terça-feira, 28 de agosto de 2007
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Ambiente
sábado, 18 de agosto de 2007
O bilinguismo nosso de cada dia
0.
Não apenas a missa, mas a Biblia devia vir em crioulo. Igualmente, a intervenção no Parlamento e a propria Constituição Nacional reclamam uma versão em língua cabo-verdiana. Quanto mais, o anuncio nos voos da TACV, depois do inglês, do francês e do português. Para não falar dos hospitais, dos tribunais e das escolas primárias. Disse "escolas"? Agora, com a reentrada do ano escolar, eis um debate a ter: a língua cabo-verdiana. Ou, com mais propriedade: o bilinguismo nosso de cada dia...
1.
Fernando Pessoa dizia, em toda a grandeza, "a minha pátria é a língua portuguesa". Direi, ja sem originalidade, nem aspas, mas com a mesma grandeza, que a a minha pátria é a língua cabo-verdiana. A língua portuguesa, que amo muito e me da relativa ressonancia, é a minha segunda natureza. A minha natureza uterina e primordial é crioula. Em consequência, e por muito mais, defendo a oficialização do crioulo.
2.
A língua, por ser muito importante, tem de ser também encarada como uma questão política da primeira grandeza. Por isso, o Estado não se deve demitir da sua função constitucional de desenvolver a língua cabo-verdiana, em prol da construção progressiva de um real bilinguismo. A Constituiçao Nacional afirma, como ditame até, que deverão ser criadas as condições para a a língua cabo-verdiana seja oficializada, em paridade com a língua portuguesa. Como sexta língua mais falada no mundo [210 milhões], o português não é apenas um valor cultural inestimavel, mas um recurso estratégico fundamental para o desenvolvimento e a inserção no mundo globalizado.
3.
4.
5.
Quanto à fala, estamos conversados. Nada de falácias, meus senhores. Cada um fala como fala, em sua região ou ilha. Não se impõe fala a ninguém. O que se pretende convergir, unificar e padronizar, em termos gramaticais e sistémicos, é a escrita. Com ou sem kapa, no fonologico ou no etimologico, à esquerda ou à direita, aos badius e aos sampadjudos, impõe-se-nos a todos esta defesa, valorização e desenvolvimento da língua materna cabo-verdiana e incentivar o seu uso na comunicação escrita.
6.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Estios - perdidos & achados
O cheiro a café mistura-se a chocolate e a pão quente. Chemin de Carabout. Faz uma manhã de griso. E chove. Os poetas arrogantes são tigres de papel. Leio, quase a rir, dos versos online com que, em desagravo, te homenagearam, meu poeta. Gostei tamhém foi do Abraão que exortou à Eileen a não se deixar levar pelos tremeliques da canalha. Importa não ser intelectual com respiração assistida. E aqui à mesa: o ovo meio cozido, passado a manteiga. A salada de frutas. Pressinto a tua imagem e vale mais amar que ser doutrem amado. Temos sido estios perdidos, que foram longos anos de me alombar contigo. Tudo é cumulativo - dos Alpes aos montes da minha terra. Deitar novas achas à fogueira, quem sabe. Mas, olha, não me meço em tantas demoras, estando tu à minha espera. E, como diria Sophia de Mello Breyner Andresen, não creias, Lídia, que nenhum estio, por nós perdido possa regressar...
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Thonon les Bains

Em Rhone-Alpes - Haute-Savoie, mais precisamente em Thonon les Bains, as flores, como os repuxos, estão em viço nos jardins. Uma grande avenida, recortada sempre à beira do Lago Léman, fez-nos passear deste lado da França. Além, quase na divisa dos nossos olhos, a "promenade" de Lausanne. No Inverno, Rhone-Alpes serve para esquiar. No Verão, é navegar pelas águas. Mas, no ar e quando venta, o remanso de perfumes antigos...
domingo, 12 de agosto de 2007
O letreiro do Hotel de la Paix

De tudo, fica um pouco: fiapos de Baudelaire,
Imagens e manchas de ti no meio do lago,
Fio de lágrima escorrido, esse fogo de artifício,
Pegadas em mim do que foste, sobretudo...
Bocados de Rossini, de Verdi e de Respighi,
Teu gostar de prata, de viagem e de nuvem,
Esse ainda brilho com que ouvias, encantada,
Como eu vira, lindas, auroras de Marraquexe...
Ficam, de teres vivido, teu halo de Mystère,
Esse élan de seres afinal esfinge, musa e lira,
E na luz do teu sorriso - Codigo de Da Vinci...
As montanhas de Cabo Verde, estas ficam
E navegam comigo tempos e lugares, estas,
Quais cisnes, o letreiro desse hotel, que és tu...
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Eileenístico
O Ródano e o Oceano - adeus a Vário
Por ter muito de infinito, é poema,
Como teu verso, de metáfora e meia,
Soletraria fossemos nós uno e vário...
Em tese, não haverá enfim morte,
Nem outra sorte, rosa ou cotovia,
Lua toda e parte nossa em desvario,
Que não balbuciasse esta alquimia...
Lago, espelho de água que desliza,
Códice da letra, da terra, da palavra,
Que lavra lágrima e ciência da beleza...
Sendo Ródano, mas tambem Oceano,
Tudo sendo nada e, no vagar, lugar
Onde sinta o mundo e te faça adeus...
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Arte facto
Filas for Sale (Nigerian Impression Series), 1972
Acrylic on canvas
72 x 52
The Museum of the National Center of Afro-American Artists
Linhas da Alma

Acredito ser impossível apreciar a arte de boa qualidade e não desejar tê-la para si, uma vez que a arte é a extensão do nosso imaginário e do nosso desejo de estar-no-mundo e de lutar até onde as energias da vida possam permitir.
A arte atravessa os caminhos escuros do nosso inconsciente e, na proporção em que se vai tornando soberana, projeta no espaço do nosso exterior o caleidoscópio no qual nos espelhamos. E não há como fugir da sua linguagem sedutora, da sua tentação desafiante e dos lençóis de linho com os quais ela nos envolve.
Ana Costalima é uma artista plural e multifacetada. Toca os mais diversos instrumentos da escansão poemática e vai da gravura e da escultura do ferro à pintura de linhagem clássica que aponta para o limite de todos os desejos.
E sabe manipular, como poucos, o desenho de linhas abstratas e a alquimia das formas como se fosse uma equilibrista que caminha por fios de arame sem a necessidade de nenhum elemento de apoio.
A escultura, de longe, parece ser o seu supremo campo de domínio, mas não é. Ana Costalima é mais do que aquilo que aparenta ser e muito mais ainda do que aquilo que dela se possa imaginar, isto é, é mais do que aquilo que a sua exposição - Linhas da Alma - pode revelar.
Mas é em Linhas da Alma, acredito, que ela demonstra, como poucos, o quanto é possível transformar as estruturas pesadas dos materiais resistentes em folhas laminadas em branco e em linhas que apontam para as grandes levezas da vida.
A dança das formas resistentes, a leveza significante do traço, o desenho simbólico da sinergia da alma, a comandar o prazer e o deleite dos apreciadores, são valores e achados com os quais Ana Costalima nos encanta.
Todos os recursos da criação artística que até hoje lhe foram facultados ela os reuniu nos objetos que constituem essa exposição.
Um crítico de arte talvez aqui quisesse inventar teorias ou escolas, tendências estéticas ou didáticas para enquadrar as suas perspectivas de trabalho. Mas não é isto o que penso a respeito da sua criação cultural. Acho tão-somente que Ana Costalima é uma artista de traços criativos, que prima pela leveza da forma e do desenho, que sabe que a energia suprema da vida é o amor e que os desafios da arte de viver implicam, necessariamente, em tomar a criação ponto de partida.
E a criação como ponto de partida é tudo o que importa a Ana Costalima, especialmente quando se debruça sobre o ofício de escrituração do poema. É poetisa, sim, e escritora, no sentido mais justo da palavra.
Desliza, como poucos, pelas linhas do imponderável. Não é uma engenheira do poema, no sentido cabralino do termo. Não escreve pela emoção, mas pelo ouvido. Compreende sinais, interpreta signos, fixa a atenção num ponto qualquer do horizonte, desce olhar sobre o papel e o poema explode em forma de canção e de resguardo de sua doce sensibilidade.
Faz poemas como se estivesse ouvindo alguma partitura. Vozes musicalizadas. Melodias sonoras. Texto preparado para a escansão e para as grandes energias do corpo.
A palavra, em Ana Costalima, constitui a sedução de todos os prazeres. O movimento, o alento, o alimento, nesta ordem de partida do zen oriental, integram a sinergia do texto que ela nos dirige.
É impossível olhar para Ana Costalima e não sentir. Olhar para Ana Costalima e não criar.
Ruy Duarte de Carvalho (*) lembra João Vário

PARA UM CIENTISTA VÁRIO
.... é injusto que o mérito do que escreveu, por razões evidentes, basta decifrar-lhe a dimensão, tenha passado ao lado dos critérios que podem assegurar notoriedade a uma obra, e com ela nem tanto a glória vã mas tão-só apenas talvez uma qualquer hipótese de intervenção, enquanto o que foi deixando escrito não terá nunca deixado, já se vê, de acionar os dos juízos que governam e comandam o mundo, os da lisonja e do serviço a esses,os do medo, os do despeito, os da inveja e dos oportunismos vis...
.... calha que ele morre enquanto ando à volta da figura de Ernst Junger, que também andou por Angola e eu cruzei com ele... esse era, para além de ter sido quem foi como escritor, um entomologista desvairado, com dois espécimes, no catálogo das descobertas do século vinte, batizados com o nome dele : um é o Trachydora juengeri e o outro a Cincidela juengeri.
... autor tão tido em conta como ele era, ouvi-lhe em Calulo, no ano em que a minha filha Eva nasceu lá também : ’... é talvez a única coisa que ficará de mim... Lineu trabalhou para a eternidade...
.... também o doutor João Varela, se não o poeta João Vário, ficará seguramente para a história... consta que durante certo tempo da sua vida foi cirurgião eminente de operações ao crânio das pessoas e que durante os seus trabalhos de tese, na Holanda, chegou até a formular qualquer coisa capaz de assegurar-lhe, também a ele, a eternidade... quando lhe fui apresentado em Luanda, talvez para aí em 77, o também finado já, mas esse há muito, saudoso Africano Neto, assegurou-me estar em presença, precisamente e sem mais, nem menos, do inventor do síndrome de Varela... é pouco para ele... e ainda assim é triste... mas é bem-feito e consola...
* * escritor angolano, autor, entre outros, de Os papéis do inglês, Como se o mundo não tivesse leste, Hábito da terra... O presente texto saiu no jornal Público.
Semana Online
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Joyce
Nunca supus que isto que chamam morte
Tem só uma demora de passagem
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
A contarem das sêmeas
Soletravam à beira dos charcos, nas gretas da rua,
Bêbados, nem todos noctívagos, nem felizes,
Bebiam mágoas – ora euforias, ora metáforas,
E vi ali ainda poetas, dos que sofrem palavras,
A contarem das sêmeas o soçobrar dos versos
E dos bocados de sílabas, pela inércia surda,
Retirei ali retratos da tua nudez e, em surdez,
Já de serem só silêncios e sonetos as sobras,
Mais do que pracetas, terços e tercetos, viagens,
Nuvens que nem fonemas, quase morfemas,
Tuas broas, loas e outras ilusões, tão fêmeas
Tais flores nos jardins dos reversos, inversos
De nada. De tudo. De nada, afinal…
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Balanço

Doravante (e por alguns dias), estarei mais bissexto do que o habitual. Motivo de férias, com os meus filhos, Denzel e Pablo. Igualmente, tempo para repensar em muita coisa – formação, profissão, política, arte e vida sentimental. Tentarei ser contido e sucinto para comigo. Já não tenho idade para ser (e estar) caudaloso. Vou Blogar, de vez em quando. Só de vez em quando…prometo.
sábado, 28 de julho de 2007
Non, je ne regrette rien
Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !
Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé !
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux !
Balayées les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro
Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal !
Non ! Rien de rien
Non ! Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi !
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Uma didáctica qualquer

1.
Estará a faltar entre nós a pedagogia da Arte, a didáctica para se ensinar e se aprender, apreendendo, a Arte. Torna-se, não só possível, como necessário, educar a percepção, a imaginação, a observação, o raciocínio e o controle motor. Educação para a Arte, sim senhor. Sem deixar o lado espontâneo, do cognitivo das coisas, a Arte tem a ver com a elaboração, a “ciência & o engenho”, que demandam mais cultura e permanente aprendizagem. Não acreditando tanto no “bon sauvage” ou, como diria o Pranchinha, "brabu na txada", nesse sem critério puro do gostei/não gostei, a minha modesta opinião é pela Educação para a Arte. Entre nós, torna-se imperioso discutir iniciativas que contemplam rupturas de paradigmas e que negociam novas fronteiras entre a Arte e a Educação. Introduzindo nesse processo, entretanto, a arte da Educação…
2.
Não se escuta a música de Prince, "deseducadamente". Tão pouco se olha assim para "Guernica", de Pablo Picasso...
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Sorriso

Acordei-me a sorrir. Há muito que não o fazia, confesso. Vou a janela e creio estar apaixonado. Pelo mundo, sobretudo. Pela vida fluente em mim e que desagua nos outros. E vice-versa. Por ti, naturalmente, que és a minha musa ancestral. Vou auscultar o meu coração, a minha tensão arterial e a minha poesia. Não devem estar normais. Estarão, no mínimo, em estado interessante. Levianíssimos da silva. Demo-nos de caras ao espelho e imaginei-os a cuidarem de mim. O que pensariam eles de mim? Agora que vou ao teu encontro…
Se antes, retive este ímpeto, saberão também eles, como num poema de Neruda, que tiritam azuis os astros no céu. Em Paris, sob a chuva fina de Montparnasse, soube que não és virtual, mas de carne e osso. Só tu tens a dimensão, quiçá inatingível, de perscrutar o voo dos albatrozes. És imponderável em tudo e não te fias em molduras. E isso me fez bem. No mais fundo de mim…
Frágeis e “deboles”, como todos os seres, afinal finitos e relativos, angustiados sempre diante da “pedra no meio do caminho”. Por mim, estamos mais que conversados, sublimados e curados. Amigos, a sermos, havendo portas e janelas abertas. Colaboradores, o quanto baste, em prol de um mundo melhor. Livros, para ler, mesmo os deixados nas partidas. Nada de dramas, que estes são ridículos e não pagam os sofrimentos. Grandes remédios – ah, antídotos dos venenos todos – estes que emanam dos males reciclados…
Acordei-me a sorrir e estas palavras, soltas e desconexas, são um exercício de fragilidade. A ver se me concedo aos voos da minha alma…
sexta-feira, 20 de julho de 2007
O tigre a tigretude
Hoje, mais do que nunca, entendo as razoes de Almada de Negreiros ter escrito “A Cena de Ódio”. Esta província também não é fácil. Estarão eles habituados ao preto dócil, domesticado e civilizado. Admoestado nos salões do império e empedernido nas sapiências da metrópole. Esse não. Não serei eu o órfão desse império. O Pai Tomás da Cabana. O serviçal, meio capataz, chefe de secção, administrativo nas colónias e férias graciosas. Olho-me ao espelho e divirto-me de não ser mulato safado. Ó solitário, este deserto de imbecis…
2.
Dois jornalistas de serviço, desses mauzinhos a polvilhar todas as profissões, gritou literalmente o Carmo e a Trindade, porque, num exercício de livre opinião, chamei de mentecapto a Salazar e de pacóvio a quem nele “votasse”. Naturalmente que não disse tudo, pois, como diria Wole Soyinka, Nobel nigeriano, o tigre não badala a sua tigretude, mas salta na presa para a devorar.
3.
Manda-me o José Luís Hopffer Almada os seus versos. Li-os e fiz aceso comentário. O vate do José é maduro e conseguido. Cheio de tensão e intensidade. Adensada poética, necessária, cada vez mais necessária, entre nós…
4.
Mas há bocado passaram-me pelas mãos os sonetos de Januário Leite. Loiça rara. Colocando cada peça no seu espaço, há poetas que ficam fora do puzzle. Januário Leite é bardo de outra galáxia…
De tudo em torno falar mantenha
1.
Em verdade, os Kings of the Mambo, cada um com as suas razões, pretendem jogar fora a água suja do banho, não se cuidando do menino que ali vai. Seria preciso uma análise de fundo, não só para destrinçar o cujo das calças, mas para apartar a “fergadura” da criança ora lavada. O Palácio da Cultura Ildo Lobo é, sem dúvida, um grande equipamento cultural na cidade da Praia. Mas, a par da infra-estrutura, ele demanda outra dinâmica de produtos e serviços culturais, em quantidade e qualidade. O tal “mau gosto”, a que se refere alguém a soldo e a saldo, reclama uma desmontagem pela reconfiguração e reformatação do Palácio da Cultura. É que nada acontece por acaso. E tudo, à claridade ou à sombra, anda afinal ligado. Até onde vai o Mambo para o gáudio dos Kings?
2.
Outra solução, que não a da unidade de cobrança da Electra, urge ao Palácio da Cultura Ildo Lobo. Ouvindo uns e outros, creio legítimas, mais do que legítimas, as reivindicações sobre a requalificação do Palácio da Cultura, em termos de dinâmica e animação. Um verdadeiro centro cultural será aquele com orçamento, curador e agenda cultural. Cultura on going. Insisto na solução de parceria público-privada. Válida para o Palácio da Cultura Ildo Lobo, o Museu da Tabanka, o Centro Cultural do Mindelo, o Auditório Nacional Jorge Barbosa, o Centro Cultural de Santa Maria e – porque não? – o Centro Nacional de Artesanato, entre outros. Doutra forma, é o que se vê: erros de paralaxe, excessos de Estado, deficits de privado, Electra pelo meio…e Cultura em circunstância!
3.
Piano, piano, pianíssimo, meu caro. Contestemo-lo, mas devagar. Os budistas recomendam alguma demora ao redor de uma simples flor. Ou de olhar mais compenetrado ao frágil voo da borboleta na China, que pode desencadear tempestade no Peru. O velho, a matar amanhã, está morto, desde ontem. Mas, nem por isso chove a cântaros nos meus desejos de tudo em torno falar mantenha…
quinta-feira, 19 de julho de 2007
O sino e a estrela-guia

Como um Albatroz, queria tão-somente voar pelo improvável da Poesia e vasculhar, sem lenço, nem documento, os atalhos do Tempo. Ou da temporalidade, onde nenhuma Claridade ofuscasse a liberdade.
Não tenho nenhuma obra “definitiva” em mente, tão-pouco estou armado em monge budista, ou me afirmo como um eremita de causas, simplesmente o desejo de sair da cena como quem muda de função que já não motiva.
Os meus próximos, todos sem excepção, um tanto surpresos, hão de querer explicações que não tenho e os meus “inimigos de estimação” terão motivos de alguma alegria. É que o sino, para além da campânula e do badalo, é a estranha missa que prenuncia. E até os que me acusam de hermético, não de todo ignorantes, saberão a quantas vai o campanário.
Mas, quiçá a tua voz, inaudível para os demais, me alerte (esse teu apanágio de anjo bom): - Olha, que ainda as coisas não estão maduras. Há filhos a educar, caminhos a trilhar, revoluções a fazer! Aos outros custa acreditar que, pelo menos por ora, a tua voz é minha estrela-guia…
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Givin’ It Up
Acordo cedo a ouvir o álbum “Givin’ It Up”, de George Benson e Al Jarreau. Confesso precisar disto, de vez em quando. Não que eu tire os pés do chão, mas sinto que o meu chão é mais largo. Se calhar, maior do que o meu horizonte. A ligeira impressão do infinito. E esta música é meio “breeze”, mas…liiiiiiiiinda. E porque não?
Palácio da Cultura Ildo Lobo
Um estranho quiproquó em torno da presença de um posto comercial da Electra nas facilidades do Palácio da Cultura Ildo Lobo. Não que eu ache interessante a gente chegar ali e deparar com a cobrança de água e energia, e não descortinar intensa actividade cultural. Nada tenho contra que um centro de cultura traga embutidos outros serviços de facilitação geral, desde que não o faça em detrimento do seu “core business”, no caso, a Cultura. Havendo agenda cultural, permanência e dinâmica culturais, nada obstaria que o Palácio também oferecesse outros serviços (tipo Loja de Cidadão, por exemplo). A questão de fundo não é a Electra, meus amigos. Estará o Palácio da Cultura Ildo Lobo, ora desfalcado dos meios e recursos, sem curador, nem orçamento, em condições de dar à cidade da Praia, que é hoje uma grande complexidade cultural (em demanda e oferta, bem como em qualidade e diversidade), o que realmente se almeja? As soluções público-privadas para o Palácio da Cultura Ildo Lobo e outros centros públicos de cultura (em torno do país, diga-se) não seriam consentâneas com o que se quer, afinal? O problema não será mais global do que particular, mais de fundo que de circunstância? Vamos pensar as coisas pelos fundamentos e não pelas consequências. É a causa das coisas o busílis da questão. Com ou sem Electra…
Combate por Cabo Verde
Como um dos apresentadores do livro, “Combate por Cabo Verde”, de Felisberto Vieira (Filú), andei por estes dias por Porto Novo, Ribeira Grande, Mindelo, Espargos, Assomada, Mosteiros e São Filipe. Diferentes lugares e diferentes públicos, mas todos ensinam a dimensão deste Arquipélago – em strictu sensu – Global. Tal como este itinerário, o livro é uma proposta de reflexão e debate com a visão própria, muito própria, de Filú, um dos grandes protagonistas da política contemporânea, em Cabo Verde. O autor traz cenários e temas para uma discussão alargada da cidadania. Cá por mim, o livro não pára aqui. Nem agora. Há obras que alavancam uma certa prospectiva. Precisamos que mais escritas assim. Do Filú. E dos outros…
sexta-feira, 6 de julho de 2007
A Fonte de Sangue
Assim qual uma fonte em rítmicos soluços.
Eu bem que o escuto numa súplica perdida,
Mas me tateio em vão em busca da ferida.
Pela cidade vai, como entre espessos buxos,
As lajes transformando em ilhas e repuxos,
Matando a sede em cada boca ressequida
E a paisagem deixando em púrpura tingida.
Muitas vezes pedi a um vinho caviloso
Aplacar por um dia o horror que me domina;
O vinho aguça o ouvido e os olhos ilumina!
Busquei então no amor um sono descuidoso;
Mas o amor para mim é um leito de suplício
Que a sede há de saciar a essas ninfas do vício!
Charles Baudelaire
Live Earth set to rock the world on July 7

by: Catherine Hours 4 July 2007
From New York to the Antarctic, from Shanghai to Rio de Janeiro, the world is getting ready to rock Saturday as organizers of the Live Earth events seek to raise awareness of global warming.
Some 7,000 events in 129 countries including eight giant concerts are being promoted by former US vice president Al Gore as part of his passionate bid to focus attention on the dangers of climate change.
The 24-hour event on July 7 includes music, theater and other shows and will be broadcast live worldwide to get the message across to two billion people about the need for drastic measures to protect the environment, say promoters.
A wave of music is set to ripple round the globe starting in Sydney then fanning out to Tokyo, Shanghai, Johannesburg, Hamburg, London, New York, and Rio.
Some 150 stars including Police, Genesis, Madonna, Bon Jovi, Ai Otsuka, Eason Chan, Mana, Joey Yung, Shakira, Linkin Park, Rip Slyme and Red Hot Chili Peppers will be taking part.
Smaller concerts will take place in other cities, most notably Kyoto, where countries came together to establish the Kyoto Protocol aimed at reducing greenhouse gas emissions that contribute to climate warming.
Another show will be held at a British base in the Antarctic, where some of the effects of global warming are the most visible.
"This monster line-up will ensure Live Earth meets our goal of bringing together people from around the world to combat the climate crisis," says Live Earth founder Kevin Wall.
"Live Earth will be a monumental event both in terms of entertainment and in turning the tide against global warming."
Gore, whose film "An Inconvenient Truth" about climate change won this year's Oscar for best documentary, says one of the key aims is to urge a massive reduction of carbon dioxide (CO2) emissions by 2050.
"If we are going to solve the crisis, we have to commit, and we have to do it now," he said.
"Live Earth will ask people across the world to commit to changes in their lives and to move other people, communities, companies and governments to reduce our carbon output by 90 percent by 2050 and ensure there is a new, global treaty on climate change by 2009.
"The number of participating countries, has however, fallen short of what organizers had hoped for. No Muslim country is taking part; and Turkey has vetoed a concert in Istanbul for security reasons and a lack of interest.
Plans for a concert on the mall in front of the US Congress in Washington were also turned down by Republican lawmakers.
Wall compared it to organizing 10 soccer World Cups at the same time. The concerts will be carried on television stations and on the Internet, at liveearth.msn.com.
Spectators will be invited to sign a statement on Live Earth's Internet site or by text message.
The event's organizers are also calling on people to support energy conservation and alternative energy sources, to plant millions of trees and protect the world's forests, and to support groups dedicated to protecting the environment.
Gore said he will attend the concert in New York and will also appear at another surprise venue.
Each venue will feature top global performers: in London Madonna, Red Hot Chili Peppers and Black Eyed Peas will headline; in New York, Police and Smashing Pumpkins.
Tokyo will get Rihanna, Linkin Park and a bevy of Japanese stars like Ai Otsuka, while in Kyoto Ryuichi Sakamoto and Rip Slyme will top the bill.
In Rio Lenny Kravitz, Pharrell Williams and Macy Gray will share the stage with Brazilian stars, while in South Africa UB40, Angelique Kidjo and Joss Stone will take the stage. Shakira and Enrique Iglesias perform in Hamburg.
Gore said he had asked the artists to compose songs for the occasion, and praised Black Eyed Peas for promising one and coming up with it in seven days. He also cheered Madonna's offering: "Madonna's song is fantastic," he said.
Ticket sales for the events will benefit The Alliance for Climate Protection led by Gore.
liveearth.org
http://www.climatecrisis.net/takeaction
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Contrapontos, congruências e divergências...

1.
Esta é a manhã de Julho, a mais ditosa de todas as manhãs, há trinta e dois anos conquistada. Levanto-me relativamente tarde. A Rádio de Cabo Verde está com uma programação “patriótica”. Leio alguns textos – uns poéticos, outros nem tanto – sobre a pátria e a anti-pátria. Telefona-me alguém: “Não. Não vou à sessão solene na Assembleia Nacional”. Escrevo, também eu, um poema à pátria. Na primeira estrofe, é angustiosamente existencial. Na segunda, começa a ser marcial, quase épica, tomada de leviandades. Não me atrevo a escrever mais, embora aceite não haver duas sem três. Pois, faz anos, hoje, este grande amigo, de quem não abro mão. Aquele que é nosso, de pertença mesmo colectiva – “Doce Guerra”, como o vaticinou Antero Simas –, mas que, no íntimo, é tão meu, neste paradoxo de ser mais mátria que pátria. Os jornais estrangeiros afirmam estar Cabo Verde numa encruzilhada. Em verdade, é fado desta nação viver nas encruzilhadas. Mas isto…são outros quinhentos, não me referindo aos 5 séculos, naturalmente...
2.
Mudando. Dou umas voltas pelo Monumento ao Emigrante, concebido por mim e o arquitecto Carlos Hamelberg, e contextualizo a crítica (a despautério) do artista Tchalé Figueira. Projectado para corporizar, em padrão e obelisco, uma homenagem ao Emigrante, o dito artista – qual Sancho Pança –, parece não ter apanhado o “clue” do Monumento. Ou se o apanhou – agora numa de Ajonjo Quijano e em mais tristíssima figura –, alinhou-se ora às riolas da “parvónia”. É que o “buraco” é mesmo mais em baixo, Mon Petit. E não há como engolir e trazer desaforos para casa…
3.
Indo, entretanto, a procissão no adro, só queria que isto fosse mais claro. Tenho orgulho de ser cabo-verdiano. Este é um país que, feitas bem as contas, merece os elogios e os aplausos que recebe. Naturalmente que o muito que já se fez ainda é muito pouco. Amor a amor; dor a dor, como diria o Poeta. E todos nós, inteiros, nesta combustão louca de sermos Nação. Em verdade, mais não digo, devendo, agora, levar a passear o Pablo pela Praça do Papa. Que linda manhã de Julho! Bem, meus companheiros, eis Cabo Verde. Contrapontos, congruências e divergências...
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Morabeza - Pelos Blogs
Não sei, mas devo ter confessado aos leitores que sou fã dos textos blogueiros de Eileen, que não conheço pessoalmente. Ela tem uma soltura que me encanta. E eu, simples blogueiro já nem esperando Godot, navego pelo Soncent, que é “sabe pa fronta”. E Eileenístico é como se chamará o seu primeiro livro, de contos e crónicas…
Son
Son di Santiagu traz em post as cartas abertas, minhas e do José Luís Hopffer Almada. O debate terá de continuar sem fulanizações ou mesmo adjectivações fáceis. Muito menos de aceitar, anónimos a dizer das suas. Em democracia, todos os devidamente identificados têm direito à palavra. É que os cidadãos querem o seu bom-nome. Não nos faltando nome, nem currículo, continuaremos na lida…
Maktub
Uma loura espampanante, exactamente como veio ao mundo (com alguns atributos bem mais desenvolvidos que a média), em poses provocantes…já não se faz jornalismo em condições, ó Vera Lúcia. Tiver…tivesse algum decoro. Do erotismo, saudável elemento, queremos ver tudo, ou quase tudo (o Eros está no ponto quase), mas a pornografia, vade retro…
Tatarana
Regressando à sordidez, à pornografia, ao mau gosto, à bandalheira, ao insulto, ao despautério, à imbecilidade, às nódoas de vinho, ao fedor a urina e a todos os demais atributos, quase em tudo almejando o reverso, não da “classe”, mas das belas letras, tenho o prazer de velejar por Tatarana, com gozo e aventura. Esse Blog também crioulo…
O dia que passa
O Blog da Margarida Fontes tem estado meio inconstante. Falo mais de quantidade do que qualidade, diga-se de passagem. Afinal é nele que, vez por outra, se postam os skecthes de Pablo Neruda. A época baixa tem a ver com alguma intenção sabática ou a dona de Os Momentos entrou nisto de bissexto como alguns de nós, aliás? De qualquer forma, como um voyeur interessado, dou ali a espreitadela quotidiana…
Da Faladera
De repente, quem também parece estar numa longa matutação é a Kamya. Quanto silêncio! Vou ali e nem um post para remédio. Nem unzinho sobre o Cinema ou aquele autocarro que a leva casa-trabalho-casa. Que a matutação desemboque em tempos mais produtivos e intensos, porque precisamos, como pão para a boca, das inumeráveis falas. So pa fla…
Morabeza pró ca”#/**%”lho
Concordo com esse olhar indignado de Abraão Vicente contra uma eventual (ou será real?) submissão da Cultura ao Turismo. Mas terá de ser vice-versa, meus senhores. Temos de instituir um Turismo que vá além de sol e praia, e se aproxime de outros valores, como os ambientais e o cultural. Nada a ver com a falaciosa morabeza que coloca os nossos adolescentes à mira dos tarados internacionais. Assino com o Vicente: morabeza pró ca”#/**%”lho…
segunda-feira, 2 de julho de 2007
As aventuras de Batman e as últimas da Tequilla

1.
Estou na cidade da Praia, há alguns dias, mas não tenho saído praticamente de casa. Passo o tempo a escrever e, nas horas vagas, revejo alguns amigos e familiares. O melhor dos meus dias, porque tempo de qualidade, são as conversas com o meu filho Pablo. Obviamente, não entra o “estranho gato” que vai pela TACV, nem a decisão do Pró Praia em não “dormir na forma”, mas as aventuras de Batman e as últimas da Tequilla, o poodle que veio do Brasil…
2.
Escrevi ao meu amigo Dimas Macedo, ora em momento sabático, comentando o texto do nosso, também amigo, Audifax Rios. Este falava do ser humano, esse estranho bípede, como um coquetel de paixões.
3.
Sim, dá que pensar a sabedoria dos gregos antigos e vê-los como encaravam a complexidade humana, embutida das suas entidades – Eros, Ludus, Estorge, Ágape, Pragma e Mania. De todas, Eros é o deus do amor, movido pela paixão e pela libido. Ludus é uma espécie de poeta, fugindo aos compromissos do poder e do quotidiano. Estorge apaixona pelos amigos. Ágape é misógino, nem gosta de sair de casa. Pragma é prático e interesseiro, de todas é a que serve para fazer política. E Mania é ciumenta patológica, nada a ver com a razão, obsessiva nas suas coisas. Diante desta olímpica exposição dos gregos antigos, só nos resta tentar entender que o outro lado das coisas também tem luz e sombra, precisando, como deste lado, um reflexo de espelho…
4.
Li um texto de Jorge Tolentino e, para além da sua fina pena, gostei como crítica a falta de ética de pretensos colegas, aderentes e afins. A mediocridade, tão maledicente quão subjacente, exige, em santa verdade, briga desabrida. Homens maiúsculos, como Tolentino (o Jorge, naturalmente), precisam-se nestas paragens. Aqui, nesta Tapadinha, onde se queimam santos com “santos de casa”, se ofendem pessoas sob anonimato dos jornais online e se financiam campanhas com certos dinheiros, dizia, aqui neste lugar, outrora de morabeza, mas ora de panfleto anónimo, cada vez mais, precisamos dos homens bravos. Dos que não se agacham…
domingo, 1 de julho de 2007
Património Mundial com 22 lugares a preservar

Diário de Notícias
quinta-feira, 28 de junho de 2007
The Sole of Africa
É um movimento de solidariedade, à escala mundial, apadrinhado por Nelson Mandela e Graça Machel. Cada um doe o que pode, para salvar crianças em situações críticas. Em África, devido a minas anti-pessoais, fome e HIV-Sida, há milhões de crianças a precisar da nossa ajuda. Estando Nelson Mandela e Graça Machel à frente, há garantias de que a doação chegará ao seu destino e não aos bolsos dos ditadores e salteadores que dominam o Continente. Eu doei 48 USD e ajudei a erradicar 16 minas anti-pessoais. Faz tão bem participar no The Sole of Africa…Check this out: http://www.thesoleofafrica.orgquarta-feira, 27 de junho de 2007
Walking on the Moon

Quando, amiúde, teço a teia destes versos
Tão pouco sua graça divina e dela, profana,
Ofertada em corpo, luxúria e banho de pétala…
Busco, se tanto, uma luz como a de acalento,
Um soluço que debruce, seja pranto ou riso,
Na tua face, quando minto, pinto ou encanto,
Com meu canto, a cobra verde dos teus olhos…
Acariciando, sem receio, esteio da morte, sinto
As sombras da vida, em caminhos insinuados,
Virem todas dormitar no abrigo das palavras…
E pressinto nessa vinda, melodias e metáforas,
Broas, poemas e fonemas, orgasmos alguns,
Vinho, absinto, honras e outros descartáveis…
A Praça & etc
Elucubrações em torno da Praça Alexandre Albuquerque tem havido muitas. Nem todas fazem vênia ao seu traçado monumental, com áurea de praça mexicana clássica, estando num lado a igreja e a justiça, depois a edilidade e o clube social, no terceiro lado, a banca e o comércio e no quarto, a fechar o quadrado, os sobrados. Os cantos são os reis de um baralho de cartas: o rei de copas (Carlos Magno), o rei de paus (Alexandre Magno), o rei de ouros (Júlio César) e o rei de espadas (Rei David). No meio, a fonte da vida, que passa os munícipes pela “água”, e a guarita, onde a banda municipal, com valorosos “musguêros”, a redundar certo repertório. Havia também uma esplanada que foi mandada destruir por um edil num assomo estético-desconstrutivista ou possuído pelo finado de Nero, o Imperador, que, num dia de “blue devil”, mandou queimar Roma. O certo é que, mais dia, menos dia, mexendo essa Bastilha, faremos construir, pedra por pedra, a velha Esplanada 12 de Setembro, imortalizada, aliás, num poema de Arménio Vieira, a.k.a., na praceta mais acima, por Conde de Silvenius...
2. Haja luz
Parar o Palácio da Cultura, virado Ildo Lobo, saudoso amigo, por causa da escuridão, parece uma grande ironia. A Electra tem cada uma. Isso é coisa que se faça em tempos de Claridade! Haja luz, de Kafuka (ó vida breve) ou de podogó, quem sabe de reeditada Pró-Cultura, para que as Artes fluam nessa Casa, desenhada sim para ser um centro cultural vivo e animado, movimentado e agitado...Escancaradamente, como quis seu criador. Bem, quanto ao cheirar a cemitério - onde guardas dormem tranquilamente e as aranhas se instalam comodamente...E o lugar anda a precisar de um orçamento, de um curador e de uma parceria público-privada. Direi o mesmo do Auditório Nacional Jorge Barbosa. Do Museu da Tabanka. Do Centro Cultural de Santa Maria. E do Centro Cultural do Mindelo. O Estado a definir padrão, a agência a regular e o privado a disseminar cultura – figurino que me parece mais consentâneo. Haja luz, a tal que António Aurélio Gonçalves vaticinou em “Virgens Loucas”. Deus há de “helpanu...móoodi”. E longe de nós que o Palácio da Cultura venha abaixo. Nem por alegoria, ó pessoal...
3. Bomba termonuclear
Estou a imaginar as ilustres cabeças pensantes diante do Palácio da Cultura. No banco dessa praça, onde um projecto de bomba termonuclear ainda paira no ar. Já viram o piso com "Pano di Terra"? Para lá de chique, convenhamos. Para compor quadro tão surrealista, apareciam meia dúzia de bois a pastar. E como bebedouro, o não menos ilustre tanque, ora armado em fonte luminosa...
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Parada Gay

A VIII Parada Gay de Fortaleza, autêntica passeata cívica contra a homofobia, o racismo e a violência, é algo lindo e impressionante. Muita música, dança e plástica. Muito amor sem fronteiras. Cada um tem o sexo que quer. E porque não? Num dos vários trios eléctricos, a prefeita Luizianne Lins e a actriz Zezé Mota. E, como dizia o frevo de Caetano Veloso, atrás do trio eléctrico, só não vai quem já morreu…
Carta Aberta a José Luís Hopffer Almada

Sem renegar o passado (importante como nunca), razões de futuro me impedem de responder à letra a Carta Aberta de José Luís Hopffer Almada. Todavia, para que a História não fique solteira, nem continue tal Escrita assim em nebulosa, devo, a rigor, tecer alguns comentários sobre a dita Carta Aberta:
Estranhou-me bastante que um suposto esclarecimento viesse em texto tão caudaloso, sobrando em tamanho o que lhe faltaria em nexo;
Não quero, entretanto, de forma alguma fazer pouco de José Luís Hopffer Almada (poeta, ensaísta e activista cultural), pessoa que tenho em alta conta como intelectual, com lugar conquistado (por mérito, diga-se), na História da Literatura de Cabo Verde;
Tão pouco tenho por ele sentimentos de animosidade ou de endeusamento, razão porque não me detenho em diálogos recorrentes, pouco esclarecedores das situações do passado, onde, para além do feito, certos egos e certas vaidades resvalavam pelo strip-tease em público;
Apenas quis, no meu Blog, deixar bem claro que se fui homenageado pela CMP, como o foram outros, ora e outrora, não terá sido por pedido ou pressão a ninguém, pois não funciono com bilhetinhos, salamaleques e apoios sub-reptícios, mercê desta minha liberdade, personalidade não orgânica que carrego. Na acepção mais gramsciana do termo;
Reconheci razão de fundo, também no meu Blog, ao artigo anterior de José Luís Hopffer Almada, na medida em que, a ter de homenagear o Movimento Pró Cultura, alguns nomes imprescindíveis deveriam ser considerados. Entrementes, e pessoalmente, não fiz para ser lembrado, nem homenageado, como membro desse Movimento, diga-se em abono da realidade;
Para aquietar a alma de José Luís Hopffer Almada, telefonei-lhe em Lisboa para um encontro amigo, que acabou em troca de livros e de palavras fraternas, e mandei-lhe, posteriormente, um e-mail, dizendo disposto a contribuir para que alguma sombra entre nós se dissipasse, para o desgosto dos senhores instalados e ciosos do lugar ao sol;
E sobre a Sopinha de Alfabeto, folha cultural do artista plástico Mito, a que aderi, com Eurico Barros e Arnaldo Silva, em 1986, reafirmo que ela não foi uma dissidência do Movimento Pró Cultura, mas sim um projecto inovador e desafiador num tempo monocórdico, em que os intelectuais teriam de estar “abalaicados” sob a luz difusa do “Glorioso”, afinal de tristíssima memória;
Todavia, há de ficar lavrado para a História que José Luís Hopffer Almada nunca aceitou de ânimo leve a Sopinha de Alfabeto, tendo em vários escritos minimizado o fenómeno e, em vários encontros, assediado os seus integrantes. Não posso negar ter sido alvo de tais “interpelações”, tendo relevado subsequentes “mimos” por motivos bem circunstanciais, estes sabidos e comentados;
Sem recusar, repito, a todo esse passado e ao papel que coube a uns e outros, humildemente, reconheço que todos têm sido úteis e capazes de fazer História. Doravante, estaremos ainda juntos na mesma dinâmica cultural, pois é o futuro sempre a falar mais alto;
Não querendo ser obtuso, nem esdrúxulo, muito menos chato e cansativo, com textos grandiloquentes, fico mesmo por aqui, crente de ter dado ao leitor, de forma bem sucinta, a minha verdade das coisas e, sobretudo, a minha versão dos factos – por sinal, despoletados há 21 anos!
Com esta Carta Aberta, gostaria de encerrar este quase quiproquó que, pelo menos da minha parte, não belisca o companheirismo (literário, artístico e cívico) por José Luís Hopffer Almada, pese embora certo paradoxo.
Em perfeita morabeza, mas sem exagero nem egolatria, creia-me ele seu bom amigo e confrade,
Filinto Elísio Correia e Silva
Tempo

Afoita, a morte e de nada vale, rídicula,
Esta teima de ficar entre vórtices do ar,
Quando nem Deus a flutuar nos engana…
Fica sim pelas ganas, do inscrito corpo,
Faz tu nele profana escrita, hossanas,
Glosas e preces, tudo que enfim sirva
E te guarde enquanto a vida nos levar…
A fina poalha do oásis, em que deserto,
Onde te descobres, redonda geometria,
Rente à clâmide da lua, pedra dissoluta…
Vi-te em caligrafias íntimas, tardificada
Sob esse poente, a tua boca tão de fruta
O resto medra, sendo ora lavra, ora larva…
domingo, 24 de junho de 2007
Cimboa
O curso vem sendo ministrado pela equipa do IIPC, para dez participantes repartidos entre jovens de Chão de Junco e jovens da Vila do Tarrafal.
Esta equipa, perfila, para além do historiador Charles Akibodé, que supervisiona o atelier, o militar Pascoal Fernandes, músico, artesão e monitor, e Manuel António Barbosa, assistente e funcionário do IIPC. Ambos têm tido vários contactos com o Nhu Eugénio, de 67 anos, tido como o último fabricante de Cimboa no Município do Tarrafal, e uma das presenças mais importantes desta semana cultural.
Cabo Verde na Coraçon
Cabo Verde na Coraçon, na Casa Fernando Pessoa, em colaboração com a Embaixada da República de Cabo Verde em Lisboa.
25 de Junho (18h30)
Coração de Coral. Exposição de materiais da vida quotidiana de Cabo Verde (patente até 5 de Julho)
Música de Cabo Verde ao vivo. Pontche de honra.
26 de Junho (18h30)
Diálogo com Arménio Vieira. Apresentação de Torcato Sepúlveda.
Lançamento do novo livro de Arménio Vieira, Mitografias (Ilhéu Editora, Cabo Verde)
28 de Junho (18h30)
Lançamento. Na Sol di Nhas Angústia, antologia de poemas de Álvaro de Campos em cabo-verdiano, com tradução de José Luiz Tavares. Edição da Casa Fernando Pessoa.
Leitura de poemas pelos poetas cabo-verdianos: José Luís Hopfer Almada, José Luiz Tavares, António Neves, Alexandre Conceição e Mito.
4 de Julho (18h30)
Lançamento do CD de poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, com a apresentação de Afonso Dias.
4 de Julho (21h30)
Cabo Verde na voz de todos os poetas. Poetas lêem autores de Cabo Verde: Francisco José Viegas, Dora Ribeiro, Luís Carlos Patraquim, José Luís Peixoto, José Luís Tavares, José Hopfer Almada e Alexandre Cunha.
Música de Cabo Verde ao vivo. Pontche de honra.
Emissão de rádio em simultâneo (Portugal-Cabo Verde) a partir da Casa Fernando Pessoa para assinalar o dia 5 de Julho, Dia da Independência de Cabo Verde.
Casa Fernando Pessoa
Rua Coelho da Rocha, nº 161250-088 - Lisboa Portugal
Telf: + 351 21 391 32 75
www.mundopessoa.blogspot.com
Feirinha
Uma das coisas que me encanta é o quotidiano montar e desmontar da Feira de Artesanato, a Feirinha, na calçada marginal, diante de casa. Da janela, perscruto esse labor que envolve tanta gente e revela o nível da organização municipal em Fortaleza. Sendo cidade turística, a Feirinha foi projectada como mais um pólo de atracão e de captação de receitas. O artesanato e o cordel cearenses, bem como a gastronomia, são ali apresentados com algum esmero. Os preços são justos. A segurança e o asseio estão garantidos. E o resto, esse montar e desmontar…quinta-feira, 21 de junho de 2007
Desta travessia

Domiciliado ou exilado, o certo é que, deste 10° andar, o mundo mede as suas distâncias. Gonzaga, o moço das faxinas, acha que o mundo daqui é uma bela paisagem. Crisolino, pelo telemóvel, adivinha-lhe apenas uma grande vertigem. Pranchinha, saindo das páginas do Jornal Horizonte, já morto, alerta que estou na idade de mais juízo. Vou à “janela da sedução” e dou uma tremenda gargalhada. Fazendo eco no hotel ali defronte...
Assim tão pendulado...
Não quero que o leitor, lá porque deu de ser voyeur, fique nesse pendulado entre o ambíguo e o dividido com que vou tecendo os meus textos. Havendo coisas mais interessantes por aí, quem sabe Luana Piovani pela esquina, patológico será demorar pelo Albatroz, esperando um Godot que nunca vem ou uma besta de Dom Sebastião. Tanto que suprimi o contador, mudei o fundo preto pelo acastanhado e assumi de vez a segunda metade dos 40. Agora que nos tornamos PDM, talvez até europeus de quinta e deportamos negros da Costa. “time” se tornou demasiado “money” para se perder com parnasos tão rebeldes ou ironias pelos cantos. É que o confrade e o leitor estão, in advance, totalmente desculpados...
Desta travessia
Decerto, querem saber desta travessia. Se vou por aí ou por ali. Desisto na estrada ou sigo a viagem? Nuvem ou alguma vertigem. Metáforas que vou colhendo. Minha musa será real ou virtual? Toda pedrada ou híbrida? Ou não será mesmo nada disso? A realidade destrói os sentidos e dá pinote nas imagens. A alteridade do caos e da ordem. A promiscuidade da luz e da sombra. O duplo em tudo. Ou muito mais do que isso. Mais do tempo que do lugar, desgraçadamente este Albatroz. Doravante, não serei poeta do contido. Nenhuma claridade me ofusca, nem me aprisiona. Tão pouco me excita. Como diria Affonso Romano de Sant’Anna: “reinventar no claro o seu contrário...”
terça-feira, 19 de junho de 2007
Tricas
Mito
Cidades
A cidade grande é boa para o Zé-da-esquina, em que todos nos tornamos, a sair da estação do metro ou a atravessar na passadeira. A cidade pequena, convenhamos, o Zé nem pode desandar pela porta dos fundos, que tem uma comadre sempre atrás das persianas. E amanhã, logo cedo, na “Rádio Praça”, eis que Maria está na rua da amargura. Ademais, cansa-me o pitoresco dos lugares sem bancas de revistas. Arre…
Em alerta amarelo
Por gostar de Nova Iorque, não recebo nenhuma ameaça da Al Qaeda. Nem assédio dos sionistas, por detestar o actual Governo de Israel. É claro que esses palestinos também não ajudam muito. Prefiro os gregos antigos, quando filosofavam. Serei alvo, se tanto, dos lobos e cabras do cutelo. Serei mesmo um zero à esquerda, como diria o Pranchinha, sempre que viesse do “S/Cem Margens”, as tais crónicas. Mas para ti, meu coração, conto muito, “cada vez mais muito”, que eu sei. Tanto que, antevendo tudo, já estou em alerta amarelo…
Portas de ninguém
Releio o poema de Arménio Vieira, aquele que pergunta se já não viste um homem subitamente triste por ganhar no totoloto. Ganhar, ganhou o Chelsea ou Liverpool, deixando-nos esta sensação de também termos ganho algo. Em verdade, ganhar é apenas e tão-só uma sensação. Umas vezes, de euforia muito relativa. Outras vezes, nem isso…
domingo, 17 de junho de 2007
As palavras

Secretas vêm, cheias de memória.
Desamparadas, inocentes,
Quem as escuta?
Eugénio de Andrade
Banda Larga Cordel
Pôs na boca, provou, cuspiu.É amargo, não sabe o que perdeu
Tem o gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu
Tem um gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel da banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu
Uma banda da banda é umbanda
Outra banda da banda é cristã
Outra banda da banda é kabala
Outra banda da banda é koorão
E então, e então, são quantas bandas?
Tantas quantas pedir meu coração
E o meu coração pediu assim só
Bim-bom, bim-bim-bom, bim-bão
Todo mundo na ampla discussão
O neuro-cientista, o economista
Opinião de alguém que está na pista
Opinião de alguém fora da lista
Opinião de alguém que diz não
Ou se alarga essa banda e a banda anda
Mais ligeiro pras bandas do sertão
Ou então não, não adianta nada
Banda vai, banda fica abandonada
Deixada para outra encarnação
Ou então não, não adianta nada
Uma vai outra fica abandonada
Os problemas não terão solução
Piraí, Piraí, Piraí
Piraí bandalargou-se há pouquinho
Piraí infoviabilizou
Os ares do município inteirinho
Por certo que a medida provocou
Um certo vento de redemoinho
Diabo do menino agora quer
Um ipod e um computador novinho
O certo é que o sertão quer navegar
No micro do menino internetinho
O Netinho baiano e bom cantor
Já faz tempo tornou-se um provedor – provedor de acesso
À grande rede www
Esse menino ainda vira um sábio
Contratado do Google, sim sinhô
Diabliu de menino internetinho
Sozinho vai descobrindo o caminho
O rádio fez assim com o seu avô
Rodovia, Hidrovia,
Ferrovia e agora chegando a infovia
Pra alegria de todo o interior.
Meu Brasil, meu Brasil, bem brasileiro
O You Tube chegando aos seus grotões
Veredas dos Sertões, Guimarães Rosa
Ilíadas, Luzíadas, Camões
Rei Salomão no Alto Solimões
O pé da planta, a baba da babosa
Pôs na boca, provou, cuspiu
É amargo, não sabe o que perdeu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu
Solilóquio

No “Domingão do Faustão”, da TV Globo, o concurso de danças de salão – desta feita, o zouk –, mobiliza a minha atenção. Paradoxalmente, vejo-me mais interessado que o habitual e fico estranho diante do fenómeno. Não levo tanto a sério as “passadas” e os “cambrês”, bem como as sinuosidades, das celebridades, mas algo dessa música sensual tem mesmo a ver comigo. É uma questão de pertença e de identidade. Será música cabo-verdiana? Sei lá! Mas terá de ser música cabo-verdiana para ter algo a ver comigo? Eu me identifico com o bom samba, salsa, blues ou fado. O bom tango, com certeza. O jazz, do clássico ao free, passando pelo bop. O que me dá “groovie” é a alma. Mais alma, como dizia Orlando Pantera. Venha em forma de morna ou de batuque. Ora venha também em forma de zouk. Pois, livre de alguma coisa esdrúxula, entro nessa dança…
Tudo pode acontecer
Pode não ser hoje. Nem amanhã. Mas algo há de vir. Assim quando menos se espera. Alguém a bater à porta e, sem pedir licença, a entrar pela casa dentro. Também não importa arrumar a sala, trocar o sofá azul pelo vermelho. Nada diz que será a domicílio. O aeróbio não saiu de moda. Mas o interessante é que nem terá lugar marcado. Pode até surgir na esplanada defronte. Ou no cais que dá para o oceano. Tudo pode acontecer…
Assaz Paraíso em seus insólitos...

Em Paris, passei belos momentos ao lado do meu amigo, Mito. Ambos, e pelas mesmas razões, precisávamos de Paris em tais circunstâncias. Conversámos muito – artes plásticas, poemas, jazz, amores, nossos meninos e, obviamente, Guillaume Apollinaire – e deambulámos, “um coche”, por Saint-Germain e Montparnasse. Num restaurante cubano, à nossa mesa, uma musa me olhou com ar de salvação. Como na canção do mal-amado. Pena que o Mito, absorto e embarcado em pop latino, viajava em outros mares. Logo ele que, no vate, no flash ou na tela, não deixa escapar assaz Paraíso em seus insólitos...
À Busca do Arco-íris
Li, com prazer, a entrevista de Ambrizeth Lima, no A Semana Online. Ambi, que termina um 2º Doutoramento, na Harvard University, com a dissertação “À Busca do Arco-íris: Raça, Etnia, Género e a adaptação de jovens Cabo-Verdianos no contexto de Família, Escola e Comunidade nos Estados Unidos”, é uma mulher de enorme inquietação intelectual. Com ela e outros colegas, criámos o Gabinete de Produção Mediática e o Amílcar Cabral and Martin Luther King Annual Conference, nos anos noventa, em Boston. Retive a sua inquietação em pelo menos dois actos públicos em que participámos: a conferência de Ângela Davis, em Brandais College, e o recital de Allen Ginsberg, na Boston Public Library. O nosso saudoso amigo, Zeca Correia, recém-falecido, dizia-me sempre: Cabo Verde precisa de gente desse quilate…
Aos Blogs
Fui aos Blogs, ler os outros, e das coisas que me apanharam, desta feita, foi um post de Eileen, do http://www.soncent.blogspot.com/: Risquei um fósforo e acendi uma vela. E com a mesma chama, acendi um pau de incenso de jasmim. Sabes que te alumiei também, lá no canto onde estavas, imitando olhos de cão azul de Gabriel Garcia Marques, dos tempos em que ele escrevia coisas esquisitíssimas. Leiam-na. Que ela, assim em primeira pessoa, tem luz e sombra…
Poeisis
Dedico-me ao trabalho e aos estudos. Gosto das duas coisas. Em verdade, tenho uma visão helenística do trabalho que, para os antigos filósofos, significava “poeisis”. E “poiesis” quer dizer “poesia”, entenderam? Escrever, para mim, é uma vocação produtiva, que me dá gozo, sustento e realização. Ademais, o intelecto é a única coisa que, quanto mais se gasta, mais se tem. Por isso, ganhem outros no totoloto, que eu vou escrever, escrever, escrever. Incessantemente. Até que essa musa venha me salvar…
sábado, 16 de junho de 2007
Toy Story
Marina Kappos
“Claridade” na Terra da Luz
Começa-se a esboçar a montagem de um programa sobre a Cultura de Cabo Verde, no Ceará – o projecto “Claridade” na Terra da Luz. A pretexto de homenagear o centenário da 1ª Geração do Movimento Claridoso, pretende-se organizar um atelier dinâmico com palestras, feira-do-livro, espectáculos musicais, exposição de artes plásticas, passagem de modelo e apresentação gastronómica, num evento a ter lugar em Fortaleza, na última semana de Outubro, sob os auspícios da Secretaria da Cultura do Ceará.
Explicações…en passant
Por ter sido o primeiro no Brasil, ainda em 1881, a abolir a escravatura, o Ceará ficou conhecido como Terra da Luz; por ter tido, ainda em 1894, a primeira Academia de Letras, o Ceará é reconhecido pela ancestralidade da sua literatura; e por ter influenciado, como todo o Nordeste Brasileiro, aliás, o Modernismo Literário Cabo-verdiano, de que o Movimento Claridoso foi corolário – por tudo isso, fará sentido esta “nossa” montagem que, passem o pleonasmo e a redundância, seria “Claridade” na Terra da Luz.
Don’t freak me out
Cansado, de tanto escrever um relatório, sobre a tese e, sobretudo, agastado, de tanto convencer o orientador, sobre o interesse de limitarmos as coisas a Ceará e Cabo Verde, preparava-me para “fechar a loja”. Outrossim, uma confrade, confundindo-se em “helena” dos meus escritos, atribui reparos profissionais, que ora faço, a pressões de uma tardia quão eventual relação de chefia e de foro mais íntimo. Tenho um momento explosivo, fico fera ferida e me estilhaço por todo o lado. Peço desculpas (se culpas tenho) de não ter mesmo “fechado a loja”. Com essa absurda sensação, vou ao cinema, e durmo durante terça parte do filme. Please, don’t freak me out…
A par disso
Sou aquariano, tal qual o quadro 101, de Marina Kappos. Emotivo e franco, olho-me ao espelho e vejo reflectidos tantos peixes coloridos. A vida, ela mais do que a morte, é uma Toy Story…
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Também há poesia no Japão (また日本で詩歌を持っている)

Sendo soneto a grande medida
Contido jasmim, em renga ou tanka,
Sua linda folha, em haikai, caída
Metrifica, como petrifica, a estação…
Também há poesia no Japão,
Onde o sol nascente é gongo
E, de amarelo, destila graça
Pelo Irão, do Xá e do Ayatollah …
Cotovia também no Paquistão,
No Afeganistão das pipas, onde
Khaled Hosseini as quis melodia…
Versos da China, Índia e Ceilão,
O rei, a Sherazade e as noites mil,
E os encantos da Pérsia são poesia…
Filinto Elísio
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Da fome e sede, ó sêmea
E eu te coma, coração, cada bocado
Desse corpo e, à fome, te resguarde
Para o santo repasto de mais tarde,
Onde, à gula, te beba, meu vinho…
E eu te saiba, ali como um adivinho,
Prenunciando simples aragem, nuvem
Ou penugem em teu pêlo, este ladrão
Que te deseja só groselha e vadiagem…
Me embriague agora e todo o sempre,
Ter-te santa, fruta ou fêmea, tal musa
Que me não tire de cuidados e acaso…
Deambule, eu de aceso e louco, ruas,
Avenidas e alamedas, em perdidos
& achados, covas de sêmea, ó fome…
Filinto Elísio
Do frescor de fruta
Tão logo aportaras, terra virgem ainda,
Já te lambuzaras do frescor de fruta,
Da resina, assaz viscosa e venenosa,
Em quão profano Adão amara Eva...
Mal chegado, de escaler ali varado, tu,
Senhor das ilhas, marcaras, a passo,
Teu compasso, onde, lindos, o vasto céu
E o proceloso mar, ó noite, se beijavam...
De amar, as estórias de soleira ou luar,
Princesas, príncipes, bruxas e sereias
Ou simples sapos, assim em luminário...
Pecadores, ou de tais águas, pescadores,
Na demorada fome dos corpos, ardores,
Só de fruta, quando, amor, tudo se come...
Filinto Elísio
Há Blogs e Blogs
A Eleuda de Carvalho
Príncipe das Astúrias para Bob Dylan
Heartworn Highways #2Andrew Bick
Bob Dylan foi galardoado na quarta-feira com o Prémio Príncipe de Astúrias das Artes, por ser "um mito vivo na história da música popular e farol de uma geração que teve o sonho de mudar o mundo". Dylan bateu um leque de concorrentes que incluía a pianista portuguesa Maria João Pires e a cantora cabo-verdiana Cesária Évora. Em verdade, este cantor e compositor americano, mas também escritor, cineasta e actor, tem sido uma figura notável na época contemporânea. Ele mudou de nome, de religião e de estilo musical ao longo da sua extensa carreira, que já resultou em quase 50 álbuns e centenas de canções. Na acta oficial, o júri reconheceu Bob Dylan, aliás Robert Allen Zimmerman, como uma figura «muito viva na história da música popular» e como um símbolo «de uma geração que teve o sonho de mudar o mundo».
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Morre pioneiro do cinema africano





