpri,
Y na kanbar di sol bu odja Sinegal y Merka bistidu di lutru,
Ta labanta ku forsa na mei di alanpras ku nubris di strubada,
Y nton, na bus spiriensia, bu atxa nha alma,
Alegria txeu! Alegria sen manha kes di-bo!
Walt Whitman
Traduson: José Luiz Tavares
Budget

Di palbessa

That Biden
Pranchinha que, apesar de morto e enterrado, de vez em quando, vem ao Albatroz fazer das suas, antes de se tornar ao além, pergunta como foi possível Baraka Obama escolher o Senador Joe Biden para seu Vice. Um homem que, na tentativa de engraxar Obama, teve esta derrapagem racista: "o primeiro afro-americano limpo e inteligente que conheci". Já por esta afronta, que só os “pretos safados” engolem, Biden não devia entrar “na lista negra” (que agora dá votos e cartazes, diga-se de passagem). Olha, Pranchinha, esses óculos ficam-te bem…
Two times two
Gato Preto (não confundir com Black Cat, naaaauuuuuu dizimola) ficou furibundo com essa Sarah Palin. Conhecem-na? Os americanos também não. A dita cuja não conhece geografia. Os americanos também não. Os próprios republicanos por sinal estão cépticos quanto à sua capacidade de liderar a América. Não porque McCain tenha 72 anos, mas porque Geórgia não fica na África, diachi nho. Maukie (que jamais foi Peter, arre e chispa, ó chavala) manda à dita a seguinte pergunta: Sabe Vossa Senhoria o resultado de 2x2? Os americanos sabem-no, mas os de Walt Street nem por isso.
Império do Meio
Hugo, the fuckin´ bird (hoje, o gajo aparece-me às 5H30), contrapôs: Deixai os americanos reaprenderem economia com esta crise, até porque os chineses, ora donos da metade do dólar, terão de aprender com os japas como fazer harakiri, se a dinheirama continuar nessa podridão. Hugo é fogo. Anda cada vez mais cáustico e mais amargo. A sua frase dilecta: I don´t care. Falando nisso, 31 produtos chineses (quase todos exportados para o mundo) estão contaminados com melamina, substância tóxica utilizada em resinas e colas. E nós que temos melanina, quanto de tais produtos não estará nas prateleiras das lojas por cá? Lá está Hugo a meter-se com o Império do Meio…
OBS: A festa foi boa. O Pablo adorou. Por isso, amo Outubro…a começar.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Pablous

Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo...