O património histórico da bela cidade de São Filipe continua a provocar aceso qüiproquó. A cadeia da polémica alargou-se e assiste-se agora a uma divergência de posições entre o Governo e a Câmara Municipal. Esta última acusa aquele de “politicamente inconveniente e tecnicamente inoportuna”. Sinal de ambiente democrático, meus senhores. Vejam o fenômeno pelo seu lado positivo. O âmago de tudo é a preservação e a promoção do património histórico, um dos maiores recursos da cidade de Pedro Cardoso. De momento, não se antevê outro factor alavancador do desenvolvimento de São Filipe que não o investimento pesado na sua história e no património que a testemunha. Para um turismo sustentável e integrador, como é moda afirmar. Delapidar esse património ou mesmo negligenciá-lo é claramente perigar o futuro da cidade. As atitudes de Fausto de Rosário e outros, a despeito das querelas antigas, algumas típicas da freguesia, devem ser tomadas como uma chamada de atenção para o futuro patrimonial, no rol das riquezas nacionais. Eu louvei-os e saudei-os, de espírito aberto. E naturalmente que Manuel Veiga fez a coisa certa em pedir delicadeza, elegância e competência. O património histórico transcende o crivo exclusivo da Câmara Municipal. E já agora é assunto que extravasa o próprio Governo. É questão (interdisciplinar) que interpela a todos (e não apenas os da nossa geração). A perspectiva demanda por isso a cidadania mais crítica. Pessoalmente, pareceu-me simplista, anacrônica e redutora a forma como a edilidade vem enfrentando o afrontamento protagonizado, em boa hora, por Fausto de Rosário e outros...
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Em defesa do património
O património histórico da bela cidade de São Filipe continua a provocar aceso qüiproquó. A cadeia da polémica alargou-se e assiste-se agora a uma divergência de posições entre o Governo e a Câmara Municipal. Esta última acusa aquele de “politicamente inconveniente e tecnicamente inoportuna”. Sinal de ambiente democrático, meus senhores. Vejam o fenômeno pelo seu lado positivo. O âmago de tudo é a preservação e a promoção do património histórico, um dos maiores recursos da cidade de Pedro Cardoso. De momento, não se antevê outro factor alavancador do desenvolvimento de São Filipe que não o investimento pesado na sua história e no património que a testemunha. Para um turismo sustentável e integrador, como é moda afirmar. Delapidar esse património ou mesmo negligenciá-lo é claramente perigar o futuro da cidade. As atitudes de Fausto de Rosário e outros, a despeito das querelas antigas, algumas típicas da freguesia, devem ser tomadas como uma chamada de atenção para o futuro patrimonial, no rol das riquezas nacionais. Eu louvei-os e saudei-os, de espírito aberto. E naturalmente que Manuel Veiga fez a coisa certa em pedir delicadeza, elegância e competência. O património histórico transcende o crivo exclusivo da Câmara Municipal. E já agora é assunto que extravasa o próprio Governo. É questão (interdisciplinar) que interpela a todos (e não apenas os da nossa geração). A perspectiva demanda por isso a cidadania mais crítica. Pessoalmente, pareceu-me simplista, anacrônica e redutora a forma como a edilidade vem enfrentando o afrontamento protagonizado, em boa hora, por Fausto de Rosário e outros...
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Esse mar revisitado

(A palavra mar morreu há muito.
Esse mar, quem sentiu mar?
Mas tu, de acreditares em fénix e
nas cinzas dos caminhos, profanas.
Impiamente, profanas esta quietude)
Quando pronuncias a palavra mar
Este ilhéu diante de ti se liquefaz
E vira ele próprio metáfora e parte
Como onda para o abraço das terras…
Só de o teres mentado, os peixes
Saltitam no assombro das pedras
E as sereias saem, loucas das lendas,
E aproximam-se ao cio das marés…
As algas, limos, areias, espumas -, tudo
Soletra-lhe ali em maresia e de tão longe
Estará ele navio na solidão do mundo…
Nesse surrealismo tão bizarro e vão
Quão poemas de longe e de saudade
De repente, substantivos de quem os ouve…
segunda-feira, 29 de maio de 2006
ku vazulina
Zero
No intervalo da escola, estou sempre na biblioteca. Aproveito para recolher a bibliografia sobre a estratégia da internacionalização das empresas. E para ler uma crítica coerente sobre io pensamento de Micheal Porter. Os gurus do neoliberalismo não gostariam de aceitar esse afrontamento à estratégia das vantagens competitivas. Teclando no chat, descubro que há gente que não lê o Horizonte, por causa das minhas crónicas. Não deixo de me sentir na pele da pessoa. Mas, fazer o quê? Continuarei a escrever neste meu território livre, que é a minha coluna. Ouvindo, obviamente, no discman, Lura a cantar Pantera: “ku penti di féru kenti, ku vazulina”. Sem surra…
Um
O barco “Djon Dade” regressa de Dakar com o grosso dos imigrantes ilegais, resgatados no barco “Awid 2”. Parece de facto a nave dos loucos. E transcende ao mero patrulhamento das águas e à deportação dos detectados. A questão dos “boat people” é séria e merece a atenção responsável de todos. Antes de mais, é um problema humanitário. Depois, é um problema de soberanias. E, finalmente, de tráfico internacional. Fazer face aos seus desafios não é fácil e exige dos cabo-verdianos medidas complexas. Em prol da humanidade, da estabilidade nacional e do combate esse ilícito global. As nossas preocupações humanitárias não significam depreciar as correctas posições do governo cabo-verdiano…
Dois
Manuel Delgado escreveu há dias sobre a problemática dos hidrocarbonetos na África Ocidental. A questão do petróleo e do gás natural, em Cabo Verde ou dele próximo, é uma grande oportunidade de desenvolvimento, sugeriu o nosso confrade. A inserção na dinâmica da percepção dos hidrocarbonetos já é de si geradora de negócios. Como é que se insere no mercado mundial? Obviamente que de forma incrementada e estrategizada. Uma postura simultaneamente global e local. Com uma estratégia glocalizada. E com a noção geoestratégica. Surge petróleo a rodos na Mauritânia. Eis uma grande oportunidade de negócios. O decisivo é desenharmos uma estrutura flexível que permita ir também à «caça» dessa oportunidade. Em cooperação e em competição – em co-opitição. Os ingleses já viram isso, com os grandes investimentos imobiliários em Cabo Verde. Os americanos estão despertíssimos e o Millenniun Challenge Account, bem como os exercícios Steadfast Jaguar, da OTAN, são disso prova. Os brasileiros não estão adormecidos. E nós…tão pertos desse petróleo.
Três
A Copa do Mundo já movimenta tudo e todos. Não só na Alemanha, mas em todo o mundo. O nosso sentimento lusófono (não confundir com o freyriano luso-tropicalismo) leva-nos a eleger três equipas: Brasil, Angola e Portugal. Com as chances, o Brasil, que é super-potência de futebol. A Angola e Portugal - queremos que façam bonito e nos emprestem emoções fortes. Mas ganhe o melhor. Não para o gáudio da indústria que, segundo Eduardo Galeano (leiam “Futebol – sol e sombra”), factura tanto como a droga e o tráfico de armas. Mas para a felicidade dos que amam a bola, que não passa de uma recriação do globo. Goooooolo….
Quatro
A desandar da escola (de autocarro, naturalmente), vou balbuciando o “Polonkon”, de Ramiro Mendes, que agora toca no discman, e pareço uma ave rara. Uma mulher, compenetrada em sua leitura, olha-me de soslaio. Desço na Abolição e percorro a Avenida paralela ao oceano. Vez por outra páro numa banca de revista. A “História Hoje” ainda não saiu e a desta edição tem assunto que me interessa. Passo diante do Pão de Açucar, mas em fim de tarde o supermercado é pior lugar do mundo. No barzinho do Seu Xico, a CNN é 24/24. Um sanduba de frango com catupiry e um suco de cajá. : “ku penti di féru kenti, ku vazulina”. O resto pode acontecer…
domingo, 28 de maio de 2006
sábado, 27 de maio de 2006
Luaandino!
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Lendo Porter e Kotler, os deportados e ficções
1. As vantagens competitivas
Nas minhas leituras, deparo-me (não como leitura recreativa, diga-se) com as teses de Micheal Porter e os seus contrapontos. As vantagens competitivas em questão. Lendo “O Marketing das Nações”, de Philip Kotler et all, navego nas causas sobre o enrequecimento das nações, mesmo as pequenas e as insulares, como parece ser o caso de Cabo Verde. O que faz com que o nosso país, em relativamente tão pouco tempo e sem recursos físicos, tangíveis e estáticos, esteja a vencer o desafio do desenvolvimento? Obviamente que não há uma causa, nem uma razão estanque. Nem a explicação ou a tentativa de o fazer se deve resumir a uma perspectiva meramente científica. Uma certa complexidade exigiria um olhar multidisciplinar (de interdisciplinaridade, queria dizer) para se abordar a problemática. Em Cabo Verde, os factores fixos seriam (se tanto, mas nem por isso) o posicionamento geoestratégico. Quais seriam os outros? Dou um doce. E os factores móveis (estes sim mais determinantes) seriam a liderança política, a governança, a paz social e a estrutura educativa…
2. Tirando a pequena política
É de se acompanhar, com interesse e responsabilidade, esta fase transformacional de Cabo Verde. Hora em que nos confronta a problemática das vantagens competitivas (mas quais seriam?) à la Micheal Porter. A cultura capaz de atrair investimentos e de ampliar a indústria, comércio e serviços. Quais os elementos críticos e de crise? E aqueles alavancadores do crescimento sustentável? Tirando a pequena política, mais distractiva que impactante, começa a surgir o “mainstrean do desenvolvimento” (visivelmente trnaspartidário, quando não apartidário), a partir da ética competitiva. Há líderes que são “visionários gerenciais”, capazes de entender que a contribuição do capital humano para o desenvolvimento é directa. Esta nova visão, que não encara a política pela política, mas pelo desenvolvimento, pela cultura e pela governança, parece explicar em parte o relativo sucesso de Cabo Verde.
3. O insólito do Dia da África
Dia da África: quando o barco atraca em Dakar, atulhado de seres humanos em deportação, as autoridades locaiss só recebarm os de passarporte senegalês. Há ali um impasse tão dantesco quão shakesperiano. Em alguns gabinetes, distantes do impacto bizarro, há gente que desgota que se denuncie tal situação desumana. A opinião pública ficaria mais bem servida se ovacionasse os natos e as natas pela marinal do Mindelo. Ou fingisse que tudo não passa de atroz ficção do mau jornalismo crioulo. E o barco parece a nave dos loucos. Diante de tamanha loucura, de seres humanos transportados como cargas perigosas e transladados como escravos, uma pausa sobre a reflexão e a dignidade!
4. A Nave dos Loucos
No livro “A Nave dos Loucos”, de Katherine Anne Porter, a nebulosa torna-se ridícula e desumana. A autora remata assim, às tantas: “Detesto as coisas que ficam em meio, as indecisões, as estúpidas situações falsas, os sentimentos inventados, os amores de encomenda e os ódios ornamentados à mão. Quero tudo claro e definido, ou pelo menos ser capaz de distinguir as coisas pouco claras e confusas. Tudo o mais é repulsivo, e aí está porque a minha vida é repulsiva e me envergonho dela”. No tanto que a ficção tem a ver com a realidade!
5. O Belo de tão grotesco
Estava Alonjo Quijano, meio à-toa na vida e de triste figura, ladeado por Sancho Pança, seu mui fiel amo, quando Cervantes resolveu botar aqueles moínhos na beirada do caminho e aí complicou tudo, fazendo de “Dom Quixote de La Mancha” uma belíssima obra, entretanto.
quarta-feira, 24 de maio de 2006
Face ao Leviatã
Das coisas e das causas cabo-verdianas
Li, com gosto, entusiasmo e espírito aberto, o livro de David Hopffer Almada – “Pela Cultura e Pela Identidade: EM DEFESA DA CABOVERDIANIDADE” - e, acto contínuo, a respectiva recensão crítica de António Correia e Silva – “Defesa da cabo-verdianidade, segundo David Hopffer Almada”. A obra e a sua apreciação crítica, binómio que fundamenta qualquer ambiente científico, abordam questões candentes e prementes – todas de interesse nacional. A oficialização da língua cabo-verdiana, por exemplo, é desiderato a que Cabo Verde não se pode furtar. A adesão de Cabo Verde à União Europeia (e, quem sabe, a outras alianças) também é assunto quente, a merecer exaustivo debate. Além do valor dos dois trabalhos, importaria realçar que o acasalamento entre a acção e a reacção intelectual, coisa rara numa terra onde a tese só de raro suscita a antítese, deitando por terra a necessária dialéctica que faz rodar a História, se tornou mister e imperioso. Não só de bons autores e criadores precisamos. Os críticos que balaçam os paradigmas e fazem jus à razão hegeliana são por cá mais do que necessários…
A África e os Objectivos do Milénio
A escrever um texto para a palestra sobre a África e os Objectivos do Milénio, tema que me coube no evento que a Universidade Federal do Ceará organiza, dou comigo a pensar na força da História. Os ODM seriam alcançáveis, se houvesse um esforço crítico dos próprios africanos em relação ao apropriar do seu processo histórico. Não se trata apenas da independência, da democracia, do estado de direito e do empreendedorismo. Trata-se de emponderar o africano em face da sua História e seu destino. Trata-se do resgate da autoestima, de autoconfiança e da motivação para mudar o mundo. Devo à professora Margarida Fragoso, nos tempos do secundário, o gosto pela História da África. Ela levava-nos, em primeira mão, a História da África Negra, de Joseph Ki-Zorba. Falava-nos, com entusiasmo e admiração, do Egípto Antigo e do Império Núbio. Explicava-nos, sem óculos coloniais, a civilização dos Almorávidas, dos impérios do Gana, do Mali, do Gao, do Songai e dos Haussas. Aprendíamos, em beleza e propriedade, a grandeza dos Iourubás e do Benin. Naquelas aulas, sabíamos descer pelo território dos bantus e ancorar no reino do Congo, do Zimbabwe e do Monomotapa. Precisamos descolonizar não apenas a nossa economia, mas a nossa história, tanto a do Continente Africano como a dos afro-descendentes, a vasta Diáspora Africana. A história constitui assim, segundo Joseph Ki-Zerbo, a alavanca fundamental para a nossa tomada de consciência em relação ao nosso destino, visão comungada por grandes pensadores do W. Dubois, Nkrumah, Lumumba e Amilcar Cabral.
Discordando do meu amigo Casimiro
Das raras vezes em que tive o prazer de conversar com Casimiro de Pina, de quem sou amigo, guardei as melhores impressões. Arguto e culto, comentara com José Filomeno, promotor de tais encontros. Casimiro de Pina é um estudioso e um cavalheiro. Aprecio trocar ideias com ele, mesmo quando as nossas opiniões se divergem de molde irreconciliável. Prevalece entre nós o respeito mútuo, diga-se. Ambos somos apreciadores de Alexis de Tocqueville e de Max Weber, sobretudo no entendimento que ambos tiveram da Revolução Americana e da Ética fundadora da espiritualidade capitalista. Mas creio que não temos a mesma leitura crítica do mundo, mormente o “mundinho crioulo”. Pessoalmente, não me posiciono em trincheiras – desta banda os bons e os santos, doutra banda os maus e os demónios -, razão por que não me engajo nas capelas políticas. Sou S/Cem Margens face ao Leviatã, seja ele qual for. Et pour cause, os grevistas de fome (ou doutra estratégia, pois de estratégia se trata) não estão imunes ao crivo crítico da sociedade. Assim como tiveram apoiantes, têm tido acérrimos críticos, porque a nossa sociedade (e ainda bem) não se satisfaz com a unanimidade. Germano Almeida, pela natureza do homem e pela sua trajectória, jamais seria um intelectual orgânico. De nada. Ele é irreverente, homem! Casimiro de Pina precisaria participar dos encontros de sexta-feira, na Praia do Norte, em São Vicente. É longe. Mas o bom vinho (que Germano Almeida conhece, como poucos) justificaria o encontro…
terça-feira, 23 de maio de 2006
Subsaharianos

“El Gobierno no ha tenido la previsión, ni los reflejos para actuar en África” con esta lapidaria frase encabeza ABC una entrevista realizada al presidente de Coalición Canaria, Paulino Rivero. Desde la serenidad, este representante político del archipiélago se queja de la situación de desamparo que han sentido en aquella latitud en los últimos días. Una avalancha de más de mil inmigrantes procedentes de África. Arriesgan su vida para buscar un futuro mejor en el "viejo continente".
La prensa internacional, en general se ha preocupado en demasía de esta tragedia humanitaria en la que los dos Gobierno, autonómico y central, se encuentran algo desamparados mientras Europa todavía mira hacia a otro lado.
De este fin de semana sólo cabe destacar dos menciones en peridódicos señeros de habla no hispana. En rotativo británico Daily Telegraph se publica un interesante análisis del problema que tiene España con sus fronteras al ser la puerta natural de entrada al continene.
Neil Ferguson explica en su artículo como, además de las personas procedentes de la región subsahariana, el importante crecimiento demográfico en Marruecos puede derivar en serios problemas. Y es que la población del país alauita crece siete veces más rápido que en España con lo cual la presión sobre Ceuta y Melilla parece ineludible.
Si a esto le sumamos la situación que se vive en ciudades como El Ejido, continúa Ferguson, estamos ante un ejemplo claro de lo que algunos ya denominan Eurasia.
Canarias solicitan la presencia de la Armada
Las Islas Afortunadas sufren el empuje de una crisis humanitaria que no tiene precedentes en sus costas. En sólo dos semanas han llegado el 10% de los sin papeles que recibió en Canarias a los largo los tres últimos años. 2000 maltrechos indocumentados a bordo de cientos de cayucos. En la mencionada entrevista, Rivero señalaba que
La falta de una política clara hacia este continente ha traído como consecuencia la inmigración de una parte de los 850 millones de habitantes de África.
Al Gobierno de Adán Martín se le están acabando las ideas para ayudar los inigrantes pero a la vez proteger su Comunidad Autónoma de un aluvión humano al que no puede hacer frente. De este modo el Parlamento canario en un pleno monográfico sobre este asunto a aprobado pedir al Gobierno Central la intervención de la Armada.
Quieren blindar el litoral y esperan disuadir a nuevas incursiones que puedan provenir del continente vecino. Asimismo, en el mencionado pleno se ha acordado también las críticas y quejas formales al Ejecutivo de Zapatero por su "lenta respuesta" y a la UE por su "poca sensibilidad".
Si bien, ya la pasada semana, un cada vez más angustiado presidente autonómico pedía sin cesar que el problema de la inmigración fuese tratado como un asunto de Estado. Incluso llegó a decir que si no recibía una pronta respuesta, acudiría ante el mismo rey Don Juan Carlos. El Cabildo justificó estas peticiones en el hecho patente de que
Don Juan Carlos interviene
El Rey de España no esperó, sin embargo, a que materializase la “amenaza” del presidente canario. Prefirió ser el mismo es que descolgase el teléfono para interesarse por la situación que se vive en las islas.
Un portavoz de zarzuela trató de quitarle hierro al asunto al afirmar que Don Juan Carlos mantiene contacto habituales con presidentes autonómicos. Bien es cierto que lo hace, aclararon estas fuentes, que ante situaciones puntuales estas conversaciones se aceleran. En este caso, más que puntual, era una situación dramática.
Porque lo que empezaba a quedar más en evidencia es que no sólo Canarias estaba siendo desbordada, toda la maquinaria del Estado Estaba cada vez más desbordada. Así a todo el ejecutivo realizó un último movimiento de efecto en el pasado Consejo de Ministros.
El Gobierno tiene un plan
El pasado viernes la vicepresidenta del Gobierno, María Teresa Fernández de la Vega, explicó hacía iban a ser diseccionados los esfuerzos de España para atajar el mal que sufren miles personas. Entre las acciones de infraestructura más destacadas encontramos un intento de reformar lazos con el continente vecino.
Este Plan África 2006-2008
Crea tres nuevas embajadas, Malí, Sudán y Cabo Verde para completar el despliegue diplomático en la zona, así como nuevas oficinas técnicas de cooperación en Cabo Verde, Etiopía y Malí, y oficinas comerciales en Angola, Kenia, Nigeria, Senegal y Sudáfrica.
Asimismo, De la Vega puso mucho hincapié en los cuatro ejes sobre los que el Ejecutivo sustenta su plan.
Más seguridad y control en las fronteras
Más cooperación diplomática
Más ayuda humanitaria
Más Europa
La vicepresidenta remachó que son
Cuatro ejes en un solo plan, el que marca nuestra política de inmigración. A veces es más visible especialmente como cuando ahora lleve el buen tiempo y el mar es menos peligroso.
Primer destino: la Península
Canarias sufre la primera oleada, eso nadie lo duda. Pero una vez que miles de inmigrantes ilegales asedian el territorio de las islas por cuestiones humanitarias y/o médicas, estas personas son llevadas a la península para permanecer en las mejores condiciones posibles hasta que se aclare su situación y su destino.
Y es que en lo que va de 2006, unos 4.300 han sido trasladados. Una cifra superior a la del año pasado. El problema es que existe un problema al estar indocumentados ya que no pueden ser expulsados.
En este sentido, Paulino Rivero en ABC, subraya que lo más negativo de esta incidencia es que
Consiguen el éxito, y eso funciona como un auténtico reclamo.
Llamando al Viejo Continente
Si la UE no se implica a lo mejor lo que hay que plantear es la derivación de los inmigrantes a Europa. Entre otras cosas porque los que vienen lo hacen buscando Europa.
Con esta sentencia tan clara, Paulino Rivero, lanza la pelota sobre el tejado europeo. En el caso de que los ejes de “Más Europa” y “Más diplomacia” anunciados por De la Vega no funcionan, Canarias quieren tener las fronteras bien cubiertas.
Pero la vicepresidente tiene todavía ese margen de cortesía que el Gobierno Canario parece estar dispuesto a darle y ella a aprovecharlo. Por eso mismo, se entrevistará en Bruselas con el presidente de la Comisión Europea, así como con comisarios de la UE, para acelerar las medidas del Plan África 2006-2008
María Teresa Fernández de la Vega, ha explicado que el Gobierno ha decidido
Pedir apoyo a la Unión Europea (UE), en concreto la creación de una delegación en Canarias de coordinación, seguridad y control, así como apoyo logístico, que espera se conceda de manera inmediata, para que se coordine el despliegue de medios marítimos y aéreos.
Dispositivo naval y diplomático
Un satélite es lo más destacado que el Gobierno pondrá en marcha para vigilar de cerca de los cayucos que se acerquen a las costas canarias. Bajo la batuta del ministerio de Defensa con este aparato se podrá realizar un seguimiento de los movimientos de los flujos migratorios. Además patrulleras y helicópteros reforzarán la dotación actual.
Por otro lado según De la Vega, el Gobierno potenciará la cooperación con los países emisores de inmigrantes. Claro que los países implicados han visto la oportunidad de negocio.
Según lo publicado en ABC,
El presidente de Senegal pide pantanos a cambio de aceptar las repatriaciones de inmigrantes. El País, en otro editorial, dice que intuía lo que está pasando, y pide mejorar la vida de África, con dinero de toda Europa y no sólo esos 400 millones que prometió Zapatero.
segunda-feira, 22 de maio de 2006
África
Por Eduardo Dámaso, DN
O aumento do número de imigrantes africanos que todos os dias chegam mortos ou famintos ao litoral mediterrânico e atlântico de Espanha é brutal. A vigilância mais apertada das autoridades espanholas no estreito de Gibraltar desencadeada a partir do êxodo de 2004 tem vindo a empurrar os imigrantes para as rotas do Atlântico e, nos últimos dias, as ilhas Canárias têm sido palco de relatos e imagens dramáticas que, no entanto, pousam por brevíssimos segundos no nosso olhar, como que alheado de uma realidade encarada como distante ou mesmo já muito banalizada. É como se fosse mais um problema do nosso vizinho espanhol do que nosso.
sábado, 20 de maio de 2006
Divagações

Return To Forever
A barra na cidade de Boston. Nessa cidade, nasceram os meus filhos – Denzel e Pablo. Mentalmente, ainda faço compras no mercado italiano do South End, vou ao gospel na 1st Baptist Church e frequento o clube Wally´s, onde o jazz é mais “animal”. Nunca se parte da cidade de Boston. Nunca…
Alguma coisa acontece no meu coração
Depois de muita violência (entre o crime organizado e o estado desorganizado), São Paulo entra numa virada. Cultural, claro. O melhor de Sampa é o paulista. Uma cidade de 20 milhões de habitantes dispostos a viver. Mau grado a violência…
O Código Da Vinci
O filme O Código Da Vinci não chega a ser mau. Com tanta promoção, fica-nos aquém das expectativas. Mas tem bom rítmo, boa trama e boa apresentação. Ademais, Tom Hanks dignifica qualquer filme. O livro atingiu uma celebridade extraodinária, pois cumpre todas as regras da promoção e do marketing. E o público médio é afoito à cultura de massa. É um alto consumível como a Coca Cola, o BigMac ou a Pizza Hut. Tirando os complexos todos (incluindo os intelectuais), o filme é aceitável. Se o cinema é confortável, com capuccino bem quente…
Copa 06
A Copa 06 está à porta e todos preparam-se para o grande certame. Pessoalmente, não estando Cabo Verde na disputa, tenho já à cabeça três equipas (por ordem de preferência): Brasil, Angola e Portugal. Estará a funcionar o meu lado lusófono? Esta é a Copa mais global de todos os tempos. Ocasião interessante para gritar contra o tráfico ilegal de pessoas. Toda a imprensa reunida, a opinião pública mundial diante da televisão e os decisores atentos às grandes questões. É aproveitar, minha gente…
Dia da África
Entra-se na semana do Dia da África. A programação, com palestras, exposições, futsal e baile, concentra na Universidade Federal do Ceará. Fui convidado a apresentar o seguinte tema: África: Desafios e Metas do Milénio. Cabo Verde terá, pois, algum destaque, não apenas pela minha palestra, mas pela exposição do artesanato crioulo. Era para se ter o Mário Lúcio, mas não foi possível por desencontro de agenda. Conta-se com um DJ brasileiro que tentarei influenciar para caprichar no melhor do continente africano: Baaba Maal, Youssou Ndour, Salif Keita, Tcheka Andrade, Hugh Masakela, Ceasária Évora, Angelique Kidjo, Myriam Makeba, Lokua Kanza, Johnny Clegg e Manu Dibango, entre outros possíveis de arranjar no mercado.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Das frutas noite e dia
8.(Reabre-se o pano: Eis que frutal e louco,
ele entra em cena para fazer o madrigal.
Imagina-se o diálogo das frutas entrelaçadas no cesto.
Mais arfantes do que plásticas, elas se permitem à fala)
Solfejo no gosto de pitanga o acordar contigo
O arfar fruído, quando não tão-só flutuante
- e há de o sol descrever seu arco no diurno -,
Em que as horas soluçantes se perdem…
Dou graças ao cajá e à fruta-do-conde, a terra,
O vento, a água, o ar e o arfante deste animal,
Medusa, como dizes, que petrificas de olhar,
Para além das cobras do teu “dread”…
Cai a noite e, de brumosa tocatina, dançam
Os pés que, embebidos no teu pântano, és tu
Virada pelo avesso, manga rosa e seu reverso…
E quando, em carnuda, me mordem os lábios,
desfeito em rosa manga, de laço e de caroço, eu
amanheço, resinado e pura fruta, nesse leito…
terça-feira, 16 de maio de 2006
Leonardo

Leonardo
Nao é de hoje que mexe comigo o quadro Mona Lisa de Gioconda, do artista e pensador renacentista italiano, Leonado Da Vinci. Uma das mais brilhantes mentes de que se tem notícia, Da Vinci foi ao tempo tão polémico quão talentoso. O olhar que Mona Lisa lança às pessoas que miram o quadro permanece ainda hoje enigmático. Eis a função da Estética: perpetuar o enigma da humanidade. Instaurar o inexplicável e restaurar o sentir. Nao espanta que o quadro tenha sofrido um atentado à faca, hipnotizado ficara um dos seus aficionados. Homossexual assumido e iconoclasta num tempo em que a religião barbarizava a humanidade, Da Vinci será sempre o símbolo dos caminhos da liberdade.
O Código Da Vinci, o filme
Na sexta-feira, vou assistir O Código Da Vinci, filme de Howard fadado para ter o sucesso de vendas do livro de Dan Brown. O que me desgosta desse livro não é a falta de rigor histórico, até porque a História, mesmo ao se pretender ciência, não é rigorosa. Para uns, Júlio Cesar era um filho da puta. Para outros, era um herói. Idem para os outros personagens, factos e feitos. Mas, dizia, não me atinei ao mau texto de Dan Brown, habituado que estava a tramas densas e inteligentes da coisa religiosa em leituras dos grandes Umberto Eco e José Saramago. Dan Brown não passa de um híper Paulo Coelho. Não gosto...
Agora, lembrei-me do Mona Lisa de bigodes
Quando Marcel Duchamp pintou Mona Lisa de bigodes, marcando a sua contribuição incontornável ao dadaísmo e rompendo com as tradições sociais e artísticas, muita gente ficou chocada. Hoje, continua-se a lembrar de Duchamp e das suas "interferências" na Arte. Dos guardiões do templo ninguém se lembra. É que a própria memória é anarquista e niilista...
Praia.Mov
Talvez não vejam conexão nesta escrita, mas anda tudo ligado. Desde o barco com cadávares à Nato inciando os seus exercícios, passando por três artistas na Praça Alexandre Albuquerque, apresentarem o Praia.Mov. É de saudar os artistas e a Arte. Eles hão de permanecer. Os guardiões...Moving out!
Boat people e o copo meio cheio ou meio vazio

0.
A crónica desta semana não será sobre o 19 de Maio, como havíamos prometido a um velho amigo que também comunga um desmedido amor pela cidade da Praia. Desmedido e incondicional, nas antípodas daqueles que a desamam e projectam nela frustrações cabeludas e agouros também peludos. A crónica desta feita incide sobre os ‘boat people” e o sistemático tráfico de seres humanos que cruza os nossos mares e, por vezes, ronda as nossas costas.
1.
Para contextualizar melhor os leitores, deitamos mão à premissa das Nações Unidas que consideram o tráfico de seres humanos como um dos grandes crimes contra a humanidade, ilícito que ombreia com o tráfico de armas e o tráfico de drogas. Em relação a isso, não se pode excluir que estes os três hediondos “movimentos” não estejam a utilizar, com mais frequência do que pensamos, as águas de Cabo Verde.
De vez em quando, um navio é interceptado, prova que as nossas autoridades, apesar da escassez de meios e recursos, estão empenhados na luta contra tais ilícitos transnacionais. A meio do caminho das rotas atlânticas, Cabo Verde também é geoestratégico para os grandes tráficos. Ultimamente, o tráfico de seres humanos nos parece mais incidental pelas nossas águas. Será que estamos preparados para lidar com isso?
Líamos, há dias, e ficámos caídos de mágoa, sobre um barco à deriva com onze cadáveres a bordo. Nas águas de Cabo Verde. O barco terá sido descoberto a boiar no oceano por um pesqueiro. As autoridades foram notificadas e, dois dias depois (fazer o quê) a guarda-costeira vai tentar interceptar o barco, entretanto já desaparecido. O facto, noticiado marginalmente pela Comunicação Social, não moveu tanto a opinião pública cabo-verdiana. Entretanto, a situação era diabólica. Mais do que greves em fome, pelo menos. Era uma cena dantesca que transcende a soberania, a fronteira e o Estado. Tem a ver com os seres humanos. Com os Direitos Humanos. Com a Humanidade…
2.
Cabo Verde teve outrora a tristíssima glória de ser o grande entreposto dos escravos no Atlântico Médio. A Europa mercantilista se fez graças ao tráfico humano. A grande riqueza do Ocidente tem fundamentos sangrentos. E Cabo Verde, mercê da sua posição geoestratégica, foi uma base avançada e crucial para a transposição dos seres humanos, em mão-de-obra forçada. A cena repete-se. Infelizmente… Os seres humanos transportados nas balsas e botes não passam de vítimas e de desesperados à procura de alimento para os seus filhos. Não passam de escravos modernos, em condições piores e mais vergonhosas do que a dos escravos antigos.
Desde a abolição da escravatura, o tráfico e o comércio internacional de seres humanos voltou-se para fins de exploração e prostituição. Sabe-se também de outras actividades lucrativas, como a mutilação de crianças para sua utilização como mendigos, ou a extirpação de seus órgãos para bancos de transplante clínico. Este comércio tem um padrão visível: os escravos são provenientes de regiões pobres e levados para as regiões ricas.
Quanto não morrem, como outrora, na travessia. Os corpos mumificados à deriva no Atlântico, ei-los. Gente morta pela fome e sede, na desesperada tentativa de um norte qualquer. Estes seres humanos não saem para o largo oceano por razões prazeirosas, mas por razões de sobrevivência. Se permanecem, morrem à fome, doença ou guerra. A saída é inexorável e implacável. Com as suas consequências…
Naturalmente que entendemos as razoes do Estado e o estado da Razão. Apoiamos a posição de mão dura para com o tráfico dos seres humanos. Mas o combate ao tráfico tem a ver com a destruição implacável dos traficantes e suas conexões, e não com a falta de solidariedade humana com as vítimas. A abordagem de Cabo Verde tem de ser cuidadosa, delicada e humana.
3.
De repente, há gente que olha a segurança colectiva do Estado e da sociedade como Sancho Pança via os moínhos. Apenas pela sua externalidade. Pelos seus significantes. E esse olhar pode ser perigoso e irresponsável, pois não exige uma análise de conjuntura e muito menos de profundidade. Qual o papel de Cabo Verde em face do surto dos “boat people”? Qual a melhor abordagem em face de um problema que ora nos ultrapassa e nos interpela de molde recorrente?
A geopolítica não exige de nós um olhar apenas Atlântico, mas aquele interatlântico e quiçá mesmo transaltlântico. Mas a existência nos obriga a um olhar humano e humanista. Contra a hedionda escravatura moderna. E quem está na linha média, charneira e divisória, de muitos universos (geoestratégicos, económicos, outros), no Atlântico Médio diríamos, terá de reformular o seu olhar no que toca ao papel a desempenhar. A vulnerabilidade dos pequenos estados insulares também reside em ficarem a meio dos tráficos (armas, drogas, minérios, seres humanos). E essa vulnerabilidade pode ser pensada, isto é estrategizada. Em prol dos nossos interesses e princípios. A conceptualização dependerá da lógica de mirar: ou o copo meio cheio ou o copo meio vazio…
sexta-feira, 12 de maio de 2006
Belle Époque (revisitada) e lodoso

Lodoso
Sob as grotas e gretas, as águas que rolam
Aqui como sonatas, quando ali lentas
Valsas pelas curvas das pedras redondas, ora luas
Reflectidas nos cursos dos meus pensamentos…
Vai-se com as águas, aos saltos e trombolhos
Caem-se volumosas em cascatas, toneladas
De alcalinas e límpidas hidras, sobejantes
Entranças e enseadas, teus buracos e grutas…
Musgos e trepadeiras, algas e limos, sumos
De nascentes parideiras como as frutas
Aquantes todas de bocas em ácidas salivas…
No dentro e no fora, de fome e de sede, de tudo
Que mergulha e embebe, quão em leito embriaga,
O tão-só estar assim lodoso no teu corpo…
quarta-feira, 10 de maio de 2006
Exercícios nada poéticos
Nas ruas da cidade

CONSOLAÇÃO
Nas ruas da cidade caminha o meu amor. Pouco importa aonde vai no tempo dividido. Já não é meu amor, todos podem falar-lhe. Ele já não se recorda. Quem de fato o amou?
Procura o seu igual no voto dos olhares. O espaço que percorre é a minha fidelidade. Ele desenha a esperança e ligeiro despede-a. Ele é preponderante sem tomar parte em nada.
Vivo no seu abismo como um feliz destroço. Sem que ele saiba, a minha solidão é o seu tesouro. No grande meridiano onde inscreve o seu curso é a minha liberdade que o escava.
Nas ruas da cidade caminha o meu amor. Pouco importa onde vai no tempo dividido. Já não é meu amor, todos podem falar-lhe. Ele já não se recorda. Quem de fato o amou e de longe o ilumina para que não caia?
René Char
segunda-feira, 8 de maio de 2006
Ad vinho (de um Frangelico)
Navega

domingo, 7 de maio de 2006
A Peste, Bebop no sampa e Fumaça Da Best

Só ponho be-bop no meu samba
Quando o Tio Sam pegar no tamborim…
Intro
Ao tempo que gostávamos dos filmes americanos, os feios, os anões, os vesgos, os fanhos, os pobres, os índios, os negros, os mexicanos, os russos e tantos outros eram os maus. E esses filmes, depois de os matar, serenavam com o hapy-ending de ocidentalíssimos e brancos beijos, que a meninada, do balcão ao geral do Cine-Teatro Municipal da Praia, aplaudia em uníssono. A cidade do nosso Cinema Paradiso era pequena, tacanha, ainda não dilacerada pela peste do dito desenvolvimento. Paradoxalmente, defensor que sou do crescimento e da metropolização da nossa cidade, acordei hoje meio nostálgico. O ufanismo e o triunfalismo me irritam. Enfim, não me é fácil entender que o samba não é rumba, como reza a música de Gilberto Gil. Nunca…
Fumaça Da Best
Releio A Peste, de Albert Camus, e o branco que me invadiu desde a alva se dissipa. Exilado por conta própria, dou largas à saudade e repenso a peste que nos sobe pelas paredes. Cercados pela peste, a nossa burguesia mantém a farsa para o inglês ver. Os jornais vendem “cada vez mais tanto”, os empreendedores movimentam-se e não será desta que a cidade morre de tédio. A peste camuniana existe, sim. Ela nos dilacera vagarosamente. Como um cancro. Casino no ilhéu de Santa Maria, Copacabana no mar da Lajinha e sucupira-se quem puder. Entrementes, Mito apresenta Li-Sim-Sim aos ascendentes de Nho Mateus de Tchaina e Mano mostra Na Ri Ná em Macau. Coisas boas. Mas no mais, mundo é bemba. Quase Denda. Tudo muda. E vira-mundo travestido. Tamanho absurdo só me é lembrado aquele de Fumaça, o imortal da nossa infância, que atirava pedras ao sentinela para o prenderem também aos domingos, dia que os algozes davam grão-de-bico ao almoço na Frigideira. Distantes dias, como os hoje da NATO e seus sonares, dos britânicos e os seus solares, e dos traficantes e seus jeeps-em-pó + advogados políticos & família internacional, etc, coisa e tal. Nesta Ode Triunfal, uma homenagem ao Fumaça…Da Best!
Sejam pois salazes, fasceninos e satânicos
Ainda aturdido (pela imprensa) com a greve de fome – de Anthony Garotinho (político do Rio de Janeiro), não me confundam -, leio, com gozo, a crónica de João Ubaldo Ribeiro (este sim, escritor de vera) discorrendo sobre hamburguers salazes, quibes fasceninos e empadinhas satânicas. A boa escrita está também na irreverência contra mártires antigos e aqueles feitos a toque de caixa. Lembro-me também do filme de Marco Ferreri – a Comilança, em tradução brasileira. A pornografia de comer, em oposição à pornografia de não comer. A gula nas antípodas do jejum. Melhor representação das baixezas humanas impossível. Os moralistas de serviço, patrulheiros da fina medíocridade, hão de buscar semelhanças com as coisas e loisas da Tapadinha. Quaisquer semelhanças, são coincidências e já estava a escapar-me, aqui e agora, um palavrão…
Rábula em epílogo de um Email
Em greve? Já agora (e entre nós)…há também a questão da Electra, da Poupança dos Emigrantes e (nunca é tarde) dos Enacóis & comandita. Vamos a isso, há várias formas de contestar e de impugnar, benzendo nunca o instituído. Enquanto se rabentoliza a vida, A Peste toma conta da nossa cidade…
sábado, 6 de maio de 2006
DAK' ART
Afrique : entendus, sous-entendus et malentendusQue ne disons-nous pas sur nos voisins proches et lointains qui du reste, nous le rendent bien ?
Dans le domaine social, qu’entendons- nous par exemple par : Hommes et femmes, Adultes et enfants, Aînés et cadets, Blancs et Noirs, et que faisons-nous des métisses et de nos diasporas ? L’Afrique est-elle une ou plurielle ?
Quand nous disons, citoyen, patriote, rebelle, qu’entendons-nous et que sous-entendons-nous ? Un patriote peut-il être un rebelle ? Un rebelle peut-il être un patriote ? Que sous-entendent la prolifération des nouvelles églises et la montée de fondamentalismes musulmans en Afrique ? Que deviennent les religions dites traditionnelles africaines ?
Dans le domaine économique, qu’entendons-nous par développement et sous développement ? Ne sous-entendons-nous par exemple que les pays dits sous-développés le sont en tout point, y compris dans les domaines des arts et de la culture ? Est-ce juste de penser que plus les hommes sont riches, plus ils sont heureux ? Est-ce un malentendu, une erreur, ou tout simplement préférons-nous, à tort ou à raison, le malheur des nantis au bonheur des pauvres ? Pour des Africains, quelle est la pertinence des notions comme « secteur informel », travail des enfants ?
N’avons-nous pas confondu indépendance et libération, et ne confondons-nous pas démocratie et multipartisme, démocratie et élections, pouvoir et richesse, dictature et stabilité politique ? Les guerres et les conflits si nombreux en Afrique procèdent-ils de ce que les protagonistes se connaissent trop bien, ou relèvent-ils de malentendus qu’il suffirait de lever ? L’explication des guerres et conflits par des antagonismes ethniques et religieux relève-t-elle d’un malentendu ?
Dans le domaine des arts, du monde de l’art, qu’entendons-nous par « traditionnel et moderne », par « moderne et contemporain » et que sous-entendons-nous ? Quels sont les entendus du refus de l’appellation « d’artistes africains » par des artistes qui ne renient pas pour autant leur origine africaine ?
Les artistes ne sont pas invités à illustrer ces thèmes. Il suffira que, directement ou indirectement, l’œuvre proposée aborde l’une de ces questions.
Yacouba Konaté, Commissaire général de Dak’art 2006.
Photo : Axel Reuter
sexta-feira, 5 de maio de 2006
Récit de piraterie à Genève
Lokua Kanza, eu e o Dia da Cultura

Manuel Delgado escreveu, no Paralelo 14, que Lúcia Cardoso nos esmagou com a sua voz bem timbrada, um repertório todo ele brasileiro, mas do fino (Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo, Ivan Lins, Ary Barroso), pondo a voz lá onde a queria pôr sem nenhum esforço, como acrobata que treina muitas horas por dia. Lúcia traz ainda para os palcos cabo-verdianos algo que falta até à Cesária: presença em palco. Manel dixit...
quinta-feira, 4 de maio de 2006
Papo com a Professora Yoná

2.
domingo, 30 de abril de 2006
Chuva, raios e coriscos…

Em chuvoso
Neste bairro, de onde se vê, de um lado, contornos da serra, e, doutro lado, fiapos do Oceano, acorda-se cedinho com o cantar do galo. É um cantar surrealista numa cidade de mais de 2 milhões de habitantes e com crescimento urbano notável. A clave desse cantar lembra os pregões das peixeiras de São Vicente, como muito bem reparou Vasco Martins e de, certa forma, o esboço da alva no Tarrafal, de Santiago. Acorda-se cedinho, dizia, e fica-se contemplativo. Chove torrencialmente sobre Fortaleza. Da janela deste apartamento, o resto da cidade se esmaia na neblina. Mais tarde, haverá sol rachado e desabrido. Quem sabe eu sorrisse ao mínimo olhar dos transeuntes. Mas por ora é chuva. Chuvosa esta minha alma…
Protestos e reivindicações
De repente, novas formas de protestos e de reivindicações – greve de fome, carta-aberta e acorrentamento público – emergem da sociedade civil. Buzinão já era. Passeata, então, virou jurássica. Novíssimas formas de luta, dizia. E até certo ponto, a classe política (situação e oposição) lida com elas de forma difusa. A imprensa também. De todas as manifestações, a greve de fome parece ser a mais radical e, em consequência, a de mais difícil solução. A complexidade da questão envolve interesses e princípios, em relação aos quais os precedentes, se abertos, mudam os fundamentos da nossa forma de vida. A questão envolve a edilidade, o Estado de Direito, o direito do Estado e os direitos humanos. Não nas suas circunstâncias, mas na sua transcendência. No caso da Britar, por exemplo, que acompanho à distância, a melhor solução é a negociada, onde a premissa deve ser win-win, ou seja onde todos ganham, mitigando paritariamente os riscos e as perdas. A solução absoluta (e fascista) de um ganhador irredutível e intolerante seria neste caso desastrosa. Aliás, não seria solução. As novas formas de luta estão instauradas e urge alguma delicadeza em evidenciá-las. Até porque é preciso salvaguardar as legalidades. Analisar as legitimidades. Intuir que com os direitos não se brinca. E com a vida muito menos…
“Bila” revisited
Não deixa de ser interessante que os cidadãos manifestem a sua posição em relação ao património. Esta preocupação de harmonizar o passado e o presente é histórica. «Naturalmente que temos de encontrar a harmonia entre o moderno e o tradicional. Mas não se destrói o tradicional para construir o moderno. Nós temos que ver como podemos harmonizar o moderno e o tradicional», defendeu o ministro da Cultura, Manuel Veiga, numa entrevista ao Jornal A Semana. A preservação e a recuperação do Património Material é um imperativo para estimularmos à memória e a releitura histórica de nossa formação como Nação e País. É importante respeitar e promover o Património. Com activismo, se necessário…Falando nisso, alguém não gostou (e ainda bem) que eu tivesse dado a minha opinião sobre as manifestações em prol do Património ocorridas na cidade de São Filipe. Antes de mais, fi-lo por convicção. Depois, por solidariedade aos envolvidos. E, finalmente (hegeliano sempre), por defender que a contradição é a mãe das grandes mudanças. Ademais, em democracia, não se pode esconder a doença e combater o diagnóstico. Os cidadãos devem estar sim atentos e acesos. Caso contrário, hoje como outrora, um Calígula qualquer pode transformar em senador o seu próprio cavalo...
Aos teus ouvidos atentos
Sim, eu escrevo fingindo a dor deveras. No blog, na folha e no peito. Tatuo-me em graffiti. Sou assumidamente pessoano. O desatendo, confude. E o atento, perde-se. Estou no tapete voador sobre as dunas, as ondas e os sonhos. E, se flutuo, é apenas um lento momento de dança. De graça fugaz e trivial. No mais, escrevo…por ora.
sábado, 29 de abril de 2006
Um browsing pela obra de Omar Camilo
Faço o download do anexo electrónico e surge no monitor a fotografia do meu filho. Não só o olhar do Pablo (que tem o nome de Neruda) que me encanta. Mas também o olhar do fotógrafo, apanhando-lhe os ângulos e os traços, as luzes e as sombras – deixando no antevisto um prenúncio de memória – me deixa impressionado.
Não me compete fazer uma recensão crítica à obra fotográfica de Omar Camilo. Nem quero ora invadir uma função tão alheia, ademais abalizada e técnica. Ao ver esta e outras fotografias de Omar Camilo, transporto-me para a terceira utopia de Renata Pimentel - para a grande aventura da sensibilidade: De sermos e estarmos artistas, onde a fome de tanta alma nos carece a palma da mão, nos embruta o olho e nos faz leitores que capinam o solo bruto. Aqui e agora, apenas dou-vos a ideia da sensibilidade que me provocaram os quadros de Omar Camilo. É só disso que escrevo, nada mais.
Depois de um demorado browsing, creio não estar a cometer uma heresia (mas se a cometesse, paciência) se disser que o cubano Omar Camilo, mote e razão deste texto, é um dos melhores artistas em Cabo Verde, neste momento.
Destoante da vulgata retrateira instituída, sobre a qual repousa a ideologização dos costumes e regras, ele (por conhecimento de causa) remete-nos, pela transposição (e se calhar pela latinidade) a Frida Khalo, essa expoente das artes plásticas e do expressionismo psicanalítico. Aliás, o espólio de Omar Camilo guarda uma pungente homenagem à pintora mexicana. Não será por coíncidência…
Os quadros de Omar Camilo insinuam o Belo, a estética no seu afã de significado e na sua máxima complexidade. Daí não serem evidentes, nem de fácil fruição e leitura. Eles exigem antes reflexão e introspecção. Os olhos voltados para dentro, como diria o filósofo. É uma obra toda ela com arrebatamentos imagétidos e transreais. Carecendo de atenção redobrada, por conseguinte.
Conheço-o, resistente e renitente, ao quatidiano neurotizado e à fina medíocridade do meio, pagando alto preço por assaz marginalidade. Como enfrentar tenebrosos gigantes quando à vera não passam de moínhos de vento, ó Alonjo Quijano de triste figura? Diga-se, sem desprimor a tantas susceptibilidades e ao mau-gosto novo-riqueiro, que o “artista não-funcionário” continua a ser um “maldito”. Vez por outra, um mecenas para confirmar a regra e raramente uma proposta decente para desmentir este dito.
Omar Camilo nos lega sensibilidade quando o que paira é anestesia! Os seu pais são cegos de nascença. Por isso, a sua necessidade de olhar por outrem e ele é “filho único”. Freud explica. Afinal, há que diga que o Artista se define no id…
Em prol da transparência, repito: este texto nasceu porque Omar Camilo me enviou, por zip informático, uma linda fotografia do Pablo, agora home no meu computador. E, como soe dizer por cá, tô que não me agüento de saudades do meu filhote. Era de sensibilidade a minha prosa, não era?
Também por estas e outras (não) razões, admiro e recomendo-vos muito…Omar Camilo.
sexta-feira, 28 de abril de 2006
Sanfilipe – entre o grito e o silêncio
Conhecendo, por dentro, a política e o programa culturais do Governo, vejo, com regozijo, que as manifestações em prol do património ocorridas em São Filipe vão em sintonia pensamento estratégico preconizado. O importante, ao fim e ao cabo, são as questões de fundo.
Uma das maiores preocupações, constituindo mesmo uma questão de fundo, do Governo é a salvaguarda e a promoção dos valores materiais e imateriais da Cultura e da História de Cabo Verde. Para tanto, as instituições estão criadas e vocacionadas. E, valha-nos a democracia, o debate está aberto, já que nestas coisas, aqui ou na China, o crescimento briga muitas vezes com o património instituído. O que importa realmente é a noção da cidadania e da realidade.
Obviamente que o IIPC encara com atenção e parcimónia o “tesouro urbanístico”, que é São Filipe. Mas entre encarar e agir, mercê dos meios e recursos existentes, às vezes há uma demora crítica, se não mesmo um hiato. Igualmente, sabe-se que a própria Câmara Municipal tem os seus planos de restauro e de protecção do património construído ali existente. Uma vez mais, entre as intenções, os planos e as materializações vai uma distância exasperante. E o cidadão deve estar atento a tudo isso. A cidadania tem a ver com a autonomia cultural e a autonomia da acção cívica.
Et pour cause, a carta-aberta de Fausto Rosário – não a forma em si, mas a sua essência – tem toda a razão de ser. Outros “Faustos” deveriam ter levantado as mesmas preocupações na cidade da Praia, na Cidade de Santiago, na Vila de Ribeira Grande, na cidade do Mindelo, na Vila de Ribeira Brava e noutras paragens. É preciso quebrar “o silêncio dos bons”. Outrossim, o protesto de três cidadãos acorrentados defronte aos Paços do Concelho não deixa de ser curioso e paradigmático. A cultura também se faz pela indignação. O diálogo entre as posições antagónicas é quase sempre muito profícuo. Não há que ameaçar com tribunais, nem com retaliações. Valha-nos a democracia e a tolerância, repito. Importa dar respostas. As inumaráveis respostas. Dialogar com causa e consequência. Isto é, modernizar a cidade, sem matar os seus traços patrimoniais e idiossincráticos. Depois, há que repensar a “modernidade” e resignificar a “qualidade de vida”.
A Bila, patrimonial e histórica, monumental como poucos espaços em Cabo Verde, tem de ser tombada, restaurada e reanimada. Por uma cadeia complexa e estrategicamente articulada – Governo, edilidade, munícipes, cidadãos cabo-verdianos e não só. Não apenas para o gáudio dos seus moradores, mas também e acima de tudo (como preconiza aliás o Programa do Governo) por respeito à memória colectiva de todos os cabo-verdianos…
quinta-feira, 27 de abril de 2006
A Praia, os tristes do pedaço e a hora cidadã
A cidade da Praia, por ser a capital de Cabo Verde, país insular e nação diasporizada, é a alter urbis de todos os cabo-verdianos. Nela, os cabo-verdianos, em consenso e plataforma, deveriam consolidar a memória e projectar o futuro. Com estas palavras, à guisa de desejo, queria saudar o fórum sobre a “Identificação de Vocações, Medidas de Política, Infra-estruturas e Atitudes para o Desenvolvimento da Praia”, em boa hora organizada pela Associação para o Desenvolvimento da Praia (Pró Praia).A Pró Praia considera (com toda a legitimidade) que, antes que a cidade atinja 150, daqui a dois anos, “é importante que algo seja feito para a mudança do satus quo da capital do País”. Em verdade, é hora de tematizar a Praia e que ninguém se engane, pois esta cidade resulta de processos sociais, culturais, económicos e políticos complexos. O debate terá de ser também complexo e com perspectivas multidimensionais. Discorrer sobre “Urbanização e Segurança – Impactos, Causas, Consequências e Perspectivas” nos obriga a todos a uma análise retrospectiva, conjuntural e prospectiva, para que encontremos as alternativas sustentáveis. Mister é a mudança e a palavra de ordem deve ser a sustentabilidade…
As ruelas de Ponta Belém, as casas térreas e os sobrados das ruas e travessas, o mercado municipal, os canhões do Cruzeiro, a praça Alexandre Albuquerque e a sua gurita, assim como toda a Várzea da Companhia e a Achada de Monteagarro, são uma parte importante da nossa alma e da nossa identidade, factores, quais impressões digitais, da nossa singularidade, mas temos a convicção que são atributos insuficientes para assegurar a nossa competitividade presente e futura.
A hora é de pensar a Praia como “praça financeira” e como referência cultural, a “last frontier” do desenvolvimento sustentável. Uma Praia com artes, monumentos, museus e bibliotecas. E com os investimentos chineses, portugueses, angolanos e ingleses, já apontados, todos benvindos e necessários. E venham outros, porque a vida nasceu…
Uma cidade como a Praia terá de reinvestir pesado em equipamentos e serviços, como aeroporto, porto, universidade e parque industrial, ao tempo que recoloca na agenda política e no debate social a questão dos custos da capitalidade. Em verdade, só há desenvolvimento quando cruzarmos cidadãos educados em espaços equipados. O resto são histórias (bairrismos, mesquinharias, colonialismos internos, interiores e mentais, e quejandos)…e quanto a isso, de há muito que já estamos acordados, atentos e acesos.
Os tristes do pedaço querem, no entanto, uma Praia retrógada, coitada e tacanha. Bem entendemos o móbil de tal gente. As intenções, mais “piedosas” do que ecológicas e/ou patrimoniais, devem ser entendidas na sua exacta dimensão. Elas têm os seus próprios e acantonados registos. Mas nós, os amantes desta cidade, queremo-la metrópole moderna e arrojada, competitiva com as demais capitais, e para tanto precisamos neste fórum de uma visão de futuro, de uma utopia aglutinadora e, seguramente, de uma estratégia de afirmação.
A insegurança na cidade da Praia (a violência urbana, a tóxicodependência, a condução ofensiva, etc) não é causa, mas consequência, de um abandono e de um laxismo, a vários níveis e de muito, muitíssimo, tempo. Reduzir o debate ao lixo e aos assaltos é empobrecer o convívio democrático. Os cidadãos têm de “pegar nesta cidade”, alter urbis de todos os cabo-verdianos. A pólis é feita de cidadãos (que votam e pagam impostos) e são estes a sua componente mais importante, afinal.
Um abraço apertado e fechado, como o anel rodoviário ora em construção, a todos os amantes da Praia.
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Lúcia Cardoso em concerto
A conversa correu em torno de um recital sobre Padre António Vieira. Ela interessou-se pela opereta e quis saber outros detalhes. Em verdade, ainda o projecto permanece embrionário, meio no papel, meio na mente. Disse-me as suas ideias sobre os canticos e pedi-lhe que as repartisse com Ricardo de Deus...De Renato Cardoso, recordamos algumas letras de música e algumas melodias imortais. E ela tem um projecto de passar tudo para a pauta. Achei bonito...e mais que necessário.
De abalada rumo a Cabo Verde, ela prometeu aproveitar as férias em actividades culturais. Filha de peixe...
l
Lúcia Cardoso em concerto
Temas de:
Edu Lobo, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Chico Buarque,
Tom Jobim
Tó Tavares (viola)
Ricardo Deus (piano)
Auditório CCP/ICA, Praia, Cabo Verde, dia 27 de Abril, às 19.00h
terça-feira, 25 de abril de 2006
Sima pêtu Sheila

Nenhuma fruta me é tão serenada quanto ouvir a voz de Mayra Andrade. Voz feita de quietude e melaço. Vez por outra energética como o começo de um vendaval. Mas quase sempre eivada de remanso e mar calmo. Viva voz, aqui e agora. Outra voz. Doutrora. Arco-íris e mais cores. Lua nova, lua cheia, lua cambante...o céu por limite.
À beira do Mucuripe
Escrevo, arduamente mergulhado nos arquivos, um livro sobre as relações comerciais (e outras) entre o Ceará e Cabo Verde. Tenho descoberto coisas interessantes e estou cada vez mais convencido de que estas relações, profícuas para os micro e pequenos empresários de parte a parte, estão longe ainda do seu potencial. Neste momento, há um projecto do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) para a abertura de créditos e fomento de exportação e parceria (leia-se joint-venture) entre as empresas cearenses e cabo-verdianas. Esta nova realidade impõe às empresas um realinhamento estratégico para uma nova fase dos negócios. Em certa medida, não se trata apenas de negócio ponta-a-ponta do crescente comércio (formal e informal, note-se), mas de uma rede complexa rumo a novos mercados (África Ocidental, Macaronésia e EUA). Uma nova engenharia empresarial, de maior porte e complexidade, deve ser pensada pelos decisores públicos e privados do Ceará e Cabo Verde. A pesquisas pelos arquivos, remotos e recentes, dão-me esta visão prospectiva...
Cabo Verde X Ceará: small is beatifull
Forçoso reconhecer de que o Brasil não é só um importante player na região, mas um grande player mundial. Autosuficiente em termos energéticos e alimentares, competitivo em termos científicos e tecnológicos, o Brasil caminha, ao lado da China e da Índia, para o ranking das superpotências. Tão grande e transcendente, com uma capilaridade assaz expansionista, que irradia diante dos pequenos países a proposta de novas formas de cooperação internacional. É a linha de “small is beatifful”. Destarte, ressurge a cooperação entre o Ceará e Cabo Verde, inaugurada com o vôo directo da TACV Sal-Fortaleza, um divisor de águas. E neste particular, é de se reconhecer, noblesse oblige, a visão estratégica do então Presidente da TACV, João Ramos e do seu Administrador Comercial, Jorge Spencer Lima, por uma iniciativa tão ousada na altura quão bem-sucedida a prazo...
José de Alencar à mesa
A ideia de abordar as relações entre o Ceará e Cabo Verde (uma bilateralidade atípica tratando-se este de um país independente e aquele de um estado membro da República Federativa do Brasil) nasceu há muitos anos. A sua gênese deve-se de certa forma a razões afectivas. E radica-se à infância, ficando Freud por explicar os seus meandros. Em verdade, o Ceará aparece na minha infância com os textos de José de Alencar que o meu pai, em iniciativa recorrente, fora lendo ao longo desses anos. E no meu imaginário de criança, recriava sertões e cangaceiros, caatingas e forrós, coronéis e cabras-machos. E, em tal filme que ora descrevo, falava-se da proximidade cultural com o Arquipélago. Ao tempo, eram obrigatórias as leituras de Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, sociólogo brasileiro que provocara algum frisson na pequena, mas dinâmica, intelectualidade claridosa. A obra, que sistematizava o perfil sociológico dos mundos ditos lusotropicalistas e pós-escravocratas, abria pistas interessantes. E o apport de Gilberto Freyre me emprestara uma perspectiva paritária entre o Nordeste brasileiro e Cabo Verde, no tocante ao mosaico antropológico e cultural, definidor em última análise das formas de vida. Sem ser freyriano, nem claridoso, embora reconheça num e noutro enormes méritos (e as suas contradições inerentes), fui reconstruindo no pensamento os pontos de convergência entre os cearenses e os cabo-verdianos. Agora sei que a cachupa e o mangunzá são pratos parecidos. E a Ypióca e o grogue de cana-de-açucar são “primos carnais”. E o forró lembra ao funaná e a seresta à morna. Semelhanças impressionantes...
À beira do Mucuripe
Uma canção do Fagner. O seresteiro e o violeiro. Serenata de Cabo Verde! De repente, nesse Mercado Central, vejo que o Das Frutas Serenadas precisa de novos sabores, cores e odores: cajá, caqui, chichá, grabiru, guaraná, maracujá, pitanga, sapoti, caju, jabuticaba, carambola, biriba e graviola, cujo suco, à beira do Mucuripe, a minha mãe adora...
segunda-feira, 24 de abril de 2006
Viragem

1.
Momento vespertino com o poeta Dimas Macedo. Despertar para novos círculos da estética. Poetaria e crítica literária. Assaré, Alencar & Feitosa. A outra Fortaleza...
2.
Fim de tarde em homenagem a Pixinguinha. Centro Cultural "Dragão do Mar". A moça que executa "Ave, Maria", ao bandolim...e em jeito de chorinho. Chove. De mansinho...
3.
Alguém, longe daqui, fechou uma janela que dava para o mar. Mas eu fico a ver o horizonte azulado. Viajo no azul. De repente, a estrela solitária é o que sobra da alva...
quarta-feira, 19 de abril de 2006
In my craft or sullen art
Anoitece e estou diante do computador. Há um poema que se instala no monitor e pede para entrar no livro. Em estranho solilóquio, concedo-lhe um lugar no “Das Frutas Serenadas” (já fechadíssimo). A criatura é quem determina o Criador. Em silenciosa noite. Sempre...
E fiquem com os versos de Dylan Thomas (um dos meus eleitos):
In my craft or sullen art
Exercised in the still night.
terça-feira, 18 de abril de 2006
Numa prece & Cia
Cronicando
O Pranchinha, nas calendas, purgatório ou lá onde navega, chamaria a minha atenção pelo facto de eu ser um cronista temerário, irresponsável mesmo. Mas não tenho outra cidade para amar e odiar. Conheci cidades interessantes como Belo Horizonte, Casablanca e Boston. Já andei por Nova Iorque, São Paulo, Lisboa e Dakar. Gostei de Ponta Delgada e Genebra. Mas para amar e odiar, só a cidade da Praia, onde nasci e me fiz homem. Em soalheiros dias, sem promessas de música, ponho-me a andar pela orla da cidade, em linguajar mais correcto na rol do mar, que nem mais é um passadiço de arreal e penedo, banhado pela onda furibunda. E ando ali no meu divagante pensamento face ao Ilhéu de Santa Maria. Sempre com amor e ódio, diga-se. E o Plateau é um espaço que se põe a render, destruindo sobrados patrimoniais e erigindo caixotes arquitectónicos. E, depois, qualquer dia, vira uma China Town. Como o Ilhéu de Santa Maria, aliás. Tudo muda. Mudando. E nós, tristes que somos, animais de capoeira. Orfãos que somos da Esplanada da Praça 12 de Setembro, destruída num rompante infeliz por alguém quase embriagado pelo Síndroma de Nero, o idiota que incendiou Roma. Sim, China Town…e porque não? Que não seja mal interpretado, gosto muito de lo mein de carne…
Das crónicas
A tentação de fazer das crónicas apenas o testemunho dos dias políticos existe, sim senhor. A política corridinha, rasca e doméstica nos interpela de tal forma, que o jeito é lhe dedicar, a cada semana, umas linhas cativas. Mas, pensando bem, o cronista assumiu-se de fait-divers e absolutamente livre das margens. Os dias que passam são políticos, culturais, económicos, sociais e o que mais queiram. E estas inumeráveis facetas do quotidiano é que fazem o tempo, o cronos e as crónicas. Assim, uma onda furibumba bordando em escuma a praia bordejante é tão narrável quanto o congresso deste ou daquele partido. E o grande investimento de David Show vale tanto quanto o profundo olhar de um transeunte. Tudo, tudo, tudo é vida (inclusive a morte) e eis que o cronista continua…de serviço.
Dos cronistas
Já vamos sendo muitos – uns sistemáticos e outros bissextos – a escrever pelos jornais e revistas. E as pessoas nos lêem nas barbearias, nos autocarros, nos cafés, nas casas de banho, enfim. Entre a novela, a política e o futebol, somos lidos na diagonal e quase sempre de esguelha, pois os leitores anda não se convenceram do seu papel crítico e, quem sabe, de co-autores. Mais do que isso, de protagonistas. A cidadania é também a cidadania dos leitores, capazes de pensar (em mais complexa dimensão e para lá do imposto) das coisas que acontecem. O investimento chinês no Ilhéu de Santa Maria, os exercícios na NATO, a integração à União Europeia, a imigração clandestina, a violência doméstica, em suma, as coisas que vão acontecendo e que os cidadãos vão lendo en passant como se não determinassem a nossa vida colectiva. Mas os cronistas continuam ali acesos e despertos. Chamativos e atentos. Acordai-vos…
O Relatório
Reli, com atenção, o Relatório dos Direitos Humanos, do Departamento de Estado Americano, e estranho o quiproquó feito por uns e outros mercê do seu conteudo. Em verdade, o Relatório descreve Cabo Verde como um dos países de melhor quadro de cumprimento das balizas humanitárias e isso só nos deve orgulhar a todos. Em 90% dos itens, estamos bem avançados, não só em relação ao nosso querido continente africano, mas aos demais que se dizem mais civilizados e com pretensões civilizatórias. Mas há os 10% periclitantes (e eles existem de facto) e devem ser identificados, assumidos e ultrapassados. A violência doméstica é um deles. A morosidade da justiça também, entre outros. E são questões colectivas, a merecerem um olhar crítico de todos nós. E não apenas o dos americanos que (a gente compreende) têm sérios problemas domésticos nesse capítulo e não poderiam velar sempre por nós. Em verdade, precisamos acertar muitas coisas que os americanos nem viram. Portanto, cuidemos nós (sem poltiquices de trazer por casa) das nossas mazelas…
Numa prece & Cia
Vamos chamar, sim, a atenção para os patrimónios naturais, históricos e paisagísticos, dos nossos ilhéus - Branco, Raso, de Santa Maria, Seco ou Rombo, de Cima, Ilhéu Grande, de Curral Velho e Baluarte.
sexta-feira, 14 de abril de 2006
Estranha nuvem
Pesada e vagarosa, onde, até ontem,
Corria, risonho, o meu coração
De criança ávida de graça e paz…de tudo.
Nuvem que não se explica, porque ruidosa,
No seu próprio silêncio e grave, aqui
E ali, onde quer que caminhe, na terra
E na lua, e direi no pensamento, mormente.
Um tanto esquecido, de mim e da morte,
Procuro dissipar a neblina e o frio, misteriosa
Brisa que, esquecida, retorna à minha lembrança.
Sem métrica, nem rima, de um reverso somente
Carrego, qual Sisifo, a filosofal pedra da vida
E vou à morte remediado de tudo…de tudo.
Filinto Elísio
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Rapado e não assaltado (na barbearia de Seu Aufredô)
Sol posto
O desamparinho foi quase nada. De um ai, o sol cambou-se no poente e no regaço do nada ficou este anil, mesclado de violeta e magenta. Ter-te-ia dito no chat duvidar dos deuses, dos pássaros em torvelinho e dos romances de Dan Brown. Da ponte metálica – chamam-na Ponte dos Ingleses-, restam a minha solidão, um casal que namora o fim-da-tarde e as jangadas de velas brancas. Estas, lembram à música de Fagner…
Diário de um homem normal
Mau grado a praga, proferida em ódio, e que às vezes pega. Morte, perseguição e/ou prisão, quando não invalidez ou exílio, e bate-se aqui em madeira, não vá o diabo tecê-las. Dizia, apesar do mau agoiro e do bad vibe, como diria o Denzel, agraciou-me ela, implacável como sempre, com a premonição da loucura. Isso me deixou feliz e mais humorado, nesta semana - mais chata que santa, diga-se -, em que escrevi (de uma assentada) a peça “Diário de um homem normal”, que, entrementes, prometera a um dramaturgo.
Os donos do mundo
Diante de um portentoso, mas esteticamente feioso, monumento, de soslaio e de esguellha se lhe roçavam os contornos, o Homem Normal começava assim o seu dia: pareceres ao ministro, dois telefonemas ao director do Gabinete e a leitura diagonal de um pedido de patrocínio. Refeito da primeira rotina, ele telefonava à cantina a ver se havia a pizza de chouriço e navegava (sempre sem querer) pelos blogs da praça. E o monumento, eterno naquele semblante de pedra! Escrevia um plano de trabalho e desistia de convencer aos donos do mundo que a radicalização seria mister. Matava-se nos dias. Aliás, estava morto de há muito. Como o mostrengo do monumento…arre (para não dizer porra)!
Lendo Pedro Cardoso
A verve tântrica de palavradas ilhas
E a praça se pressente, e a Brava ao largo,
E a quilha dos barcos em redondilhas.
A raiva toda, senti-a no corpo e na alma,
De pés descalços pelo dorso do vulcão,
Mãos percorrendo corpos de pedra negra,
Calcinados campos onde as uvas solfejam.
Li-os, página a página, a medra da cal
De tão brancas e térreas casas, arrieiros
E sobrados desaguam na matricial igreja.
O rufar dos tambores, o relinchar dos cavalos,
Em festas de pilão e bandeiras, e a procissão
Imensa (quase eterna) e eu nesse Presídio…
Filinto Elísio
Quarteto, trio, dueto & solo
A terra e a água, o quarteto iniciático
De o Verbo ser o começo de tudo, inscrito
Em letras do mistério no Sagrado Livro.
Reiterou o pai, o filho e o poeta, trindade
E trio que emproam, em luz e brilho,
A estrela d´alva de um dia e sua sompra,
Nuvens que correm na manhã nublada.
Quem sabe chove, aqui e no mundo, agora
Em dueto canta-se o arco-íris que decresce
Como um sol que se assenta ali no poente.
Faltou-lhe tudo afinal, a paz e a guerra,
A solidão desbotoada da rosa e o perfume
Que enebria a una verdade de sermos solo…
Filinto Elísio
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Lança-perfume
Rita Lee, uma das maiores expoentes da Música Popular Brasileira, apresentou um soberbo espectáculo no aterro da Praia de Iracema. Tudo, e muito mais, para comemorar os 280 anos de Fortaleza. Com os pés atolados na areia e o pensamento esvoaçado no mundo, lá cantámos em uníssono Ovelha Negra, Amor e Sexo e Doce Vampiro.
(…)
Me acostumei com você
me ferindo, me curandoa ferida
mas nada disso importaaaa
vou abrir a portaaaa
pra você entrar
beija minha boca
(…)
Mas o melhor da noite foi Luzianne Lins, Prefeita de Fortaleza. No fim do espectáculo, afirmou: “Queremos muitas mudanças. Não queremos apenas crescimento económico. Queremos mais democracia e justiça. Queremos que o fruto da produção e do crescimento sejam distribuídos eqüitativamente. Não podemos ser mais o país da desigualdade nem a capital da injustiça social”.
2.
Mas já se faz tarde. Tardíssimo. E estou com sono, soninho, como diria o meu filho Pablo.
(…)
Vem cá meu bem, me descola um carinho
(…)
Lança, lança perfume…
terça-feira, 11 de abril de 2006
Pluma na lua
Tendes vós, com mesuras retesadas, a noite
Com que o Judeu, de Shakespeare, dita ali
Sua injustiça, profana ou santa, em Veneza
E encanados fostes do Verbo, e em primo frutos…
Fostes, das tremeluzentes estrelas, a cadente
E a rápida trajectória do risco e do cisco, ao micro
Olhar de um campónio aos vastos campos
E a mão incerta que à linha o peixe aguarda…
Poetas, como pescadores na lua, e em pluma
Flutuam no jusante das palavras e a medra,
ora pedra, ora Fedra, à sombra e sua metáfora…
Em primo ou sopro derradeiro, Esopo ou átomo,
Ilhas irradiadas no espaço anil e vão do mar,
Sois de mim, dados frutos, oh implacáveis…
Fortaleza, 2 de Abril de 2006
Retalhos
Leio os blogs todos, recebendo, de cada um, os seus implacáveis recados. Em verdade, com ou sem pessoalizações de permeio, já somos um movimento e creio mister o reforço da causa. Assumidamente. Como tudo o que começa e um dia terá pernas para fazer o seu caminho, andamos ora como equilibristas na corda bamba…
Arco-íris
Acabo de ver um arco-íris. Da minha janela, o arco se vê perfeito. Uma espécie de apoteose depois da chuva. Parece até que o dia recomeça. E o meu coração, então encharcado, sorri de novo. Acho que alguém canta um samba antigo. De Lupicínio Rodrigues, se não me engano. Algo que me transporta à infância…
280° Aniversário
Fortaleza comemora 280 anos, com muita actividade cultural. Amanhã, pela noite, será o show de Rita Lee, na Praia de Iracema. Não vou perder. Gosto do estilo roqueiro-nacionalista de Rita Lee. E a irreverência da forma e do conteúdo como encara a arte. E a vida…
Quadros da Diáspora
Será para breve mais um Congresso do Quadros da Diáspora. Ocasião de ouro para falarmos da Nação Global Cabo-verdiana. Tirando uma ou outra mania elitista, deste ou daquele “dotorado”, a iniciativa é louvável e merece o nosso aplauso.Continua oportuno o “suicídio da pequena-burguesia”, em prol de mais soberania, democracia e desenvolvimento. Cabral era um visionário. Vendo as coisas como estão, saibamos distrinçar o trigo do joio…
Golpe de Estód na Paraíse
Vamos ver se deixamos em casa o bairrismo e o neocolonialismo, pois Cabo Verde não pode parar. A “turbinada”, na teia de todas as praças, precisa compreender que só estaremos abertos ao mundo se assumirmos as nossas matrizes crioulas. Sou negro, sou branco, sou das ilhas, sou do mundo. Sou sincreticamente cidadão. Setenta anos sobre a Claridade, temos de ser “independentes”, sem síndromas da Casa Grande e Senzala. Cabeça em movimento…eia Orlando Pantera!












