Poderia começar por intuir que a lua é uma mulher linda, lindíssima. E, já agora, que tanto se me dá, instituir que sou louco, o que é pouco diante do que se vê ao espelho. Poderia, em segundo, continuar a fazer loas à lua, ouvir dela uivos de loba e berrar à quietude do monitor do meu portátil. Às vezes, questiono-me se não seria mais interessante parar de escrever crónicas. Deixar de ser inspirado. Dar um desesperado basta ao Albatrozberdiano. Fazê-lo, não para transpirar a Bloga incauta, mas parar tão simplesmente. Radondu sima riloje. Questiono-me se não seria até mais ecológico se, num rasgo filosófico mediano, merecido à pasmaceira de resto, acabasse de vez com o Entre-Nós e fosse à lua cheia na rua. Assumir o penso, logo desisto. Outras vezes, admito que o pessoal terá de aturar as minhas impertinências, engolir o sapo das minhas agruras e aceitar que eu seja ovelha desgarrada. No dizendo, fazendo, se ajoelho não digo ámen. Rezar também não. Admito também compartilhar o oxigénio e o carbono com todos, e mesmo cometer pecados de amar, acarinhar, doar, verbos não muito regulares e, na paróquia, tidos por levianos. Como despiciendo o discorrer sobre os amores passados, tardios e reciclados -, uns em boas amizades, outros em ódios de lume brando. Admito ainda não poder ser outro, mas tão-só só este poeta, exagerado, pé feio, aquilo torto, olhos mortiços, andarilho…E leio, com entusiasmo, que os cientistas descobriram que recitar poesias ou ler poemas em voz alta diminui o stress, normaliza os batimentos cardíacos e a frequência respiratória. Será que a poesia começou a ser útil? Descobriram que, tal como a marcha matinal e/ou vespertina, vale recitar e eu, modéstia à parte, confesso que já andava desconfiado disso. Todavia, não será por utilidade a razão de haver escrito Li Cores & Ad Vinhos, livro que, em breve, estará à disposição da recitara local. Este é um livro inútil nos escaparates. De alguém a beber as palavras para além da conta e a desejar compartilhar a sua embriaguez com todos. Inútil como os olhos esverdeados dessa morena para o trigueiro e que passa também pela rua, alheia à lua. Se quiserem provar o cálice, tê-lo-ei à mão de todos. Confesso que este livro não marca uma nova fase, nem aponta novos caminhos. Não exageremos. Já não tenho idade de entreter a canalha. Tornei-me simples, assumidamente simples. Até por ter percorrido o território da complexidade. Simples, mas não ingénuo, como ditaria a própria desconstrução da complexidade. Como downgrade…Pela rádio, ouço a cantilena dos cretinos da terra. Têm a prerrogativa do Estado da Nação. Os melhores filhos desta democracia que também têm de mediocridade o que lhes sobra de milagrosa bênção. Enquanto não me chega o dia de pensar para desistir, saio à rua pensando no cão que me guarda, na estrela que reluz, na brisa que bole a copa das acácias, essas coisas…Lua, vagem, viagem. Uma carruagem de coisas. Sou assumidamente sartreano em que o homem encontra em toda a parte a projecção de si próprio. Os meus poemas repetirão isso. Tudo – pedra, flor, água, ar, terra, vento, gemido, fala, Deus – é reflexo do homem. O homem reposicionado em tudo, inclusive na sua própria transcendência. Acho até que a lua cheia, assim cheia de graça e de luz, me persegue. Saio a deambular, com a mão na algibeira, esquecido dos assaltos e dos meus inimigos de estimação. Moonlight Serenate. Eis que também a lua é inútil. Será? Assim (permitam-me esta confidência), a lua é uma mulher linda, lindíssima…
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Cronista Desesperado, Poesia & Moonlight Serenate
Poderia começar por intuir que a lua é uma mulher linda, lindíssima. E, já agora, que tanto se me dá, instituir que sou louco, o que é pouco diante do que se vê ao espelho. Poderia, em segundo, continuar a fazer loas à lua, ouvir dela uivos de loba e berrar à quietude do monitor do meu portátil. Às vezes, questiono-me se não seria mais interessante parar de escrever crónicas. Deixar de ser inspirado. Dar um desesperado basta ao Albatrozberdiano. Fazê-lo, não para transpirar a Bloga incauta, mas parar tão simplesmente. Radondu sima riloje. Questiono-me se não seria até mais ecológico se, num rasgo filosófico mediano, merecido à pasmaceira de resto, acabasse de vez com o Entre-Nós e fosse à lua cheia na rua. Assumir o penso, logo desisto. Outras vezes, admito que o pessoal terá de aturar as minhas impertinências, engolir o sapo das minhas agruras e aceitar que eu seja ovelha desgarrada. No dizendo, fazendo, se ajoelho não digo ámen. Rezar também não. Admito também compartilhar o oxigénio e o carbono com todos, e mesmo cometer pecados de amar, acarinhar, doar, verbos não muito regulares e, na paróquia, tidos por levianos. Como despiciendo o discorrer sobre os amores passados, tardios e reciclados -, uns em boas amizades, outros em ódios de lume brando. Admito ainda não poder ser outro, mas tão-só só este poeta, exagerado, pé feio, aquilo torto, olhos mortiços, andarilho…E leio, com entusiasmo, que os cientistas descobriram que recitar poesias ou ler poemas em voz alta diminui o stress, normaliza os batimentos cardíacos e a frequência respiratória. Será que a poesia começou a ser útil? Descobriram que, tal como a marcha matinal e/ou vespertina, vale recitar e eu, modéstia à parte, confesso que já andava desconfiado disso. Todavia, não será por utilidade a razão de haver escrito Li Cores & Ad Vinhos, livro que, em breve, estará à disposição da recitara local. Este é um livro inútil nos escaparates. De alguém a beber as palavras para além da conta e a desejar compartilhar a sua embriaguez com todos. Inútil como os olhos esverdeados dessa morena para o trigueiro e que passa também pela rua, alheia à lua. Se quiserem provar o cálice, tê-lo-ei à mão de todos. Confesso que este livro não marca uma nova fase, nem aponta novos caminhos. Não exageremos. Já não tenho idade de entreter a canalha. Tornei-me simples, assumidamente simples. Até por ter percorrido o território da complexidade. Simples, mas não ingénuo, como ditaria a própria desconstrução da complexidade. Como downgrade…Pela rádio, ouço a cantilena dos cretinos da terra. Têm a prerrogativa do Estado da Nação. Os melhores filhos desta democracia que também têm de mediocridade o que lhes sobra de milagrosa bênção. Enquanto não me chega o dia de pensar para desistir, saio à rua pensando no cão que me guarda, na estrela que reluz, na brisa que bole a copa das acácias, essas coisas…Lua, vagem, viagem. Uma carruagem de coisas. Sou assumidamente sartreano em que o homem encontra em toda a parte a projecção de si próprio. Os meus poemas repetirão isso. Tudo – pedra, flor, água, ar, terra, vento, gemido, fala, Deus – é reflexo do homem. O homem reposicionado em tudo, inclusive na sua própria transcendência. Acho até que a lua cheia, assim cheia de graça e de luz, me persegue. Saio a deambular, com a mão na algibeira, esquecido dos assaltos e dos meus inimigos de estimação. Moonlight Serenate. Eis que também a lua é inútil. Será? Assim (permitam-me esta confidência), a lua é uma mulher linda, lindíssima…
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Tudo incluído
1.
Chego ao grande empreendimento turístico e o porteiro, que faz as vezes do segurança, não me deixa entrar. Ele explica-me que posso ver o pôr-do-sol ali mesmo à entrada, mas que o hotel não aceita não hóspedes. Eu sou um não hóspede. Tanto que me contento com o sol a pôr-se no mar como uma melodia que enternece. Um sol alaranjado e oceânico. De um lado esse sol enorme, redondo e esmaecendo-se ao crepúsculo. Doutro lado, o porteiro pensativo entre as minhas razões e as razões do hotel. Entre o meu bilhete de identidade (cidadão cabo-verdiano, pois com certeza), que me deixa à porta, e a ausente pulseirinha (jura-me o porteiro nas vezes do segurança), que me faria entrar no portentoso hotel…
2.
No aeroporto, já uma vendedeira me informara das suas vendas nulas. Os turistas que chegam ou partem, tendo pago à origem o tudo incluído, não têm dinheiro para comprar um souvenir da terra sequer. O t-shirt, o bibelot de casca de coco ou de pedra, o CD, o cartão postal, a garrafa de grogue, o ponche de mel e de coco, o atum de conserva…tudo fica literalmente às moscas. Na esplanada do aeroporto, a balconista também tem queixas: “Nem uma garrafinha de água!” Os turistas chegam e partem, liderados por um tour manager, sem terem espaço para conviver com as pessoas da terra. É-lhes desenhado um cenário exótico da ilha – as suas dunas de areia, as suas praias intermináveis, as suas estradas entre ravinas -, cujo pacote deve ser comprado à priori na agência de viagens…
3.
De repente, consigo falar com um turista acidental. Um que foge da muralha do grande hotel e vem ver o pôr-do-sol cá fora. Este quer saber da língua, da música, da poesia e da culinária de Cabo Verde. Sabe que temos um país de rendimento médio e em cumprimento dos objectivos do milénio. É um evadido, um subversivo. Não se contenta com sol e praia, com os passeios pela ilha nos autocarros alugados pela operadora turística. Diz-se farto de comer pasta e pizza em Cabo Verde. Cioso de sentir o Petit Pays que Cesária Évora canta, diz ele. De repente, consigo falar com um turista incidental. Um que rompe o circuito, o bloqueio que o circuito cria. Um perigoso, amante fervoroso do pôr-do-sol cá fora…
4.
Não deveria haver um sistema híbrido, alternativo ao all inclusive dos hotéis e das aldeias turísticas, de Cabo Verde? Algo que, sem perder a selectividade, contornasse (e controlasse) a versão de turismo da pulseirinha? E que permitisse maior interacção do turista com a comunidade? Naturalmente que, sendo criativos e inovadores, não nos faltarão ideias originais ou soluções, como agora é moda dizer, para humanizar (se não mesmo crioulizar) o circuito turístico cabo-verdiano. Tão pouco nos faltarão engenho e arte para acrescentar a tais soluções a cabo-verdianidade com os seus ingredientes da arte e do folclore. Ademais, não nos dispomos a mostrar a cor da pulseirinha diante um Cuba Libre, já que Grogue de Santo Antão e Vinho do Fogo não estão no cardápio. Enfim, é tudo incluído…menos Cabo Verde!
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A Sense Of Humor

Kriol Jazz Festival
Não sei a quem realmente agradecer pelo maravilhoso fim-de-semana de Kriol Jazz Festival. Antes de mais, à Câmara Municipal da Praia pela ousadia de transformar em festival a “outra música”, a inumerável música de qualidade que a elasticidade da semântica chamará de “jazz”. Igualmente, pela Produção Harmonia, vê-se que coisa fina, da melhor cepa e estampa. O palco, a Praça Luís de Camões (ora Praceta Dr. Lereno, ora Praça da Reitoria da Universidade), o público que vibra com Lenine e pede bis, tris, parou porquê, porquê parou, e que dança com Jorge Reys e Banda pela madrugada, os aficionados que cantam com Yuri Boanaventura, tudo muito mágico, com tanta metáfora. Ver e ouvir Mário Lúcio, com uma banda híbrida e boa, a estilizar a ladainha é momento raro que a recordação irá resguardar aqui no chip. Sentir o pulsar reinventado de Tcheka, ele todo mais que artista, mas Arte em pessoa. O som pesado de Meddy Gerville, o kora de Ba Cissoko, que lembra, mas com genica de um Richard Bona, Andreas Vollenweider. Para continuar…
Horace Silver
Como munícipe desta cidade, não estarei desautorizado a fazer propostas. Que a edição do próximo ano seja em tributo a Horace Silver, o maior jazz-player cabo-verdiano-americano, felizmente ainda vivo e sem a ventura de conhecer Cabo Verde. Silver foi o criou o hard bop, estilo mais influente do jazz desde os anos 80. Ele tocou com Stan Getz, Miles Davis, Coleman Hawkins e Lester Young. Com Art Blakey, ele criou os Jazz Messengers. Mais: tem duas músicas com reminiscências cabo-verdianas – The Capeverdean Blues e Song For My Father. Vamos, minha gente, homenagear Horace Silver. Passaporte Diplomático, Chave da Cidade, Doutor Honoris Causa, essas coisas. Como diria Silver, Jazz has a sense of humor…
Modo de preparo
O segredo está no tempero à minha moda. Seja pernil de porco ou badejo no forno, seja Molho de São Nicolau, seja Djagacida, a chave do enigma começa no fogo lento, alho, limão, gengibre e coentro. Juro que vou escrever um livro sobre os temperos. Dos pratos aprendidos em Providence. Dos experimentados em Marraquexe. Da cavala frita ao molho escabeche. De como acompanhas as medidas e cronometras o tacho de feijão. De como o azeite extra-virgem e o azeite balsâmico se acasalam. De como marinar esse carpaccio de atum. Sem cardápio, sem salamaleque. Slow food. E que tal um festival de slow food crioulo? Salsa, agrião e sal grosso. Sobrando-nos apenas e tão-somente o modo de preparo…
Vela para Nossa Senhora da Graça
Hoje, estou mais calmo. Dirás que acendi uma vela para Nossa Senhora da Graça, minha padroeira. Dir-se-ia que bate em mim um remanso qualquer. Será da voz de Yuri Boanaventura que nem cantou Ne Me Quite Pas? Será do texto sobre feng shui que me torna, a par e passo, crente do Oriente e das montanhas do Nepal? Será dos olhos dos meus filhos escuros e grandes com a noite? A noite me apazigua o pensamento, não sei se devido ao vento ralo ou à sombra que se desprende dos beirais…
sábado, 4 de abril de 2009
1. Kriol Jazz Festival. Quem não foi, perdeu. A edição de ontem elencava três grandes nomes. O primeiro convidado era um filho da terra: Tcheka. O seu nome é referência absoluta da música cabo-verdiana. Nesse mesmo palco, actuou depois Meddy Gerville, da Ilha Reunião, um dos maiores virtuosos do moderno jazz instrumental . Finalmente, a chave de ouro Ba Cissoko, da Guiné-Conacri, com os códigos todos do kora ancestral e o virtuosismo de quem aprendeu o "ruído" de Jimmi Hendrix...quinta-feira, 2 de abril de 2009
Minuendos

Tcheka - Praia - CV
Meddy Gerville - Réunion
Ba Cissoko - Guiné Conakry
Mário Lúcio - Praia - CV
Lenine - Brasil
Mário Canonge & Ralph Thamar - Martinique
Baú & Voginha - S.Vicente - CV
Regis Gizavo - Madagáscar
Jorge Reyes
Orestes Lopez, Cachão & Chano Pozo - Cuba
Yuri Buenaventura - Colômbia
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Chalk drawings and messages
New York, circa 1971-early 1990s, © Helen Levitt.DESTE CAUTELAR PENSAMENTO

sexta-feira, 27 de março de 2009
Shakesperience
Saúdo toda a gente do Teatro. Essa gente esquecida nos momentos bons e recordada nos maus. Essa mesma gente esquecida quando estão em maus momentos e solicitada quando em seus melhores momentos. Essa mesma gente de circunstâncias para a curta visão e de perseverança para os de visão profunda. Essa gente que trabalha com as dificuldades sempre a favor e que choram para fazer rir e riem para não chorarem.
Os dias de qualquer coisa devem servir para qualquer coisa. Porque nem todas as coisas têm um dia, embora hoje haja um dia para quase todas as coisas, o que quer dizer que todas as coisas são importantes. Deste modo, se o Teatro não fosse importante seria uma coisa qualquer. E se é importante, isso já é qualquer coisa, nesses tempos e nesta terra em que tudo tende a perder importância se não for político ou industrial. Que ainda haja teatro em Cabo Verde é um sinal de que são uns sãos loucos que fazem este país. Mas para que haja sempre Teatro em Cabo Verde é preciso desconfiar dos doutos de ocasião, esse que fazem teatro onde não devem. As ajudas festivalescas e as palmadas em cima do chumaço não constituem políticas nem visão estética. Nem uns devem pensar que isso é suficiente, nem outros têm com que agradecer. Deve ser um imperativo de Estado o investimento no Teatro, que deve constituir a sétima arte nacional, até que o próprio teatro, prenhe como está, gere nas suas entranhas um cinema latente. Mas tendo em conta as experiências do Mundo e os recursos de que dispomos, o cinema será sempre uma visita, e o teatro, um severo inquilino.
Saúdo novamente em nome dos ausentes a todos os presentes no teatro, dos figurinistas aos actores, dos directores aos iluminadores, dos cenógrafos aos músicos, dos dramaturgos aos contra-regras, dos anotadores às bilheteiras, do público inocente ao critico aprumado, da criançada inteligente aos mecenas reticentes.
E rogo pragas para que Março seja um mês gago, e fique truncado no dia 27 para a fortuna dos anos vindouros.
Mário Lúcio, 27 de Março de 2009
Extraído do Blog Café Margoso
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Crónica a ser
Crónica a ser
Às quartas-feiras, tenho a obrigação de entregar a crónica ao Jornal A Nação. Ao arrancar o dia, geralmente saído do king size, enormíssimo para homem só, e indo directo para o chuveiro frio, começo a matutar sobre o tema a escrever. Já escrevi sobre tanta coisa! Dos bairros degradados na cidade da Praia ao festival de cerveja num dia das “quentinhas” em Munique, passando pelo sorriso fugaz num elevador de Nova Iorque, tudo isso já foi matéria da mais ou menos fantástica e da irreal das minhas crónicas. O meu Editor, pelo MSN Messanger, diz: Aguardo... Força e boa inspiração. Té Já!!! Cada vez mais, com denodo e algum esquecimento, estou a me tornar velho que nem a intocável vodka lá em casa. Caquéctico. Imaginem que até escrevi sobre os metrossexuais, os politicamente correctos, esses modismos que não valem um corno. A como é bom não cumprir um dever! Mas não sou Fernando Pessoa, palavra. Ter uma crónica e não a fazer. Afazeres…
E de tais escritos
E se escrevesse sobre os prazeres da mesa e da cama? Se, despido dos cuidados, vos convidasse a não interpretarem, pela rama e pela esquerda, a semântica das palavras do Papa, em Yaoundé? Se a sotaina, vez por outra, não ilumina outros caminhos para as 22 milhões de pessoas infectadas na África Subsaariana, três quartos das vítimas de Sida no mundo inteiro? Se, ciente da primeira, segunda e terceira das vossas pedras, escrevesse aqui que as certas verdades de hoje já são zero à esquerda ao tempo de um ai e que, de repente, Marx retorna à sua razão e Micheal Jackson quer, desesperadamente, voltar a ser preto? Se assumisse, mandando Brito Semedo à fineza de rever o canhenho, que oficializar o Crioulo não configura mosca na sopa desta ou daquela região? Estou aqui a ver a cara dos leitores e não deixo de rir sempre que, revoltados, uns desgostem dos meus escritos ou, entusiasmados, outros apreciem as minhas bacoradas. O poeta brasileiro Mário Quintana afirmaria que: “Há leitores que acham bom o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies me irritam mais”.
Abençoado tempo nosso
A ditadura com que, de modo melífluo e subliminar, nos impõem a televisão e o telemóvel, entrando na onda também o computador portátil, nos revela que, não adianta, por mais revisão constitucional feita, haverá sempre este hiato em matéria de direitos, liberdades e garantias. O nosso precioso tempo (em verdade doado pelo divino para amarmos, educarmos os pequenotes e degustarmos as maravilhas do mundo, para a “joie de vivre”, convenhamos) estará cada vez mais desviado pelos engenhos de agora que, mais do que aqueles de outrora, nos fazem escravos das coisas.
Bom mesmo
É ser “gauche na vida” e de assistir ao espectáculo do mundo com retumbante deboche. Fazer coro ao Heavy H, dos poucos saudáveis da praça: Chouchou, ratcham bisou, para o gáudio das Pirilampas. Dizia o Pranchinha, o mais desabrido dos saudosos, que não se pode aguentar a lida sem um bom grogue da Cidade Velha e um divino guisado de cabrito, a vinho branco, com mandioca sumarenta. Ou um arroz de lapa e percebes no restaurante da Marilena (Bila Baxu, para os sem GPS), milagre que faz pecar qualquer brocado. Compadre, posto estar crónica já feita, são dois dias esta vida. Sem palavrões…
segunda-feira, 23 de março de 2009
Cais de Pesca

domingo, 22 de março de 2009
Magnífico
As arraias são criaturas magníficas. Magnífico é também o liceu de Chão Bom, pertinho da antiga Colónia Penal do Tarrafal. Com a Casa do Cidadão e tudo. Magnífico ainda o Monte Graciosa que encima a Praia do Mangue, na Vila do Tarrafal, onde a minha saudosa mãe nasceu. Março é magnífico. Abril mais ainda. Lembra-me a Revolução dos Cravos, eram os anos do vosso casamento e da prisão de 61, tu a cumprires anos também (das contas que já perdi) e eu a descair-me para a poesia de novo. Maio, maduro Maio. Magnífico é não me convidarem para a festa dos poetas no Dia Mundial da Poesia. Declamei Sei os teus seios/Sei-os de cor, de Alexandre O´Neil, no 5al da Música, entretanto. Ntoni Denti Doru, Nácia Gomi e Codé Di Dona são os magníficos pilares que nos amparam a alma. Magníficas as arraias quando migram (vejam a foto) para o Golfo do México...No Inferno*

Texto do programa
Estreia dia 28 de Março, na cidade do Mindelo
www.cafemargoso.blogspot.com
*Arménio Vieira
sexta-feira, 20 de março de 2009
Fuckin' Friday
Cidade Velha
Cidade matricial, mater dolorosíssima. Primordial. As minhas escolhas trazem outros óculos de ler Cabo Verde e estes não têm lentes exógenos, nem aros sapientes de uma elite a quer fazer o branqueamento, se não a lavagem de um activo histórico, que é o afrontamento cultural, literário e identitário dos cabo-verdianos. Escolhas que questionam um país crioulo que não oficializou ainda a língua cabo-verdiana, em paridade estatutária à vigorosa e importante língua portuguesa, nem consegue descortinar que a identidade cabo-verdiana nasce, não com o chamado Nativismo, e muito menos com o Movimento Claridoso, mas com a aventura antropossocial e cultural que se configura já no século XVI.
Do zil ao zip & vice-versa

terça-feira, 17 de março de 2009
Lançados
1. Os leitores do Entre-Nós e, por tabela, os do Albatrozberdiano, sabem das minhas novas literárias, em primeiríssima mão. O lançamento do “Li Cores & Ad Vinhos” (poesia) acontece no dia 22 de Abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. O itinerário inclui também Paris, ainda no mês de Abril, e Praia, no mês de Maio. Capa do Mito e do Sílvio, big joint. O livro tem prefácio de Pedro Tamen, poeta português de referência e de nomeada internacional…
2. A Associação Pró Praia, expressão viva e necessária da sociedade civil organizada desta cidade, pretende celebrar activamente o Bicentenário de Charles Darwin, aderindo à iniciativa conjunta da Câmara Municipal da Praia e da Universidade de Cabo Verde. Igualmente, ela pretende apoiar, com reflexão e debate, a candidatura da Cidade Velha a Património Universal da UNESCO, em parceria com o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago e o comité nacional responsável pela candidatura…
3. Começa, por estes dias, o festival de jazz na cidade da Praia. Vamos escrever e inscrever esta urbe atlântica no circuito mundial do jazz. Ousemo-nos. Somos lançados…
Futuro sempre adiado
Terá chegado o momento dos novos grandes temas. Pensar a política de forma redutora e viciosa, sob a batuta da mesmice e do partidarismo alternante (mas não alternativo), acabou por cristalizar a inovação das ideias e de inibir a produção dos novos grandes temas. Praticar a política do atavismo situação/oposição, amarelo/azul ou tão simplesmente desta e doutra bancada, acabou por resultar nisto: ausência de novas teses que pudessem refrescar a reflexão e o debate sobre o futuro, por mais crescimento que haja, afinal, sempre adiado. Sem tibiezas nem hesitações, quanto mais discursos minimalistas, será que ainda vamos a tempo de introduzir a ideia de país desmilitarizado, do alargamento ambiental, da energia renovável, do fundo autónomo da cultura, do casamento dos gays, do rendimento mínimo garantido, do alargamento das férias de parto, do orçamento participativo e do micro crédito, entre outros grandes novos temas? Naveguemos pelos Blogs nestes tempos constituintes…
Momento de crise
E agora, José? Estamos a viver um momento de crise que se abate sobre o Mundo e também sobre Cabo Verde. Eu sou daqueles que, por andar pelas achadas e fajãs, gabinetes, bares e estradas, não nega a crise entre nós, nem dela fazer a defesa de avestruz. Ademais, a crise apanha a todos e sair dela é responsabilidade colectiva. O Governo, em matéria de iniciativas anti-crise, vai para além das intenções, estados de alma e generalidades. O OGE 2009, que só agora pude analisar crítica e exaustivamente, traz almofadas sociais, económicas, financeiras e fiscais, para mitigar os efeitos da crise e aguentar, com alguma segurança, o volta-face do crescimento sustentável. Por conseguinte, vislumbram-se medidas sérias e práticas para atenuar, de imediato, os efeitos desta crise sobre os investidores estrangeiros, os empresários nacionais e os mais carenciados. É que, a par de crescermos imperiosamente a 2 dígitos, o grande desafio será também inverter a linha de rumo que aprofunda as desigualdades sociais e limita os direitos dos mais desfavorecidos, isto é, reduzir o desemprego a 1 dígito. Pedra a pedra, José…
domingo, 15 de março de 2009
Quem me roubou o tempo
um
quem me roubou o tempo que era
meu
o tempo todo inteiro que sorria
onde o meu
Eu foi mais limpo e
verdadeiro
e onde por si mesmo o poema se
escrevia
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 12 de março de 2009
Glosa
E só a vida me deixou por dor ?
Quem, entre o incêndio da alma em que o ser periga,
Me deixou só no fogo e no torpor ?
Quem fez a fantasia minha amiga,
Negando o fruto e emurchecendo a flor ?
Ninguém ou o Fado, e a fantasia siga
A seu infiel e irreal sabor...
Quem me dispôs para o que não pudesse ?
Quem me fadou para o que não conheço
Na teia do real que ninguém tece ?
Quem me arrancou ao sonho que me odiava
E me deu só a vida em que me esqueço,
"Onde a minha saudade a cor se trava ?"
Fernando Pessoa
quarta-feira, 11 de março de 2009
A sério e Entre-Nós

De repente
De repente, não mais que de repente, como diria o saudoso Poeta Vinicius de Moraes, dou comigo a navegar num mar enfarpelado e quase a servir de arma de arremesso de uns contra os outros. Bem avisara o Poeta Pablo Neruda, quando a Brutalidade (com maiúsculas, com maiúsculas, meus caros) lhe fora revistar a casa, que a poesia era uma bomba. Mas, agora a sério e Entre-Nós, o que acontece neste nosso reinozinho “da Dinamarca”? De repente, não mais que de repente, ora abusando do dístico poético do saudoso, dou comigo a rever os escritos, as atitudes e as latitudes. Tão transitivas têm sido as palavras das minhas crónicas! Quão esquizofrénicas as semânticas que se me soltam entre os dedos de ser poeta! Olho-me ao espelho, virtude que, sem falsas modéstias, acompanha este cronista e arredio caminho. Descontinuar o plano de voo, jogar a bússola e o GPS borda fora, andar, se preciso for, como os caranguejos e os kutumbembens. Descontinuar, desconstruir, desfragmentar. Reformatando. De forma mais soft. Há que ser menos medíocre na vida, ora. Há que saber ouvir a 9ª Sinfonia, de Beethoven, e permanecer na fímbria dessa elegante harmonia. Fácil é estar na aldeia com ares de chefe de posto ou de sabichão de serviço, sendo o conhecimento frágil e o poder biodegradável. Sendo o drama da força, a comédia da sua resistência. Sendo a própria escrita algo a se colocar em crise e em crítica. O passo em frente, não que eu seja fã de Lenine, embora lhe respeite o feito histórico (que atrevimento!), só se compadece aos dois passos de retaguarda. Com perdão pelo hermetismo. Convencem-me do hermetismo. Seja. Vejo-me mais intimista que hermético. Vejo-me poeta, sem que isso me faça melhor ou pior que o vulgo. Ordinary people. Ordinary man. Por isso, não haverá hostilidades. Não será por aí, com toda a certeza. Nem haverá glória (referindo-me aqui à alma que não se vai à lama, posto ser lixo o luxo), e tendes prova disso, no fazer as guerras alheias. Saio de fininho pela porta por onde entrei. Saio com a lisura da sombra, com que a sombra respeita o seu silêncio. À mímica. Longitudinalmente…
Luazinha
Uma luazinha tímida invade as minhas horas. É quando escrevo crónicas assim. Sem causa, nem consequência. E sendo redundante, quase chato: longitudinalmente!
sábado, 7 de março de 2009
Duas notas

quarta-feira, 4 de março de 2009
Da antiga fotografia
O que aconteceu (e acontece) na Guiné-Bissau, independentemente das razões, a todos entristece. Mais do que isso: ensombra-nos. Que o processo de complots e morticínios face parte do processo histórico desse País, isso já o sabíamos. Paira no ar o cheiro nauseabundo dos cadáveres e dos vivos, que à causa da política, virão a ser assassinados. Da antiga fotografia, tirada em 1975, à família revolucionária, todos foram morrendo “de morte matada”, pela severina fatalidade da ganância e da arrogância. Os últimos eram Tagme aa Wie e Bernardo (Nino) Vieira. O primeiro morreu a 1 de Março, num atentado à bomba. E o segundo (para fechar o drama de tal fotografia) morreu, esquartejado e baleado, a 2 de Março. O que se possa dizer desta história, alguém conte o seu conto. Oxalá, já sem a maldição fotográfica, seja desta o fim do ciclo da violência.
Solidão roubada
Tenho um amigo sob uma tremenda provação, mercê das calúnias e da maledicência. Sem entrar no demérito de certas acções, aqui se ergue o amigo à antiga. Não seremos ouvidos para ruídos alheios. Nem seremos tolerantes à desfaçatez de “interessados”, quando escondidos sobre anonimato, mas com respaldo de certa imprensa e de certa facção que enquista o sistema, tentam montar uma realidade. Creiam que o cronista não vos será tecelão sem fio. A meada não nos aquietará para o amanhã que se apronta, posto que ninguém tem o direito de nos roubar a solidão.
MULHERES DE VERDE
Como doem as mulheres
vestidas de verde!
Vestem-se de verde
as mulheres da minha dor
quando se travestem
de mulheres perdidas
Vestem-se de verde
as mulheres dos meus amores
quando se mascaram
de poetusas pedintes
perdulárias poetisas
carentes pitonisas
Como doem as mulheres
vestidas de verde!
Vestem-se de verde
as mulheres dos meus ardores
quando esbeltas amantes
fêmeas insones
ardentes predadoras
se transfiguram
em húmidas alucinações
em mim branco delas
esculturais sob a impura
e sonolenta cumplicidade
dos lençóis lascivos
Como doem as mulheres
despidas do verde!
Despem-se do verde
da máscara e das suas fulgurações
as mulheres dos meus alvores
quando discretos emboscamos
os íntimos medos os seus pavores
e devoramo-nos
e ressurgimos
límpidos e fogosos
os risos lúbricos
amplos cristalinos
Queluz e Lisboa, Janeiro de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Nino Vieira
Março
Êxtases
As de sinuosa curva das palavras, a mais íngreme,
Com metáforas penduradas ali no peitoril,
São as que, por visceral, me motivam à Poesis…
Não te direi tudo dos verbos, de como,
No topo de abril, dos carapetos e cumes,
De outros parapeitos, onde a semântica, ciosa,
Se refugia silenciosa entre mim e o nada …
Virar, em passe de mágica, as cores de avesso,
Transmutar, pelo reverso, fiapos soltos de rosa,
Prosa que também se solta às flores que voam…
Olhar, quando não sentir, só o das borboletas,
O dos arfares na calada e o dos suores receosos,
Deste recheio do êxtase, de tudo ser nada disto…
Filinto Elísio
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Otherwise
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Mais um grau de separação
Mais um grau de separaçãoquarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Covardia

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Desobediente

sábado, 21 de fevereiro de 2009
Das Kapital
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Momismo & etc

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Cada post
Sei que perscrutas o Albatroz a cada post e, ao mínimo desvio de sintaxe, lá estás tu, com mão estrita, a corrigir-me o deslize. Olha que a vírgula está mal posta. Andas com um português de deputado, poças. Vê-me lá isso da inversão dos pronomes. Sei também que escrutinas, ao milímetro, a semântica do que escrevo e, por ti, as palavras passam a ser um jogo, hermético para os outros, mas axiomático aos teus pressentimentos. Tens andado na lua ou no luar? Onde será fantasia e quando é realidade? O espelho que te olha é um políedro maluco, está-se mesmo a ver. Sei ainda que o fazes por crença, quando não por fé, e, se dou por fim este Blog, dolosos serão teus dias. Que outras aventuranças se não estas de te navegar em intertexto? Que outras metáforas voam, elas iguais ao "Príncipe das Nuvens", em cada lapso do que dizes?segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Cicciolina
fevereiro sol
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Azul
Nada como ouvir Princesito a cantar Azul, um batuku progressivo, uma lírica em skating e um arranjo com a boa griffe de Hernani. Espectacular. Minina si bu mai folau, minina n ta nhemeu ti n farta...
Revertério, poxa
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Cronópios

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Bosão, tetrápodes e sujas

Penso, logo inexisto
Meninos,terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A quem possa interessar

A quem interessar possa
Dança das Ilhas
Melhor Idade
Tão lindo quanto
E por falar nisso
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Blog
Blog é site de autor. Às vezes, pode ser animado por colectivo. Outras vezes, prestar-se-á a joint. Mas, estruturalmente, Blog é para o ego meeeeesmo. E depois? Jorge Tolentino escreveu isto: cada Blog tem a sua razão de ser e estar. Que é fundamental que cada um se sinta bem. Com descontracção, sobretudo. Sempre que escrevo um post, digo para os meus botões merde à celui qui lira. Que dimensão cósmica nos empresta este Fevereiro, por exemplo? Vejamos todo o insólito, dir-se-ia explosão de uma supernova. Viemos de Deus? Dos deuses? Dos não deuses? Do Big-Bag? Ou do Rebond? Quem sabe ainda nem tenhamos vindo. Que frio na cidade da Praia. Entro num Starbucks imaginário e du café, beaucoup de café. Du Café Margoso. Diante da Gare, os clowns e os robocops confrontavam-se. Enquanto isso, benjamins de merda preparam-nos a constituinte. A actualidade vampiriza a realidade. Hay que endureserse...
Turismo
Quanto ao Turismo, eis o sector que precisa ser requalificado em Cabo Verde. Com urgência. Não apenas para transcender o binómio sol & praia, mas para acrescentar melhor e mais diversificada oferta. Este País tem potencialidades ambientais, paisagísticas, culturais e históricas. Potencialidades humanas, sobretudo. A promoção turística deverá passar por mais complexidade e mais ousadia. Reinventemos a nossa opção pelo Turismo. Crioulizemos o Turismo! Alupekemo-lo. Distanciemo-nos dos caminhos tomados no Sal e na Boavista posto que, soberanos da silva, não nos contentamos chulos, putas, passadores de droga e vendedores ambulantes. O importante é recolocarmos o eixo no Arquipélago e não nos aderirmos ao circuito de forma atávica e acrítica. Não podemos aceitar o estatuto do indigenato recauchutado, nem levar a cabeça para o altar dos novos canibalismos do capital. O Turismo é, antes de mais, diálogo e conhecimento. É, antes de mais, afã antropológico. E que seja sustentável, no que a semântica empresta força a tal sentença…
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Scarlett Monumenta
Skeptoid 1
Blogaria
Ó Balentin, óóóó
Argila
a vida se divide
e em duas artes
o imponderável
do corpo se revela.
Pela primeira arte
o rito do amor é chamas;
pela segunda
o mito da paixão é dádiva.
E a dor de não amar
o amor é devaneio torpe
porque o prazer inflama
a dor de não doar
o corpo ao precipício.
E tudo que tu dizes
o barro dos teus olhos
o brilho do teu rosto
o sal dos teus dedos
de marfim e tédio
tudo é impasse
pois tudo está exposto
à liturgia da divisão das partes.
Dimas Macedo
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
When the saints go marching in
Of those who've gone before,
And we'll all be reunited,
On a new and sunlit shore,
Oh, when the saints go marching in
Oh, when the saints go marching in
Lord, how I want to be in that number
When the saints go marching in
And when the sun refuse to shine
And when the sun refuse to shine
Lord, how I want to be in that number
When the sun refuse to shine
And when the moon turns red with blood
And when the moon turns red with blood
Lord, how I want to be in that number
When the moon turns red with blood
Oh, when the trumpet sounds its call
Oh, when the trumpet sounds its call
Lord, how I want to be in that number
When the trumpet sounds its call
Some say this world of trouble,
Is the only one we need,
But I'm waiting for that morning,
When the new world is revealed.
(Popular)
Have you met Miss Jones
tal qual à neve, apaixonada tu das névoas,
das paisagens baças, que das metáforas,
direi, sopro dos pubs, mesmo que proves,
brisas dos beirais, choupos e janeiras,
este amor de vida toda, o mirar o tibre,
o sol atreito de uma tarde que parte
o alarde pretérito das horas impúdicas,
e tu, ouvindo blues, sejas noite infinda,
fria...
filinto elísio
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Ventania
Venta em Cabo Verde. Às vezes, com o pó de terra. Outras vezes, com o friozinho da boca-da-noite. Quando venta, lembro-me do conto “Noite de Vento”, de António Aurélio Gonçalves, prosa crioula insuperável. O vento, na Fonte de Filipe, vem de longe, de terras desconhecidas. Aflora a Assomada de João d´Évora com um rumor de fornalha, crepitando por uma linha de cumeadas. Belíssimo! Venta. Ventania. E alguém me diz que, diante de tamanho apagão, deveríamos pensar na energia eólica a sério, pois esta alimária dependência dos fósseis inibe qualquer pretensão competitiva. Venta e isto me sugere um campeonato de windsurf. Do kitesurf. E isto, bem feito e com parcimónia, já seria economia. Nem sempre economia é hard, podendo no nosso caso ser soft – dos serviços. Do conhecimento. E do entretenimento. Venta em Cabo Verde. E o cata-vento, no cimo desse telhado, me ensina que mudar de rumo (do País, que não há meias-medidas) é sisma de povo heróico…
Suprematura
Dos 33 aos 83… refiro-me obviamente ao STJ. Ou da absoluta inocência à absoluta falta dela, passando pelo pacto partidário a nos impor juízes, e a desvirtuar, uma vez mais, o espírito constitucional que ora reclama, como pão para a boca, urgente revisão. A amplitude etária de 33 a 83, que é do imberbe brio ao caducado relator, é o intervalo com que a nossa Justiça doravante se assenta, estando metade do País a deplorar a promíscua confusão entre o pacto e o conluio. E deste novo arquétipo, cuja desnatura espanta o nosso demónio aquiescido, só nos restará o refrão do hilariante poema de Arménio Vieira – somos animais de capoeira! – vate que reflectirá a zoomórfica sensação diante dos dados lançados. Por que teremos de passar aos nossos deuses tamanho cheque em branco?! Dizer mais que isso não será apanágio de cronista, mas de toda a cidadania deste arquipélago que, a estas horas, deveria ocupar as ruas…
Esse “ntufato”
Tal como um “entremeio de calcinhas” ou um “ciccioto di mezzanote”, assim a imitar o Setebelezas, o Prancinha gozava dos “novos revolucionários”. Os rapazes e as raparigas resolveram, depois de algum espavento, matar-nos o velho. Seria para amanhã. Mas a estória que broxou a História, já que a intenção era mais risível que o siso, fora de o velho estar morto desde ontem. Diante de assaz desprimor que o florilégio da leviandade permite, essa rapaziada resolve, de uma assentada, emigrar-se para o novo território da semântica. Estou hermético? Não se riam, mas, no começo, era o Verbo… (mas só sintaxe, companheiros).









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